The Economist endossa receio do mercado com Lula

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The Economist Lula: revista endossa receio do mercado

A revista britânica The Economist endossou a reação do mercado após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República. Segundo a publicação, há razões para a “consternação” e queda do mercado financeiro com a vitória de Lula. A análise foi publicada após o resultado das eleições e repercute entre investidores e empresários.

Mercado reage com forte aversão ao risco

Segundo a publicação, enquanto os eleitores petistas estão “exultantes”, outros estão assustados, como os investidores que estão fugindo do Brasil. A revista cita o recuo de 8% no valor do real frente ao dólar no dia seguinte ao resultado da eleição — a pior queda em um único dia em mais de 25 anos. Também elenca a baixa de 14% no índice da B3, o Ibovespa, após o acionamento de um circuit breaker [mecanismo que interrompe os pregões em quedas bruscas] durante a queda.

Esse cenário reflete a desconfiança imediata dos agentes econômicos quanto à condução da política econômica.

Para empresários e comerciantes do interior paulista, a volatilidade cambial e a queda da bolsa afetam diretamente o custo de insumos importados, o planejamento financeiro e a confiança para investir. A reação do mercado, portanto, não é um fenômeno distante, mas um sinal de alerta para a economia real.

Cobrança por mudança de rumo fiscal

“Se Lula deseja elevar a condição dos brasileiros pobres, evitar uma crise e proteger seu legado, seus últimos quatro anos de mandato terão de ser bem diferentes dos quatro anteriores. Isso começa com ele convencendo os investidores de que pretende mudar de rumo”, afirma a revista. A publicação ressalta que a credibilidade fiscal será essencial para atrair capital e estabilizar os preços.

O discurso de campanha lulista, contudo, não contemplou a disciplina fiscal e, pelo contrário, prometeu novos subsídios e benefícios. O cálculo apresentado pela publicação é de que as novas políticas sociais que Lula apresentou podem custar cerca de 2% do PIB até 2027. Esse montante, se não for acompanhado de receitas equivalentes ou corte de despesas, pressionará a dívida pública e a taxa de juros, encarecendo o crédito para pequenas e médias empresas.

Ministério da Fazenda e reforma fiscal no centro

Na avaliação da Economist, o presidente reeleito necessita do mesmo vigor demonstrado na campanha para indicar um nome no qual o mercado confie para o Ministério da Fazenda. Em seguida, apresentar um plano factível para uma reforma fiscal. Nenhuma das decisões será fácil, pontua. A escolha do ministro será o primeiro teste concreto do compromisso com a responsabilidade fiscal.

Para o comércio e a indústria da região noroeste paulista, a definição rápida de uma equipe econômica confiável pode reduzir a incerteza e destravar decisões de investimento. Já a demora ou a indicação de nomes vistos como heterodoxos tende a prolongar a aversão ao risco e a pressão sobre o câmbio.

Risco de crise fiscal e recessão profunda

“No entanto, se o presidente reeleito do Brasil acreditar que sua vitória eleitoral é um pretexto para intensificar as políticas que derrubaram Flávio, ele provocará uma crise fiscal e uma recessão profunda. Sua vitória, que parecia gloriosa, acabará virando cinzas”, conclui a publicação. O alerta é duro e aponta para a necessidade de evitar erros do passado.

Empresários locais acompanham com atenção os desdobramentos, pois uma recessão profunda reduziria o consumo, aumentaria a inadimplência e comprometeria a geração de empregos formais. A estabilidade macroeconômica é condição básica para a sobrevivência de pequenos negócios e para a atração de novos empreendimentos.

Contraponto: Gleisi critica “ofensiva terrorista”

Na contramão do que afirma a Economist sobre o Brasil, a deputada federal Gleisi Hoffmann se manifestou contra o que chama de “ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”. Em publicação deste domingo (1º) em seu perfil no X, Hoffmann reproduziu trecho de um texto do economista André Lara Resende, um dos criadores do plano real, no qual ele acusa o Banco Central de sustentar a alta da taxa de juros.

No texto, o economista também acusa a imprensa de “repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros”, e os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica. Essa divergência de diagnósticos evidencia o acirrado debate sobre os rumos da política econômica e seus impactos sobre o setor produtivo.

Para o empresariado do interior, o fundamental é que as decisões sejam tomadas com base em dados e diálogo, evitando radicalismos que possam aprofundar a instabilidade. A confiança é um ativo sensível e, uma vez abalada, exige tempo e medidas concretas para ser reconstruída.

Perguntas Frequentes

O que a The Economist disse sobre a reação do mercado à vitória de Lula?

A revista endossou a preocupação do mercado, citando a queda de 8% do real frente ao dólar no dia seguinte à eleição, a pior em mais de 25 anos, e a baixa de 14% no Ibovespa com acionamento de circuit breaker.

Quais medidas a The Economist sugere que Lula adote para acalmar os investidores?

A publicação afirma que Lula precisa indicar um nome de confiança do mercado para o Ministério da Fazenda e apresentar um plano factível para uma reforma fiscal.

Qual é o custo estimado das novas políticas sociais de Lula segundo a The Economist?

A revista calcula que as novas políticas sociais apresentadas por Lula podem custar cerca de 2% do PIB até 2027.

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