BofA rebaixa Brasil para neutro com Selic a 14,25% em 2026

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BofA rebaixa Brasil para neutro com Selic a 14,25% em 2026

O Bank of America (BofA) rebaixou a recomendação para o Brasil de ‘overweight’ (exposição acima da média) para ‘neutro’, em relatório divulgado recentemente. A decisão reflete a projeção de que a taxa Selic encerrará 2026 em 14,25%, ante estimativa anterior de 13,25%, implicando apenas um corte adicional em junho seguido por uma pausa prolongada. O banco também aponta riscos de inflação inclinados para cima, em meio à fraqueza do real e ao aumento da volatilidade eleitoral.

Projeções macroeconômicas e riscos

A equipe econômica do BofA, liderada por David Beker, revisou suas projeções para a Selic, indicando que o ciclo de aperto monetário deve se estender mais do que o esperado. A projeção de 14,25% para o fim de 2026 representa uma elevação significativa, sinalizando que o Banco Central deverá manter uma postura contracionista por mais tempo. Os riscos de inflação permanecem inclinados para cima, impulsionados pela desvalorização cambial e pela incerteza política. A volatilidade eleitoral, segundo o relatório, adiciona pressão sobre os ativos brasileiros, contribuindo para a decisão de rebaixamento.

Oportunidades seletivas no mercado

Apesar da visão mais cautelosa para o Brasil como um todo, o BofA identifica oportunidades seletivas em setores específicos. A preferência do banco é por bancos bem preparados para um ambiente de crédito mais deteriorado, com baixo risco de lucros em um cenário de Selic elevada. Essas instituições financeiras tendem a se beneficiar de margens mais altas em um contexto de juros altos, desde que consigam gerenciar adequadamente a inadimplência. O relatório não detalha quais ações específicas são recomendadas, mas sinaliza que a seleção de ativos será crucial para navegar o cenário macroeconômico desafiador.

Comparação com outros bancos

O movimento do BofA segue uma tendência observada em outras instituições financeiras. No fim de maio, o UBS também cortou a recomendação das ações brasileiras de ‘atrativas’ para ‘neutra’. O UBS destacou uma mudança no perfil de risco versus retorno, mas acrescentou que a visão mais ampla para mercados emergentes continua construtiva. Essa convergência de avaliações sugere que o mercado está precificando um cenário de juros altos e incerteza política no Brasil, o que pode impactar negativamente o fluxo de capital estrangeiro para o país.

Contexto regional: Peru

No âmbito regional, o BofA mantém exposição via IFS (Infrastructure and Financial Services) no Peru, dado o suporte das condições macroeconômicas. A apuração do segundo turno presidencial peruano ainda está em andamento, com disputa apertada, o que adiciona um elemento de incerteza política à região. No entanto, o banco vê o Peru como um mercado com fundamentos mais sólidos no curto prazo, em comparação com o Brasil.

Impacto para investidores

Para investidores com exposição ao Brasil, o rebaixamento do BofA sinaliza a necessidade de cautela e seletividade. A projeção de Selic elevada por mais tempo pode pressionar setores mais sensíveis a juros, como consumo e varejo, enquanto beneficia instituições financeiras com capacidade de repassar custos. A volatilidade eleitoral e cambial deve continuar sendo um fator de risco nos próximos meses, exigindo monitoramento constante das decisões de política monetária e dos desdobramentos políticos.

Perguntas Frequentes

Qual é a projeção do BofA para a Selic no final de 2026?

O BofA projeta a Selic em 14,25% no final de 2026, ante 13,25%, implicando apenas um corte adicional em junho, seguido por uma pausa prolongada.

Por que o BofA rebaixou a recomendação do Brasil para neutro?

O BofA rebaixou o Brasil para neutro devido aos riscos de inflação inclinados para cima, fraqueza do real e aumento da volatilidade eleitoral, além da projeção de Selic elevada em 14,25% no fim de 2026.

Quais setores o BofA prefere no Brasil após o rebaixamento?

O BofA vê oportunidades seletivas, com preferência por bancos bem preparados para um ambiente de crédito mais deteriorado e com baixo risco de lucros em um cenário de Selic elevada.

Fonte

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