Lucro do Santander Brasil cai 20% e ROE atinge 12,5%

Crédito: Brazil Journal
O Santander Brasil divulgou, nesta semana, os números do segundo trimestre, que vieram marcados por forte queda no lucro e um salto nas provisões para perdas com empréstimos. O lucro líquido atingiu R$ 3 bilhões, valor 20% inferior ao registrado no primeiro trimestre e 18% abaixo do apurado no mesmo período de 2025. Enquanto isso, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) medido em 12 meses ficou em 12,5%, patamar que decepcionou investidores e analistas.
Lucro e ROE ficam distantes do consenso
O resultado do banco ficou bem abaixo da expectativa média do mercado, que projetava lucro de R$ 3,4 bilhões. Algumas casas de análise, inclusive, já haviam reduzido suas estimativas para uma faixa entre R$ 3,1 bilhões e R$ 3,2 bilhões depois que o Santander sinalizou que as provisões para créditos duvidosos seriam maiores que o habitual. Ainda assim, o número final frustrou, evidenciando um trimestre bastante adverso para a instituição.
O lucro operacional também sofreu forte contração, somando apenas R$ 2,5 bilhões. Esse montante representa uma queda de 45% na comparação com o trimestre imediatamente anterior e de 39% em relação ao mesmo intervalo do ano passado — um recuo expressivo que reflete o aumento das despesas com provisões e a menor rentabilidade das operações.
Provisões disparam e surpreendem analistas
Um dos pontos que mais chamou a atenção foi a provisão para devedores duvidosos (PDD), que alcançou R$ 7,7 bilhões no segundo trimestre. Esse número representa uma alta de 21% em relação ao primeiro trimestre e de 12% na comparação anual. O volume superou as estimativas do mercado, que já esperava um aumento, mas não nessa magnitude.
De acordo com o banco, cerca de R$ 700 milhões dessa provisão são considerados não recorrentes, resultado de mudanças nas regras de write-off (baixa contábil de créditos irrecuperáveis) e de situações específicas na carteira de atacado. Mesmo excluindo esse efeito, a PDD ainda seria elevada, confirmando um ciclo de maior inadimplência e seletividade na concessão de crédito.
Ambiente macroeconômico desafia resultados
Na teleconferência com analistas, o diretor financeiro Carlos Muñiz — que assumiu o cargo em abril — afirmou que o desempenho do segundo trimestre reflete um ambiente macroeconômico desafiador, que elevou o custo do crédito e pressionou a rentabilidade do banco. Muñiz destacou que o Santander Brasil optou por continuar alterando o mix de crédito, com o objetivo de reduzir o risco das carteiras, privilegiando operações de menor exposição à inadimplência.
Essa estratégia, embora prudente, implica menor crescimento das carteiras de empréstimos, especialmente nas linhas mais rentáveis, como crédito pessoal e para pequenas empresas. A consequência imediata é a compressão das margens financeiras e, por conseguinte, da lucratividade.
Efeitos no crédito para empresas do interior
Para empresários, comerciantes e profissionais de cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, as sinalizações do Santander Brasil são relevantes. O banco, um dos maiores do país, tende a influenciar a oferta de crédito regional. Com a piora dos indicadores de inadimplência e a decisão de migrar para um perfil de risco mais baixo, o acesso a financiamentos para capital de giro, investimento e até mesmo antecipação de recebíveis pode ficar mais restrito ou mais caro.
A fonte não detalhou o impacto específico por região. No entanto, analistas de mercado apontam que a retração na oferta de crédito para micro e pequenos negócios é uma tendência nacional, podendo afetar o comércio e os serviços do noroeste paulista. A Associação Comercial e Empresarial de Araçatuba (ACIA) acompanha os desdobramentos com atenção, já que muitos associados dependem de linhas de crédito para sustentar suas operações.
Destaques contábeis e perspectivas
Outro ponto que merece destaque nos números é a relação entre o lucro antes dos impostos (EBT) e o lucro líquido. No segundo trimestre, o EBT ficou em patamar inferior ao lucro líquido, indicando que houve efeitos positivos na linha de impostos — provavelmente o reconhecimento de créditos tributários. Sem esse impulso, o resultado líquido teria sido ainda menor, o que ressalta a fragilidade do desempenho operacional no período.
Embora o Santander Brasil não tenha divulgado projeções formais para os próximos trimestres, o tom da teleconferência liderada por Carlos Muñiz foi de cautela. O banco deve prosseguir com a seletividade na originação de crédito, enquanto monitora a evolução da inadimplência e o cenário econômico. A expectativa de analistas é que o terceiro trimestre ainda traga pressões sobre a rentabilidade, embora possa haver uma gradual melhora se a economia der sinais de estabilização.
Perguntas Frequentes
Qual foi o ROE do Santander Brasil no segundo trimestre?
O Santander Brasil registrou ROE de 12,5% no segundo trimestre.
Por que o lucro do Santander Brasil caiu no segundo trimestre?
O lucro foi de R$ 3 bilhões, 20% menor que o trimestre anterior e 18% abaixo do mesmo período de 2025, impactado pelo aumento das provisões para devedores duvidosos, que somaram R$ 7,7 bilhões (alta de 21% em relação ao trimestre anterior). O CFO Carlos Muñiz afirmou que o resultado reflete um ambiente macro desafiador que elevou o custo de crédito.
Qual foi a provisão para devedores duvidosos do Santander Brasil no segundo trimestre?
A provisão foi de R$ 7,7 bilhões, alta de 21% em relação ao trimestre anterior e 12% na comparação anual, superando as estimativas do mercado. Cerca de R$ 700 milhões desse valor são não-recorrentes, devido a mudanças nas regras de write-off e casos do banco de atacado.




























