Dólar sobe com IPCA-15: moeda a R$ 5,20 e Bolsa cai

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O dólar comercial opera com viés de alta nesta sexta-feira, rondando R$ 5,20, enquanto a Bolsa brasileira recua pelo terceiro pregão consecutivo. A moeda americana era cotada a R$ 5,200 para venda às 14h, com variação de +0,13% ante o fechamento de ontem, quando subiu 0,5% e atingiu a maior cotação do mês. O movimento reflete a reação do mercado ao IPCA-15 de setembro, que veio acima do esperado e reacendeu temores inflacionários.

No cenário internacional, os juros dos títulos do Tesouro americano de dez anos superaram 5,1%, maior nível desde 2007, pressionando ativos de risco. A alta das taxas nos Estados Unidos fortalece o dólar globalmente e reduz o apetite por mercados emergentes como o Brasil. A fonte não detalhou projeções para os próximos dias, mas o ambiente externo segue desafiador.

IPCA-15 acelera e supera teto das projeções

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,7% em setembro, após deflação de 0,4% em agosto. No acumulado em 12 meses, o índice avançou para 4,47%, acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 4,75% para 2023. O resultado veio acima do teto das projeções do mercado, com os nove grupos pesquisados registrando alta.

André Matos, CEO da MA7 Capital, destacou que a pressão inflacionária não foi pontual. “Se fosse apenas efeito da conta de luz, você veria energia subindo e o resto parado, e não foi isso que ocorreu. Pressão espalhada em nove de nove grupos não é evento pontual, é inflação ainda disseminada”, afirmou. A declaração reforça a percepção de que a inflação está mais resistente do que o esperado.

Esse cenário aumenta a chance de o ciclo de redução da Selic ser mais lento do que se imaginava, porque o Banco Central ainda enfrenta um problema de expectativas, segundo Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco. Na última decisão, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, mas não sinalizou claramente novas reduções, condicionando os próximos passos aos dados de preços e atividade.

Dólar acumula alta na semana com exterior pressionado

A moeda americana subiu de R$ 5,14 no início da semana, impulsionada pelo avanço das apostas em aumento dos juros nos Estados Unidos. Indicadores recentes mostraram economia aquecida e preços em alta no país, o que elevou as taxas de rendimento dos títulos do Tesouro americano a patamares próximos de máximas históricas. Esse movimento reduz a atratividade de ativos de risco, como ações e moedas de países emergentes.

No mercado de commodities, o preço do petróleo acomodou, mas segue acima de US$ 100. Os contratos de Brent para novembro recuavam 2,6%, a US$ 103,87, ainda ao redor do maior patamar desde junho. A queda da commodity deu algum alívio às bolsas europeias e de Nova York, que operam em alta nesta sexta-feira, mas não foi suficiente para reverter o pessimismo local.

Ibovespa recua e capital externo perde apetite

O Ibovespa, principal índice da B3, recuava 0,30% às 14h, marcando 183.417 pontos. O desempenho reflete o menor apetite do capital externo pelas ações brasileiras. Após entradas líquidas de R$ 4 bilhões nas sessões de 18 a 22 de setembro, o saldo das aplicações dos estrangeiros ficou negativo em R$ 700 milhões em 23 de setembro e ontem, conforme dados da B3.

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, a alta do dólar pode encarecer insumos importados e pressionar custos, enquanto a queda da Bolsa sinaliza um ambiente de maior aversão a risco. A combinação de inflação persistente e juros ainda elevados tende a manter o crédito caro e o consumo moderado, afetando diretamente o varejo e a indústria local.

O mercado segue atento aos próximos indicadores de inflação e às decisões do Banco Central, que podem calibrar o ritmo de flexibilização monetária. A fonte não detalhou expectativas para a próxima reunião do Copom, mas o cenário atual sugere cautela.

Perguntas Frequentes

Por que o dólar subiu para R$ 5,20?

O dólar subiu para R$ 5,20 devido ao avanço das apostas em aumento dos juros nos Estados Unidos, após indicadores mostrarem economia aquecida e preços em alta, o que elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

Qual foi o impacto do IPCA-15 no mercado financeiro?

O IPCA-15 de setembro subiu 0,7%, acima do esperado, e no acumulado em 12 meses atingiu 4,47%, superando o teto da meta. Isso aumentou a chance de o ciclo de redução da Selic ser mais lento, pressionando o dólar e derrubando a Bolsa.

Como o Ibovespa reagiu à divulgação do IPCA-15?

O Ibovespa recuou 0,30% às 14h, marcando 183.417 pontos, caminhando para o terceiro pregão seguido de baixa, refletindo menor apetite do capital externo pelas ações brasileiras após a inflação mais forte.

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