Itaú BBA: turnaround da Casas Bahia impressiona, mas juros pesam

Crédito: Brazil Journal
Itaú Retoma Cobertura com Visão Cautelosa
O Itaú BBA retomou a cobertura do Grupo Casas Bahia com recomendação neutra, reconhecendo o sucesso do turnaround executado pelo CEO Renato Franklin. A avaliação foi divulgada em relatório recente, no qual o banco também estabeleceu um preço-alvo de R$ 1 para a ação – um potencial de valorização de aproximadamente 25% em relação à cotação atual. No pregão, os papéis recuavam cerca de 1,2%, sendo negociados a R$ 0,78.
Reviravolta Operacional: Margem EBITDA Dispara
O analista Rodrigo Gastim, responsável pelo relatório, classificou como “impressionante” o turnaround recente da companhia. Um dos indicadores mais emblemáticos é a margem EBITDA, que saltou de 0,6% em 2023 para 5,3% no primeiro trimestre deste ano. Segundo Gastim, essa melhora foi impulsionada por um foco estratégico na racionalização dos SKUs (unidades de manutenção de estoque), na otimização das operações das lojas e no fortalecimento do negócio de crédito proprietário.
Parcerias Estratégicas com Grandes Marketplaces
A Casas Bahia também apostou na ampliação de suas vendas por meio de parcerias com marketplaces de peso. Mercado Livre, Amazon e, mais recentemente, Shopee passaram a integrar a estratégia de canais digitais da rede. O Itaú elogiou essa iniciativa. No quarto trimestre de 2025, as vendas originadas nesses parceiros representaram 5% do GMV (volume bruto de mercadorias) total e responderam por quase metade de todo o crescimento do e-commerce do grupo no período.
A Shopee é a última parceria fechada e os números já chamam a atenção. Na plataforma, a Casas Bahia vende o dobro do volume comercializado na Amazon e quase metade do registrado no Mercado Livre, apesar de um tíquete médio menor. Vale lembrar que a empresa começou a vender no Mercado Livre cinco meses antes de ingressar na Shopee.
Saúde Financeira: Redução da Dívida e Recuperação Extrajudicial
No campo financeiro, a recuperação extrajudicial trouxe alívio significativo. O Grupo Casas Bahia conseguiu reduzir sua dívida bruta em cerca de R$ 3 bilhões, encerrando o período com um endividamento de R$ 2,4 bilhões. Além disso, o perfil de captação da operação de crédito melhorou: o custo de funding caiu de 150% do CDI para 120% nas novas emissões.
No entanto, o benefício dessa melhora deve demorar a se materializar, dado que o duration médio da carteira de crédito é de 14 meses. Ou seja, as novas condições mais favoráveis levarão tempo para impactar positivamente o resultado da companhia.
Desafios: Queima de Caixa e Contingências Trabalhistas
Apesar dos progressos, o Itaú mantém projeções cautelosas. O banco estima que a Casas Bahia ainda terá queima de caixa em 2027, com o fluxo de caixa livre pressionado por dois fatores principais: contingências trabalhistas da ordem de R$ 500 milhões neste ano e R$ 300 milhões no próximo, além dos custos financeiros associados à dívida remanescente.
Alta Dependência dos Juros
Outro ponto central da análise é a sensibilidade da tese de investimento ao cenário macroeconômico. Para o Itaú BBA, a história da Casas Bahia é altamente dependente de uma queda da taxa de juros. Nas contas do banco, cada 100 pontos-base de redução na Selic (ou nos juros de mercado) representaria um ganho de R$ 200 milhões no fluxo de caixa livre da empresa. Esse cálculo ressalta como a trajetória da política monetária pode definir o sucesso financeiro do grupo nos próximos anos.
Outlook e Implicações para o Varejo
O relatório do Itaú BBA traça um panorama de conquistas e desafios. A gestão de Renato Franklin demonstrou eficácia na reestruturação operacional e na abertura de novas frentes de receita. Contudo, o peso do endividamento, as pendências judiciais e a sensibilidade à taxa de juros mantêm a recomendação em terreno neutro. Para investidores, o papel oferece um potencial de alta razoável, mas exige convicção na continuidade do ciclo de cortes de juros.
Perguntas Frequentes
Qual é a recomendação do Itaú BBA para as ações da Casas Bahia e qual o preço-alvo?
O Itaú BBA retomou a cobertura com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 1, o que representa um potencial de valorização de cerca de 25% em relação ao preço atual de R$ 0,78.
Quais foram os principais fatores do turnaround da Casas Bahia destacados pelo Itaú?
O turnaround foi impulsionado pela racionalização de SKUs, otimização das lojas e do negócio de crédito proprietário, elevando a margem EBITDA de 0,6% em 2023 para 5,3% no primeiro trimestre de 2024. Além disso, a empresa reduziu a dívida bruta em cerca de R$ 3 bilhões, para R$ 2,4 bilhões, e fechou parcerias com Mercado Livre, Amazon e Shopee.
Quais são os riscos macroeconômicos para a Casas Bahia segundo o Itaú?
O banco aponta que a tese é altamente dependente de queda dos juros; cada redução de 100 pontos-base representa um ganho de R$ 200 milhões no fluxo de caixa livre. Além disso, projeta queima de caixa em 2027 devido a contingências trabalhistas de R$ 500 milhões em 2024 e R$ 300 milhões em 2025, e aos custos financeiros da dívida.




























