A crise da Apex envolve passivo, governança e aporte frustrado

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A crise do grupo Apex ganhou novos capítulos com a saída do fundador Fernando Cinelli da presidência. O afastamento ocorreu na quinta-feira (6), por decisão dos sócios da holding ABM Partnership, que retiraram dele todas as funções de administração e representação. O grupo amarga um passivo de R$ 985,6 milhões e, em meio a inconsistências financeiras, a nova gestão tenta reconstruir a governança.

Principais informações sobre a crise da Apex

  • Passivo declarado de R$ 985,6 milhões.
  • Afastamento do fundador Fernando Cinelli da presidência na quinta-feira (6).
  • Aporte de R$ 176 milhões aprovado pelos acionistas, mas não concretizado.
  • Dívidas concentradas em debêntures com vencimento de longo prazo.
  • Contratação de auditoria externa e independente para detalhar as inconsistências.

Nova gestão encontra inconsistências

A nova gestão apontou inconsistências financeiras identificadas por uma auditoria interna prévia. O diagnóstico inicial revelou uma estrutura empresarial complexa, com centenas de sociedades, o que dificulta a consolidação dos números e amplia o risco de distorções contábeis.

Estrutura complexa e diagnóstico inicial

Ainda não se sabe a extensão exata dos problemas encontrados. O trabalho de auditoria interna serviu de ponto de partida para as medidas anunciadas depois.

Aporte frustrado de R$ 176 milhões

Outro ponto destacado pela nova administração é a frustração das expectativas de retorno dos investidores. O grupo havia obtido aprovação dos acionistas para um aporte de R$ 176 milhões, mas a operação não se concretizou. Sem esse reforço de caixa, a situação financeira se deteriorou.

O maior volume das dívidas, de acordo com a gestão, vem da emissão de debêntures. Esses títulos têm vencimento esticado, o que não reduz a preocupação com o fluxo de caixa.

Passivo total e falta de liquidez

O passivo total declarado é de R$ 985,6 milhões, mas esse número ainda pode mudar. As dívidas estão concentradas em instrumentos financeiros que, em sua maioria, têm vencimento de longo prazo. Mesmo assim, a falta de liquidez é um ponto de atenção.

A nova gestão afirma que os valores exatos e a natureza das obrigações serão melhor detalhados após a auditoria externa. A expectativa é de que a radiografia revele o tamanho real do problema.

Auditoria externa e ação contra ex-presidente

Contratação de auditoria externa

Diante do quadro, a Apex Partners decidiu contratar auditoria externa e independente. Além disso, a nova gestão determinou a realização de uma perícia externa para fazer uma radiografia completa da situação econômica. O objetivo é obter um diagnóstico preciso sobre o patrimônio e as dívidas.

A expectativa é que os trabalhos tragam transparência e permitam basear as próximas decisões. A contratação de especialistas independentes foi uma das primeiras medidas da nova administração.

Ação de responsabilidade contra Fernando Cinelli

A empresa também anunciou que vai ajuizar ação de responsabilidade contra Fernando Antonio Kulnig Cinelli, ex-presidente. A acusação inclui gestão temerária e má-fé, com pedido de bloqueio de bens.

Contudo, os valores mencionados nessa ação não representam obrigações vencidas nem imediatas. Segundo a companhia, são obrigações de longo prazo, e o impacto financeiro ainda será validado pela auditoria externa. A ação é mais um capítulo na tentativa de responsabilizar a antiga gestão.

Justiça e proteção patrimonial

Tutela de urgência cautelar

Em paralelo, o grupo ingressou com ação pedindo tutela de urgência cautelar antecedente. A medida busca proteger o patrimônio das empresas enquanto é avaliada a possibilidade de recuperação judicial.

A Apex também recorreu à Justiça para obter proteção contra medidas de cobrança. A ideia é preservar as operações durante a reestruturação. A empresa tenta evitar que credores adotem ações individuais capazes de inviabilizar a atividade.

Argumento contra vencimentos antecipados

A defesa do grupo argumenta que a substituição do administrador poderia acionar cláusulas de vencimentos antecipados. Isso valeria tanto para contratos bancários quanto para escrituras de debêntures.

Por isso, a tutela cautelar é vista como essencial para evitar uma corrida contra o patrimônio. A decisão judicial ainda não foi divulgada, e o grupo segue operando. A proteção, se concedida, dará fôlego para a reestruturação.

O que falta esclarecer

Razões da crise ainda indefinidas

Apesar das medidas, o cenário traçado até agora não responde como o grupo chegou à situação atual. Também não há estimativa oficial dos reais valores do rombo. As causas da deterioração do patrimônio seguem indefinidas, dependendo dos laudos da auditoria.

A nova gestão reforça que o impacto das inconsistências será validado externamente. A falta de respostas mantém o mercado em alerta.

Manifestação de Fernando Cinelli

Em meio ao imbróglio, o empresário Fernando Cinelli manifestou-se pela primeira vez na última sexta-feira (7). Em nota, informou que está dedicado e comprometido a contribuir para a preservação da empresa, de seus investidores e acionistas.

Ele não detalhou, porém, sua versão sobre as acusações. A manifestação ocorre um dia após o afastamento, mas não esclarece os pontos centrais da crise.

Próximos passos

A expectativa é que os próximos passos da auditoria tragam respostas e, possivelmente, novos desdobramentos judiciais. O grupo tenta se estruturar internamente e, ao mesmo tempo, recuperar a confiança do mercado.

A crise, no entanto, já deixa marcas na trajetória da companhia. Só o tempo dirá o desfecho.

Perguntas Frequentes

Qual é o valor total da dívida da Apex e qual é a principal origem desse passivo?

O grupo acumula passivo de R$ 985,6 milhões, e o maior volume das dívidas vem da emissão de debêntures.

Que medidas a Apex está tomando contra o ex-presidente Fernando Cinelli?

A Apex vai ajuizar ação de responsabilidade contra Fernando Antonio Kulnig Cinelli por gestão temerária e má-fé, com pedido de bloqueio de bens, e também vai contratar auditoria externa independente.

O que aconteceu com o aporte de R$ 176 milhões aprovado pelos acionistas?

Acionistas aprovaram um aporte de R$ 176 milhões, mas a operação não se concretizou.

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