Fadiga fiscal: dívida pública pode bater 100% do PIB até 2035

Crédito: CNN Brasil
O Brasil enfrenta um quadro de ‘fadiga fiscal’ que pode levar a dívida pública federal a ultrapassar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2032 e 2035, segundo estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados. O alerta foi feito pelo consultor Paulo Bijos, autor do levantamento, que destaca a necessidade de o governo eleito apresentar novas soluções estruturais para o quadro fiscal no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2028.
O que é ‘fadiga fiscal’?
O cenário que o país enfrenta é de ‘fadiga fiscal’: quando se perde a capacidade de aumentar a carga tributária e o gasto público tende a ser constantemente pressionado. ‘O Brasil, ao que parece, já opera em uma região de resistência para novos aumentos de carga tributária, e o gasto público tenderá a ser constantemente pressionado, nos anos futuros, em decorrência da transição demográfica em curso no país’, explica Bijos. Esse fenômeno ocorre em um contexto de envelhecimento populacional, que eleva despesas com previdência e saúde, enquanto a arrecadação não acompanha no mesmo ritmo.
Trajetória da dívida e comparação internacional
Se a trajetória de alta persistir, a dívida pública brasileira terá registrado a segunda maior alta entre os países do G20, atrás apenas da China, segundo levantamento do Farol da Oposição, do Instituto Teotônio Vilela, órgão de estudos e formulação de políticas públicas do PSDB. Atualmente em torno de 80% do PIB, a dívida precisaria de um ajuste fiscal robusto para ser estabilizada. Bijos afirma que, para gerar superávits capazes de estabilizar a dívida nos atuais 80%, o país teria de passar por um ajuste equivalente a R$ 330 bilhões anuais. Para efeito de comparação, no Orçamento de 2026, as despesas não obrigatórias estão em torno de R$ 240 bilhões, valor inferior ao necessário.
Necessidade de soluções estruturais
O consultor avalia que é imprescindível que o governo eleito apresente novas soluções estruturais para o quadro fiscal no PLDO de 2028. ‘Uma postura prudencial, com efeito, deveria preservar certo distanciamento de limites máximos para a dívida pública, até mesmo para que se preserve espaço fiscal para a ampliação da dívida em momentos de crises, quando são acionadas políticas anticíclicas expansionistas’, enfatiza. A recomendação é que o governo não espere a dívida atingir níveis críticos para agir, mas que adote medidas preventivas.
Impacto para empresários e comerciantes
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o cenário de fadiga fiscal e crescimento da dívida pública pode trazer consequências como aumento de impostos futuros, redução de investimentos públicos e maior instabilidade econômica. A pressão sobre os gastos públicos pode resultar em cortes em áreas como infraestrutura e incentivos, afetando diretamente o ambiente de negócios. A transição demográfica, com envelhecimento da população, também impacta o mercado de trabalho e o consumo local. A recomendação dos especialistas é que as empresas se preparem para um período de ajustes fiscais e busquem eficiência operacional.
Perguntas Frequentes
Quando a dívida pública brasileira pode atingir 100% do PIB?
Segundo estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, a dívida pública federal deve ultrapassar 100% do PIB entre 2032 e 2035.
Qual o tamanho do ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida em 80% do PIB?
De acordo com o consultor Paulo Bijos, seria necessário um ajuste equivalente a R$ 330 bilhões anuais para gerar superávits capazes de estabilizar a dívida nos atuais 80% do PIB.
O que o governo eleito deve apresentar no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2028?
O consultor Paulo Bijos avalia que é imprescindível que o governo eleito apresente novas soluções estruturais para o quadro fiscal no PLDO de 2028.




























