Crise do enxofre põe em risco setor de fertilizantes e preocupa o Brasil

Crédito: G1
A crise global do enxofre, agravada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, já provoca impactos significativos na agricultura e no saneamento do Brasil. O insumo, fundamental para a produção de fertilizantes, teve seu preço quase triplicado e há escassez no mercado internacional. A escalada nos preços ameaça a segurança alimentar e a saúde pública, acendendo um alerta em todo o território brasileiro.
Estreito de Ormuz: gargalo logístico global
O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, é responsável pelo trânsito de petróleo, gás natural e aproximadamente metade do enxofre transportado por via marítima no planeta. O fechamento dessa passagem estratégica, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, desencadeou uma crise de abastecimento global.
Escalada nos preços
Com o prolongamento das hostilidades, o enxofre tornou-se um insumo cada vez mais valioso e difícil de encontrar. Desde o início do confronto, seu preço quase triplicou. Apesar de uma redução recente, o valor atual ainda equivale ao dobro do registrado antes da guerra. A instabilidade na região continua a pressionar as cotações e a disponibilidade do produto. O enxofre é matéria-prima para o ácido sulfúrico, insumo de ampla aplicação industrial.
Brasil depende de importação de enxofre
O Brasil é altamente dependente da importação de enxofre. A maior parte do insumo consumido internamente vem do exterior, o que torna o país vulnerável às oscilações do mercado internacional.
Diante da crise, grandes produtores, como China e Rússia, suspenderam ou restringiram suas exportações para preservar os estoques domésticos. Como consequência, o enxofre está em falta no Brasil, afetando múltiplos setores da economia. A escassez atinge em cheio a indústria de fertilizantes, peça-chave para o agronegócio.
Fertilizantes sob pressão
Um dos setores mais impactados é o de fertilizantes. O insumo utilizado pela indústria nacional de adubos provém do refino de petróleo e gás. Esse enxofre é transformado em ácido sulfúrico, composto empregado na extração de elementos ricos em fósforo das rochas. O fertilizante produzido com esse nutriente é fundamental para as lavouras.
Contudo, diante da escassez da matéria-prima, algumas fábricas já paralisaram ou reduziram suas atividades, comprometendo a oferta do produto no mercado interno. Os principais efeitos incluem:
- Preço do enxofre quase triplicado desde o início da guerra;
- Paralisação ou redução de atividades em fábricas de fertilizantes;
- Comprometimento da produção de adubos ricos em fósforo.
Saneamento também sofre com a crise
A redução na produção de fertilizantes tem provocado efeitos colaterais em outros segmentos. Empresas de saneamento afirmam enfrentar dificuldades para obter flúor, um subproduto da fabricação de adubos.
A legislação brasileira determina que o flúor seja adicionado à água consumida pela população para auxiliar na prevenção de cáries. A fluoretação é reconhecida como uma das medidas mais eficazes de saúde coletiva, reduzindo a incidência de cáries especialmente em populações de baixa renda. A escassez do insumo, portanto, coloca em risco uma política pública que beneficia milhões de brasileiros.
Alerta para o noroeste paulista
A região noroeste do estado de São Paulo, que inclui municípios como Araçatuba, Birigui e Penápolis, tem forte vocação agrícola e pode ser diretamente afetada por esse cenário. A alta nos preços ou a indisponibilidade de fertilizantes tende a pressionar os custos de produção dos agricultores locais, com possíveis reflexos sobre a cadeia de suprimentos, o comércio e a geração de empregos na região.
Em municípios como Araçatuba, a economia local é fortemente influenciada pelo desempenho do campo; oscilações nos custos de produção repercutem em toda a cadeia, dos produtores aos comerciantes e prestadores de serviço. Empresários do setor, atentos ao mercado internacional, buscam alternativas para mitigar os impactos, mas a dependência do insumo importado segue como um desafio. Até o momento, não há sinais de normalização do fornecimento, e o Brasil permanece vulnerável enquanto a crise global perdurar.
Perguntas Frequentes
Por que o fornecimento global de enxofre está em crise?
O fechamento do Estreito de Ormuz, devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã, interrompeu o transporte de cerca de metade do enxofre marítimo mundial, gerando uma crise de abastecimento.
Como a escassez de enxofre está afetando a produção de fertilizantes no Brasil?
O enxofre é transformado em ácido sulfúrico, usado para extrair fósforo de rochas na produção de fertilizantes. Com a falta do insumo e a restrição de exportações por países como China e Rússia, fábricas brasileiras reduziram ou paralisaram atividades, e o preço do enxofre quase triplicou desde o início da guerra.
Quais outros setores no Brasil estão sendo impactados pela crise do enxofre?
Empresas de saneamento enfrentam dificuldades para obter flúor, subproduto da fabricação de fertilizantes, que por lei deve ser adicionado à água para prevenir cáries.




























