Frustração com ajuste fiscal de 2024 preocupa equipe econômica

Crédito: Valor Econômico
A frustração do mercado com o ajuste fiscal de 2024 soa alerta na equipe econômica. Em meio a debates internos no governo federal sobre medidas que podem ser adotadas para equilibrar as contas públicas depois das eleições, interlocutores do mercado financeiro têm alertado a equipe econômica sobre o risco de repetição da experiência. O temor é que a falta de um ajuste estrutural comprometa a trajetória da dívida e mantenha a inflação pressionada, adiando o ciclo de queda dos juros.
Mercado teme repetição de cenário adverso
Agora, uma nova reação adversa preocupa os agentes pelo potencial de pressionar a inflação e atrasar o processo de queda dos juros no país. Atualmente, a Selic está em 13,75%. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá novamente na próxima semana. A expectativa de manutenção da taxa em patamar elevado por mais tempo reduz o apetite por investimentos produtivos, afetando diretamente o comércio e a indústria do interior paulista.
Para empresários de Araçatuba e região noroeste paulista, juros altos encarecem o crédito para capital de giro e expansão de negócios. A continuidade desse cenário pode retardar contratações e investimentos em modernização, impactando o emprego formal e a renda local.
Resistência política a medidas de ajuste
Ala política e dirigentes do PT, porém, resistem a medidas de ajuste fiscal. Um dos argumentos contrários ao aperto nas contas públicas foi expresso em declaração: “Para gerar emprego, a economia tem que crescer. E para a economia crescer, o governo tem que investir. E para governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit”, disse. A fala reflete a divisão interna no governo sobre o caminho a seguir.
Essa resistência dificulta a aprovação de cortes em despesas obrigatórias, como previdência e pessoal, que são apontadas pelo mercado como essenciais para reequilibrar as contas. Sem consenso político, o ajuste tende a se limitar a medidas pontuais de arrecadação, com efeito limitado sobre o gasto total.
Dívida bruta em trajetória de alta
Nesse cenário, a trajetória da dívida também preocupa. A dívida bruta do governo geral (DBGG) chegou a 82,9% do PIB nos últimos meses, mais de 10 pontos percentuais desde o início da atual gestão, e as projeções seguem apontando alta nos próximos anos. O aumento do endividamento reduz a confiança dos investidores e eleva o custo de financiamento do setor público, com reflexos em toda a economia.
Para o comércio e a indústria da região, a piora fiscal pode se traduzir em menor disponibilidade de crédito e aumento das taxas de juros de mercado, pressionando o custo de estoques e investimentos. A incerteza sobre a sustentabilidade da dívida também afeta o planejamento de longo prazo das empresas.
Ajustes pontuais não alteram gasto total
Para agentes do mercado, sem mudanças nessas grandes despesas, os ajustes pontuais em discussão poderão melhorar a composição do Orçamento, mas não alteram o nível total de gastos. Como o governo também não bateu o martelo sobre uma mudança no arcabouço fiscal, a despesa deve permanecer em torno de 19% do PIB nos próximos anos. Esse patamar é considerado elevado e incompatível com a estabilização da dívida.
A manutenção do gasto nesse nível exige carga tributária crescente, o que pode sufocar a atividade econômica e reduzir a competitividade das empresas brasileiras, especialmente as de menor porte. Para os pequenos negócios do noroeste paulista, o aumento de impostos indiretos impacta diretamente o preço final ao consumidor e a margem de lucro.
Cenário de deterioração fiscal prolongada
Um dos cenários traçados pelo mercado nesse contexto é de deterioração fiscal prolongada, caso o governo mantenha a estratégia de ajuste gradual, com medidas de menor impacto sobre as despesas e foco na arrecadação. A economia perderia força sem necessariamente entrar em uma recessão prolongada, enquanto inflação e juros permaneceriam elevados. Esse quadro de estagnação com inflação corrói o poder de compra das famílias e reduz o consumo, base do comércio varejista regional.
Diante desse panorama, entidades empresariais como ACSP, CDL e Sebrae acompanham com atenção as decisões do Copom e as negociações fiscais em Brasília. A expectativa é de que um ajuste fiscal crível possa abrir espaço para a redução dos juros ainda em 2024, aliviando o custo do crédito e destravando investimentos no setor produtivo.
Perguntas Frequentes
Por que a frustração do mercado com o ajuste fiscal de 2024 preocupa a equipe econômica?
A frustração do mercado com o ajuste fiscal de 2024 soa alerta na equipe econômica porque uma nova reação adversa pode pressionar a inflação e atrasar a queda dos juros, atualmente em 13,75%.
Qual é a posição da ala política e do PT em relação às medidas de ajuste fiscal?
A ala política e dirigentes do PT resistem a medidas de ajuste fiscal, como evidenciado pela declaração de que é preciso ‘parar com essa babaquice de fazer superávit’.
Como a dívida bruta do governo geral evoluiu desde o início da atual gestão?
A dívida bruta do governo geral (DBGG) chegou a 82,9% do PIB nos últimos meses, um aumento de mais de 10 pontos percentuais desde o início da atual gestão, com projeções apontando alta nos próximos anos.




























