Boulos critica Tarcísio por ICMS e vê hipocrisia

Crédito: Jovem Pan
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), rebateu neste domingo (1º) a resposta do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre as críticas ao aumento do ICMS dos combustíveis. Boulos classificou a postura do governador como ‘hipocrisia e oportunismo político’. A declaração ocorre após Tarcísio acusar o ministro de distorcer informações e afirmar que o reajuste foi aprovado por unanimidade pelos estados.
O embate entre as autoridades federais e estaduais ganha relevância para o setor produtivo, especialmente para empresários e comerciantes do interior paulista, que dependem diretamente do custo dos combustíveis para suas operações logísticas e formação de preços. A discussão sobre a responsabilidade pelo aumento do tributo pode influenciar decisões de investimento e planejamento financeiro de pequenas e médias empresas na região de Araçatuba e noroeste paulista.
Contexto da crítica de Boulos
Boulos afirmou de forma direta: ‘O Tarcísio está aumentando o imposto’. A fala cobra uma mudança de postura do governador paulista, que, segundo o ministro, tenta transferir a responsabilidade para o governo federal. A crítica se insere em um cenário de disputa política e econômica, no qual o custo dos combustíveis é um tema sensível para a população e para o setor empresarial.
Para os empresários da região noroeste paulista, a alta do ICMS sobre diesel, gasolina e gás de cozinha pode elevar os custos de transporte de mercadorias, insumos agrícolas e produtos essenciais. O impacto tende a ser repassado ao consumidor final, pressionando a inflação local e reduzindo a competitividade de pequenos negócios que já operam com margens apertadas.
Resposta de Tarcísio e o Confaz
Na resposta, Tarcísio destacou que o reajuste não foi uma decisão isolada de São Paulo, mas uma deliberação do Confaz, colegiado presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e composto por representantes dos 26 estados e do Distrito Federal. Segundo o governador, a ratificação dos convênios foi aprovada por unanimidade, incluindo os representantes dos governos petistas.
Ele ressaltou que a cobrança do ICMS sobre os combustíveis segue a mesma regra nacional em estados como São Paulo, Piauí, Ceará e Bahia. Essa uniformidade tributária, embora criticada por Boulos, pode ser vista como um fator de previsibilidade para empresas que atuam em múltiplos estados, evitando distorções competitivas regionais. No entanto, para o comércio local de Araçatuba e cidades vizinhas, o aumento do tributo representa um custo adicional imediato, especialmente para transportadoras, distribuidoras e postos de combustível.
Impacto para o comércio do interior paulista
O reajuste foi aprovado na última terça-feira (27), dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais, e entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2027. A mudança abrange diesel, gasolina e gás de cozinha. Para as empresas da região, o prazo de implementação permite algum planejamento, mas a incerteza sobre a continuidade da política tributária pode inibir investimentos de longo prazo.
Entidades como a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e o Sebrae costumam alertar para os efeitos em cadeia de aumentos de combustíveis. No noroeste paulista, onde o agronegócio é forte, o diesel mais caro encarece o frete de grãos, carnes e outros produtos, afetando desde o produtor rural até o varejista. A Fecomercio também já se manifestou em outras ocasiões sobre a necessidade de estabilidade tributária para preservar o emprego formal e o consumo.
Divergência entre autoridades
As declarações de Boulos e Tarcísio revelam uma divergência clara sobre a responsabilidade pelo aumento do ICMS. Enquanto o ministro acusa o governador de ‘hipocrisia e oportunismo político’, Tarcísio aponta o caráter colegiado da decisão e a participação de representantes de governos petistas. A fonte não detalhou se haverá novas rodadas de negociação ou revisão do reajuste.
Para os empresários, a disputa política pode gerar insegurança jurídica e dificultar a previsão de custos. Especialistas em direito tributário recomendam que as empresas acompanhem as publicações oficiais do Confaz e dos estados para se adequarem aos novos valores. Além disso, é prudente revisar contratos de frete e renegociar prazos com fornecedores, considerando o impacto do aumento do ICMS a partir de fevereiro de 2027.
O que muda na rotina das empresas
Com a entrada em vigor do novo ICMS, as empresas precisarão atualizar seus sistemas de precificação e emissão de notas fiscais. O aumento do tributo sobre o diesel, por exemplo, afeta diretamente o custo do transporte rodoviário, principal modal logístico do país. Para o comércio varejista de Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, isso pode significar reajustes nos preços de produtos que dependem de longas distâncias.
Já o gás de cozinha mais caro impacta padarias, restaurantes e pequenas indústrias de alimentos, que utilizam o insumo em seus processos produtivos. A recomendação de consultorias empresariais é que os gestores façam simulações de custos e busquem alternativas, como a otimização de rotas de entrega e a negociação coletiva de fretes. A fonte não detalhou se haverá algum mecanismo de compensação para setores mais afetados.
Perspectivas para o setor produtivo
Apesar do embate político, o reajuste do ICMS é uma realidade que exigirá adaptação das empresas. A uniformidade da alíquota entre os estados, defendida por Tarcísio, pode reduzir a guerra fiscal no longo prazo, mas o custo imediato é sentido principalmente pelas micro e pequenas empresas, que têm menor capacidade de absorver aumentos de insumos.
Para o noroeste paulista, a expectativa é de que entidades como a ACSP e o Sebrae intensifiquem orientações aos associados sobre gestão de custos e planejamento tributário. A região, que tem forte vocação comercial e agroindustrial, precisa de previsibilidade para manter o emprego e a renda. O desfecho da disputa entre Boulos e Tarcísio pode influenciar o ambiente de negócios nos próximos meses, especialmente se houver novas mudanças na política de ICMS.
Perguntas Frequentes
Por que Boulos criticou Tarcísio em relação ao aumento do ICMS?
Boulos acusou Tarcísio de hipocrisia e oportunismo político, afirmando que o governador está aumentando o imposto e cobrando uma mudança de postura.
Qual foi a resposta de Tarcísio às críticas de Boulos sobre o reajuste do ICMS?
Tarcísio afirmou que o reajuste não foi uma decisão isolada de São Paulo, mas uma deliberação do Confaz aprovada por unanimidade pelos estados, incluindo governos petistas.
Quando o aumento do ICMS sobre combustíveis foi aprovado e quando entrará em vigor?
O reajuste foi aprovado em 27 de outubro de 2026, dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais, e entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2027.




























