Economia Brasil próximo presidente: país vive acima dos meios

Crédito: InfoMoney
O próximo presidente do Brasil receberá, em janeiro, uma economia com desemprego historicamente baixo e atividade em crescimento, mas terá pela frente uma combinação de juros elevados, dívida crescente e pouco espaço no Orçamento para colocar novos projetos de pé. O diagnóstico é de Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, ele definiu o quadro como o de um país “vivendo acima dos seus meios”.
Desemprego baixo, mas capacidade limitada de expansão
Cordenonssi começa o diagnóstico pelo mercado de trabalho. Segundo ele, o nível de desemprego é uma das principais notícias positivas da economia e chegou a um patamar que poucos economistas esperavam. No entanto, o problema, na avaliação do professor, é que o baixo desemprego convive com uma capacidade limitada de expansão da economia. Com pouco espaço para crescer sem gerar pressões sobre os preços, juros elevados e contas públicas pressionadas, o cenário impõe restrições ao próximo governo.
“É como se fosse uma família, apesar de muita gente não gostar de comparar o país com uma família, mas é um país que está se endividando para comer em restaurante, para ir para o cinema. Uma hora essa conta vai chegar”, afirmou. A analogia ilustra o descompasso entre receitas e despesas públicas, que reduz a margem de manobra do futuro mandatário.
Orçamento engessado e liberdade mínima
Cordenonssi estima que a fatia sobre a qual o presidente terá liberdade efetiva para decidir onde gastar ficará próxima de 5%. “É uma questão ínfima. E isso sem contar que é daí que também se tira investimento”, afirmou. Esse percentual reflete o alto grau de vinculações obrigatórias do Orçamento, como gastos com pessoal, Previdência e transferências constitucionais, deixando pouco espaço para políticas discricionárias.
Para o economista, a falta de recursos públicos disponíveis tende a ampliar a importância das parcerias com o setor privado para financiar projetos de infraestrutura. Essa seria uma alternativa para viabilizar investimentos sem pressionar ainda mais as contas públicas, especialmente em áreas como logística e saneamento, que dependem de capital intensivo.
Ajuste fiscal: déficit primário é possível e necessário
“Não digo fazer um ajuste exatamente no ano que vem, déficit zero no ano que vem. Déficit primário é até possível e necessário”, afirmou. O professor defende que o governo sinalize uma trajetória crescente de resultados fiscais, ainda que isso exija discutir medidas politicamente difíceis. “A gente vai ter que fazer um freio de arrumação”, disse.
“Esse é o nosso grande desafio e vai começar no dia seguinte ao resultado da eleição, se vai ser agora domingo ou no segundo turno, nós vamos ver”, disse. A declaração aponta para a urgência de um plano fiscal crível, capaz de ancorar expectativas e reduzir a pressão sobre os juros, beneficiando o ambiente de negócios e o crédito para empresas e consumidores.
Impacto para o comércio e empresas do interior paulista
Para empresários, comerciantes e profissionais de Araçatuba e região noroeste paulista, o cenário descrito pelo professor do Mackenzie traz alertas e oportunidades. Juros elevados encarecem o crédito para capital de giro e investimentos, afetando diretamente pequenas e médias empresas. A dívida pública crescente pode pressionar a inflação e corroer o poder de compra das famílias, reduzindo o consumo no varejo local.
Por outro lado, a limitação do investimento público abre espaço para parcerias privadas em infraestrutura, o que pode gerar demandas para fornecedores regionais de materiais, serviços e logística. A necessidade de ajuste fiscal, se bem conduzida, tende a estabilizar a economia no médio prazo, criando um ambiente mais previsível para o planejamento empresarial. A fonte não detalhou medidas específicas para o setor produtivo, mas o diagnóstico geral sugere cautela e busca por eficiência operacional.
O que esperar do próximo governo
O próximo presidente terá de equilibrar a manutenção do baixo desemprego com a necessidade de conter o endividamento e abrir espaço para investimentos. A tarefa exigirá negociações políticas delicadas, pois medidas de ajuste costumam enfrentar resistência no Congresso e na sociedade. A sinalização de uma trajetória fiscal sustentável é vista como essencial para reduzir os juros e destravar o crescimento econômico.
Para o comércio e a indústria do interior paulista, o cenário reforça a importância de acompanhar as decisões de política econômica e buscar alternativas de financiamento e parcerias. A capacidade de adaptação a um ambiente de juros ainda altos e recursos públicos escassos será determinante para a competitividade das empresas locais nos próximos anos.
Perguntas Frequentes
Qual é o diagnóstico do economista Josilmar Cordenonssi sobre a situação econômica que o próximo presidente receberá?
O economista Josilmar Cordenonssi, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que o próximo presidente receberá um país “vivendo acima dos seus meios”, com desemprego baixo, mas juros elevados, dívida crescente e pouco espaço no Orçamento.
Quais são os principais desafios econômicos apontados para o próximo governo?
Os principais desafios incluem juros elevados, dívida crescente, Orçamento engessado e capacidade limitada de expansão da economia sem gerar pressões inflacionárias, conforme apontado pelo professor Cordenonssi.
Qual é a estimativa de liberdade orçamentária do próximo presidente, segundo o economista?
Cordenonssi estima que a fatia sobre a qual o presidente terá liberdade efetiva para decidir onde gastar ficará próxima de 5%, o que ele classifica como “uma questão ínfima”.



























