Galípolo discute expansão de crédito e endividamento

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Galípolo: expansão de crédito e endividamento

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na abertura da Febraban Tech 2026 que não é coerente comemorar a expansão do crédito e, ao mesmo tempo, reclamar do endividamento. Segundo ele, o país passou por um processo inédito de inclusão bancária, sobretudo entre a população de baixa renda, o que resultou em um avanço significativo do crédito. No entanto, esse crescimento veio acompanhado de uma utilização não tão consciente dos produtos financeiros, fenômeno que ajuda a explicar o atual cenário de endividamento elevado.

Inclusão bancária e crédito em expansão

Galípolo destacou que a inclusão bancária foi um movimento histórico, alcançando camadas da população que antes não tinham acesso a serviços financeiros. Com isso, o crédito se expandiu de forma relevante, mas a forma como esses novos consumidores passaram a usar os produtos nem sempre foi planejada. Essa combinação, segundo o presidente do BC, é a raiz da aparente contradição entre crescimento econômico e inadimplência.

O dirigente lembrou que o cenário atual combina renda mais alta e desemprego mais baixo, mas também endividamento elevado e inadimplência crescente. Ele classificou essa situação como dissonante e afirmou que é preciso compreender o papel da inclusão bancária nesse processo. A fala foi feita durante a abertura do evento, um dos mais relevantes do setor financeiro no país.

Banco Central e regulação do ambiente competitivo

Para enfrentar o problema, Galípolo disse que os esforços do Banco Central estão concentrados em regular o ambiente competitivo das instituições financeiras. O objetivo é fazer com que os atores do setor diferenciem corretamente o que é prêmio e o que é risco dentro das carteiras de crédito. Segundo ele, essa distinção é essencial para evitar que o crescimento do crédito ocorra de forma descontrolada.

A regulação, na visão do presidente do BC, deve criar condições para que o mercado atue com mais transparência e segurança. Ele não detalhou medidas específicas, mas indicou que a atuação regulatória é um dos caminhos para equilibrar a expansão do crédito com a proteção dos consumidores. A medida é acompanhada de perto por instituições financeiras e empresas que dependem do crédito para suas operações.

Cartão de crédito: juros altos comprometem renda

Os números apresentados por Galípolo mostram que o cartão de crédito é um dos principais vilões do endividamento. Em média, 54% da renda dos consumidores já está comprometida com gastos nessa modalidade. Além disso, os juros seguem elevados: a taxa média do rotativo do cartão alcança 15,1% ao mês, enquanto o parcelamento com juros custa 9,3% ao mês. Esses percentuais reforçam o impacto do produto sobre o orçamento das famílias.

  • Comprometimento da renda: 54%
  • Rotativo do cartão: 15,1% ao mês
  • Parcelemento com juros: 9,3% ao mês

O presidente do BC também chamou atenção para o peso do cartão na renda, especialmente entre a população de baixa renda. A combinação de comprometimento elevado e taxas altas tende a pressionar a capacidade de pagamento, contribuindo para a inadimplência. Esse quadro, segundo ele, exige atenção tanto das autoridades quanto das instituições financeiras.

Crédito livre: consignado e pessoal em alta

Além do cartão, o BC destaca outros produtos de crédito livre como causadores da alta taxa de endividamento. O crédito do consignado privado cresceu 145% em um ano, totalizando R$ 102 bilhões. Já o crédito pessoal não consignado avançou 188% desde 2020, alcançando R$ 397,2 bilhões. Entre 2020 e 2024, a expansão anual desse segmento foi de 20%; entre 2025 e 2026, o ritmo caiu para 10,5%, mas o estoque segue alto.

  • Consignado privado: crescimento de 145% em um ano (R$ 102 bi)
  • Crédito pessoal não consignado: alta de 188% desde 2020 (R$ 397,2 bi)
  • Expansão anual (2020-2024): 20%
  • Expansão anual (2025-2026): 10,5%
  • Juros do crédito pessoal sem garantia: 149,5% ao ano
  • Juros do consignado privado: de 40,9% para 57% ao ano

Os juros dessas modalidades também são expressivos. No crédito pessoal sem garantia, a taxa já chega a 149,5% ao ano. Já no consignado privado, a taxa média passou de 40,9% para 57% ao ano entre fevereiro de 2025 e março de 2026. Esses percentuais mostram o custo elevado do crédito livre e explicam, em parte, o crescimento do endividamento.

Visão de Galípolo sobre o cenário econômico

Ao finalizar sua participação no evento, Galípolo resumiu a situação com uma pergunta retórica: “Não dá para comemorar expansão de crédito e reclamar de endividamento”. Em sua avaliação, o país vive um momento em que renda e emprego melhoram, mas o estoque de dívidas das famílias continua alto. Ele citou a inclusão bancária como um fator que alterou o perfil do consumo e do crédito no Brasil.

“Eu quis explicar por que vemos essa coisa dissonante: porque enxergamos renda mais alta, desemprego mais baixo e endividamento elevado, com inadimplência crescente”, finalizou. As declarações trazem um alerta para o setor produtivo, especialmente para o comércio do noroeste paulista, que depende do crédito ao consumidor para sustentar as vendas. A discussão sobre crédito e endividamento, portanto, vai além do sistema financeiro e atinge diretamente a economia regional.

Perguntas Frequentes

O que Galípolo disse sobre a expansão de crédito e o endividamento?

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou que não dá para comemorar expansão de crédito e reclamar de endividamento. Ele explicou que a inclusão bancária, especialmente entre a população de baixa renda, gerou uma expansão significativa do crédito, mas com uso não tão consciente dos produtos financeiros.

Quais são os dados de endividamento no cartão de crédito apresentados por Galípolo?

Segundo Galípolo, em média, 54% da renda dos consumidores está comprometida com gastos no cartão. A taxa média do rotativo do cartão é de 15,1% ao mês, e o parcelamento com juros custa 9,3% ao mês.

Qual foi o crescimento do crédito consignado privado e do crédito pessoal não consignado, e quais as taxas de juros?

O crédito consignado privado cresceu 145% em um ano, para R$ 102 bilhões. O crédito pessoal não consignado avançou 188% desde 2020, para R$ 397,2 bilhões. Os juros do crédito pessoal sem garantia chegam a 149,5% ao ano, e a taxa média do consignado privado passou de 40,9% para 57% ao ano entre fevereiro de 2025 e março de 2026.

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