Hedge funds emergentes recusam investidores por excesso de capital

Crédito: InfoMoney
O fluxo de recursos para mercados emergentes atingiu um nível tão elevado que hedge funds estão recusando novos investidores. Gestoras que administram dívida de países em desenvolvimento enfrentam dificuldades para alocar o capital em mercados de menor profundidade, levando algumas a fechar seus fundos ou a se tornarem mais seletivas.
Excesso de capital desafia gestoras
A Shiprock Capital Management Ltd., que investe em dívida estressada, está entre as que limitam a entrada de recursos. Frederick Schroder, presidente-executivo da Shiprock Capital, afirmou que “capital infinito não é amigo nesse espaço”. A declaração reflete o desafio de aplicar grandes volumes em mercados pequenos sem comprometer os retornos.
A Broad Reach Investment Management, gestora de US$ 3 bilhões, pretende fechar seu principal fundo ao atingir o teto de ativos sob gestão ainda este ano. A decisão ilustra a tendência de fundos que, após captarem montantes expressivos, optam por preservar a capacidade de gerar ganhos.
Entradas recordes em 2025
Os hedge funds de mercados emergentes tiveram, em 2025, seu maior ano de entradas líquidas em mais de uma década. Nos primeiros três meses do ano, esses fundos receberam cerca de US$ 1,67 bilhão em novo capital. Ganhos baseados em desempenho adicionaram US$ 27 bilhões ao valor dos ativos administrados desde o início de 2024, enquanto outros US$ 2,6 bilhões vieram de entradas líquidas no mesmo período.
A dívida de países em desenvolvimento registrou sua sétima semana consecutiva de entradas, com US$ 3,1 bilhões no período até 27 de maio, segundo o Bank of America. O movimento é impulsionado por investidores em busca de alternativas diante da disparada dos rendimentos dos títulos nos EUA, Reino Unido e Japão.
Seletividade e limites de alocação
A Sandglass Capital Management Ltd. está sendo mais seletiva depois que os ativos sob gestão saltaram para US$ 1 bilhão, ante cerca de US$ 600 milhões há um ano. A gestora agora avalia com mais rigor novas captações, priorizando a manutenção da qualidade da carteira.
Evgueni Konovalenko, da ProMeritum Investment Management, cujo volume de ativos sob gestão ultrapassou US$ 1 bilhão no início de fevereiro, citou um investimento em Uganda que respondeu por 3% do portfólio. Konovalenko explicou que não conseguem ampliar a posição em Uganda porque o fundo é de US$ 1,1 bilhão e o mercado não tem profundidade. A limitação ilustra o dilema de gestoras que, com muito capital, encontram dificuldades para diversificar em economias menores.
Estratégias de captação seletiva
Alguns fundos estão “levantando a ponte levadiça” para novos recursos seletivamente, mas também captam novos pools de capital em dívida alternativa fora dos mercados públicos. Essa abordagem permite que continuem crescendo sem sobrecarregar os mercados tradicionais de emergentes.
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o movimento dos hedge funds emergentes sinaliza um ambiente de juros globais elevados e busca por rendimento em ativos de maior risco. Embora o impacto local seja indireto, a tendência de capital abundante em mercados emergentes pode influenciar o custo do crédito e as oportunidades de investimento para empresas brasileiras.
Perguntas Frequentes
Por que hedge funds estão recusando investidores em mercados emergentes?
Devido ao excesso de dinheiro indo para emergentes, hedge funds como a Shiprock Capital Management estão recusando investidores, pois capital infinito não é amigo nesse espaço, segundo Frederick Schroder.
Quanto dinheiro entrou em hedge funds de mercados emergentes em 2025?
Nos primeiros três meses de 2025, hedge funds de mercados emergentes receberam cerca de US$ 1,67 bilhão em novo capital, e tiveram seu maior ano de entradas líquidas em mais de uma década.
Por que fundos como a Broad Reach Investment Management estão fechando ao atingir o teto de ativos?
A Broad Reach Investment Management, gestora de US$ 3 bilhões, pretende fechar seu principal fundo ao atingir o teto de ativos sob gestão ainda este ano, pois alocar recursos em mercados pequenos está ficando mais difícil.



























