Lucro do Santander cai 17,6% no 2T e frustra analistas

Crédito: Valor Econômico
O Santander Brasil inaugurou a temporada de balanços dos grandes bancos no segundo trimestre com um lucro líquido gerencial de R$ 3,014 bilhões. O montante representa uma queda de 17,6% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 20,4% frente ao primeiro trimestre deste ano. Além disso, o resultado ficou abaixo da projeção de R$ 3,671 bilhões dos analistas consultados pelo Valor.
Lucro recua e fica aquém do esperado
Os números evidenciam um desempenho mais fraco do que o esperado pelo mercado financeiro. A redução no lucro reflete, em parte, o aumento das despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD), que somaram R$ 7,654 bilhões, uma alta de 20,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação anual, a PDD avançou 11,5%. Esse crescimento indica uma postura mais conservadora do banco diante do cenário de crédito.
Com isso, a rentabilidade também foi afetada. O retorno sobre o patrimônio (ROE), excluído o ágio, caiu para 12,5% no segundo trimestre, bem abaixo dos 16,0% registrados no primeiro trimestre e dos 16,4% do segundo trimestre do ano passado.
Margem financeira cai e provisões sobem
A margem financeira bruta do Santander atingiu R$ 15,341 bilhões no segundo trimestre, recuando 3% ante os três primeiros meses do ano. Na variação em 12 meses, a queda foi de 0,4%. Esse indicador, que mede o ganho com operações de crédito e tesouraria, sofreu pressão do ambiente de juros ainda elevados e da maior seletividade na concessão de empréstimos.
Simultaneamente, as despesas gerais totalizaram R$ 6,578 bilhões, com leve redução de 0,8% na comparação trimestral, mas alta de 2,6% no acumulado do ano. A combinação de margens menores e provisões maiores comprimiu o resultado final.
Receitas de serviços têm leve retração
As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias alcançaram R$ 5,334 bilhões, apresentando queda de 1,9% no trimestre. Apesar disso, na comparação com o mesmo período de 2024, houve um avanço de 2,5%. Esse segmento, que engloba tarifas de conta corrente, administração de fundos e seguros, entre outros, é essencial para a diversificação de receitas dos bancos. O desempenho modesto reflete a menor atividade econômica e a migração dos clientes para canais digitais com tarifas reduzidas.
Carteira de crédito cresce e inadimplência estável
O Santander encerrou junho com R$ 714,769 bilhões na carteira de crédito ampliada, um avanço de 1,3% no segundo trimestre e crescimento de 5,8% em um ano. Excluído o efeito da variação cambial, o crescimento trimestral seria de 1,4% e o anual, de 6,3%. O banco manteve uma postura cautelosa na originação, priorizando linhas de menor risco.
A inadimplência, medida pelos atrasos acima de 90 dias, ficou em 3,3% em junho, mesmo patamar de março, mas superior aos 2,6% registrados em junho do ano passado. Essa estabilidade trimestral sugere que a qualidade dos ativos está sob controle, embora ainda pressionada.
Mudança no comando e expectativas
Esta foi a primeira divulgação de resultados do Santander após a substituição do CEO: Gilson Finkelsztain assumiu o lugar de Mario Leão no início deste mês. Até o momento, o novo executivo não deu nenhum indício de suas prioridades estratégicas, deixando analistas e investidores atentos aos próximos passos.
As units do banco fecharam o dia em queda de 7,37%, acumulando baixa de 30,6% nos últimos seis meses, enquanto o Ibovespa recuou 5,05% no mesmo intervalo. Esse desempenho reflete não apenas os resultados trimestrais, mas também incertezas sobre a direção da instituição sob nova liderança.
Impacto para empresas do interior paulista
- Com agências em cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis, o Santander é um importante agente de crédito para micro e pequenas empresas da região noroeste do estado de São Paulo.
- A elevação das provisões para calotes e a seletividade na concessão de empréstimos podem significar condições mais restritivas para os comerciantes e industriais locais.
- Por outro lado, a expansão monitorada da carteira de crédito e a estabilidade da inadimplência indicam que o ambiente de negócios permanece resiliente, apesar dos juros elevados.
- Para os lojistas e prestadores de serviço da área, acompanhar a saúde financeira das instituições é fundamental para planejar investimentos e capital de giro.
- A expectativa agora recai sobre os próximos balanços do setor e sobre eventuais mudanças estratégicas que possam impactar o acesso ao capital na região.
Perguntas Frequentes
Qual foi o lucro do Santander no 2º trimestre de 2025 e como ele se compara com as expectativas?
O lucro líquido gerencial foi de R$ 3,014 bilhões, ficando abaixo da projeção de R$ 3,671 bilhões dos analistas consultados pelo Valor.
Quem é o novo CEO do Santander Brasil e quando houve a troca?
Gilson Finkelsztain substituiu Mario Leão como CEO no início deste mês, sendo esta a primeira divulgação de resultados após a mudança.
Quais foram os principais fatores que impactaram o resultado do Santander no período?
O resultado foi pressionado principalmente pela alta de 20,6% nas despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) em relação ao trimestre anterior e pela queda de 3% na margem financeira bruta.




























