Investimentos em energia solar no Brasil são paralisados

Crédito: NeoFeed
O setor de energia solar no Brasil enfrenta uma paralisação de investimentos. Empresas suspendem aportes devido a cortes de geração por sobreoferta e à demora na regulamentação de uma lei que poderia reduzir gargalos. A Atlas Renewable Energy, controlada pela BlackRock, deixou de investir US$ 1 bilhão nos últimos dois anos.
Cortes de geração inviabilizam projetos
Os cortes de geração (curtailment) ocorrem quando há excesso de energia na rede, forçando usinas a reduzir a produção. Isso torna projetos solares inviáveis financeiramente. A Atlas opera seis usinas solares de grande porte no Brasil — cinco em Minas Gerais e uma na Bahia — com 3 GW de capacidade. Para compensar a energia desperdiçada, a empresa compra energia adicional e mais cara no mercado livre para honrar contratos, conforme explicou Fábio Bortoluzo, presidente da Atlas Renewable Energy no Brasil.
Lei aguarda regulamentação há oito meses
Uma lei que reduziria os gargalos do setor espera regulamentação há oito meses. Enquanto isso, as empresas enfrentam incertezas. Em maio, a Fitch Ratings alertou que os cortes de geração devem pressionar o fluxo de caixa e a liquidez de projetos brasileiros de energia renovável até 2030. O impacto no segmento fotovoltaico é maior que no eólico.
Queda na nova capacidade instalada
Em 2025, a nova capacidade instalada de energia solar no Brasil foi de 14,5 GWp, uma queda de 23% em relação aos 18,9 GWp adicionados em 2024. Dois fatores impulsionam a readequação de portfólio das empresas: falta de medidas e demora para atacar o curtailment. Além disso, a Micro e Mini Geração Distribuída (MMGD) tem expansão acelerada e desordenada, alimentada por subsídios.
Problemas na geração distribuída
A instalação de painéis e fazendas solares está subordinada ao controle das distribuidoras estaduais de energia. A GD injeta na rede volumes crescentes de energia sem coordenação com o ONS. Em 2025, o prejuízo acumulado por 1.500 usinas centralizadas chegou a R$ 6,5 bilhões. No final de 2025, o ONS revogou 509 outorgas de novos projetos a pedido das empresas.
Falta de plano regulatório
Não há um plano coerente dos órgãos reguladores para reduzir os cortes nem regra clara para indenizar as empresas. Medidas anunciadas acabam neutralizadas pela demora na implementação. O governo não pode reclamar da paralisação dos investimentos, pois a falta de ação regulatória é um dos principais entraves.
Perguntas Frequentes
Por que a Atlas Renewable Energy deixou de investir US$ 1 bilhão no Brasil?
A empresa deixou de investir devido aos cortes de geração por sobreoferta de energia (curtailment), que inviabilizam novos projetos. Para honrar contratos, ela precisa comprar energia mais cara no mercado livre, compensando a energia desperdiçada.
Qual foi o impacto dos cortes de geração na energia solar em 2025?
A nova capacidade instalada caiu 23% em relação a 2024, passando de 18,9 GWp para 14,5 GWp. O prejuízo acumulado por 1.500 usinas centralizadas chegou a R$ 6,5 bilhões, e a Fitch Ratings alertou que os cortes devem pressionar o fluxo de caixa de projetos renováveis até 2030.
Quais são as principais causas da crise de investimentos?
As causas incluem a falta de medidas contra o curtailment, a expansão acelerada e desordenada da MMGD alimentada por subsídios, e a ausência de um plano regulatório coerente para reduzir cortes ou indenizar empresas. Uma lei que reduziria gargalos espera regulamentação há oito meses.




























