PL 5017: Senado cria R$ 1 tri em despesas na conta de luz

Crédito: Folha de S.Paulo
O Senado deu um passo que poderá custar caro aos brasileiros. A Comissão de Infraestrutura aprovou, em votação simbólica e sala esvaziada, o Projeto de Lei 5.017, que cria mais de R$ 1 trilhão em despesas na conta de luz ao longo das próximas décadas.
O texto, que ainda precisa passar pelo plenário, traz de volta a contratação compulsória de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e usinas térmicas, muitas sem infraestrutura adequada.
Origens modestas, ambições ampliadas
O PL 5.017 nasceu na Câmara dos Deputados em 2019 com uma proposta singela: dois artigos para alterar uma única lei e ampliar o desconto na tarifa de energia para irrigação e poços semiartesianos. No entanto, o texto encalhou no Senado até ser ressuscitado em uma tramitação que transformou radicalmente seu escopo.
Demandas antigas ressuscitadas
A nova versão recupera antigas demandas não atendidas do setor elétrico, o que motivou o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, a batizar as medidas de “jabutis zumbis”. Segundo ele:
“Eles não morrem nem com estaca no coração. É um jogo difícil. Alguns já foram derrubados uma dezena de vezes e continuam voltando. A ironia é que se eles ganham uma vez, ganham para sempre. Isso não vale para os consumidores”.
Impacto bilionário e escalonado
O cálculo foi feito pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace), entidade que representa setores como siderurgia, mineração, papel e celulose, e divulgado pela Folha com exclusividade.
Se o projeto for aprovado, as novas medidas criarão uma despesa anual inesperada de R$ 44,2 bilhões na conta de luz a partir de 2032. Somando as flexibilizações na lei de desestatização da Eletrobras, o aumento subiria para R$ 54,9 bilhões a partir de 2035.
Os novos custos seriam aplicados de forma escalonada, e o aumento médio tarifário acumulado ficaria na casa de 11%. Considerando o prazo de validade dos contratos, o gasto totalizaria R$ 1,2 trilhão em novas despesas, ou R$ 1,5 trilhão incluindo as mudanças na lei da Eletrobras.
Tramitação relâmpago e votação esvaziada
O procedimento para a elaboração das medidas foi atípico. Em 14 de julho, o senador Eduardo Gomes (PL-TO) foi designado relator, mas devolveu a matéria por estar deixando a comissão.
A relatoria foi transferida a Hermes Klann (PL-SC), que apresentou o substitutivo. Usando os cinco minutos finais de uma reunião, Klann leu apenas a síntese do relatório, e o texto foi aprovado em votação simbólica, com a sala já esvaziada.
Agora, a matéria segue para análise do plenário do Senado.
Distorção tarifária e efeito nos negócios
O planejamento da expansão do setor elétrico é responsabilidade do Executivo, e propostas legislativas como o PL 5.017 são vistas por especialistas como uma distorção baseada em lobby, sem avaliação de necessidade e custo.
A imposição de projetos como térmicas em locais sem infraestrutura de transporte de gás pode levar a ineficiências que recairão sobre todos os consumidores. Para o setor produtivo, o impacto será sentido em regiões que dependem de energia competitiva, como o noroeste paulista, onde indústrias e comércios já operam com margens apertadas.
Exemplo de ineficiência
Um exemplo prático citado por Paulo Pedrosa é a exigência de construir térmicas onde não há rede de gasoduto ou linha de transmissão, o que encareceria ainda mais a conta final.
Perguntas Frequentes
Qual é o projeto de lei que pode aumentar a conta de luz e o que ele propõe?
O PL 5.017/2019, originalmente focado em descontos para irrigação e poços semiartesianos, agora inclui a contratação compulsória de PCHs e térmicas a gás e flexibilizações na lei de desestatização da Eletrobras, conforme substitutivo aprovado no Senado.
De quanto será o aumento na conta de luz se o PL 5.017 for aprovado?
Segundo estimativas da Abrace, o aumento tarifário acumulado seria de 11%, com nova despesa anual de R$ 44,2 bilhões a partir de 2032, podendo chegar a R$ 54,9 bilhões com as mudanças da Eletrobras, totalizando até R$ 1,5 trilhão ao longo dos contratos.
Por que as medidas do PL 5.017 são chamadas de “jabutis zumbis”?
O presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, as batizou assim por serem antigas demandas de lobby que insistem em retornar, como a exigência de térmicas onde não há gasoduto; se aprovadas, geram custos permanentes ao consumidor, enquanto os lobistas “ganham para sempre”.




























