Novo Desenrola: juros altos pressionam endividamento das famílias

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Novo Desenrola: juros altos pressionam endividamento das famílias

O endividamento das famílias brasileiras continua em alta, impulsionado pelos juros elevados praticados no país. O governo federal lançou o Novo Desenrola como medida para tentar reverter esse cenário, que afeta principalmente as camadas de menor renda. Economistas apontam que a taxa básica de juros, a Selic, e os spreads bancários estão entre os principais fatores que agravam a situação.

Juros altos e spread bancário elevado

De acordo com a professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lourdes Mollo, quanto maior a taxa Selic definida pelo Banco Central (BC), maiores são os juros praticados pelos bancos sobre as famílias. O spread bancário — diferença entre os juros que os bancos pagam e os que cobram dos consumidores — atingiu 34,6 pontos percentuais (p.p.) em março, contra 29,7 p.p. no mesmo mês de 2025. Para efeito de comparação, o Banco Mundial calcula um spread médio mundial em torno de 6 p.p.

O Brasil ocupa a segunda posição no ranking de maiores taxas de juros reais do mundo, descontada a inflação, com 9,3%, atrás apenas da Rússia (9,6%), país em guerra, e à frente do México (5,0%). Os dados são do site especializado Moneyou. Além disso, o ranking da World Open Data, com dados de 2024, coloca o Brasil como o país com as maiores taxas de spread do planeta, seguido por República Tcheca, Sudão do Sul, Serra Leoa, Moçambique, Angola, Ucrânia e Timor Leste.

Impacto no endividamento das famílias

“Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem uma relação direta, sem dúvida nenhuma, com o endividamento das pessoas, o que tem dificultado muito a economia a funcionar”, afirmou Maria de Lourdes. Dados do BC de março mostram que os bancos cobram das pessoas físicas uma taxa de juros média de 61% ao ano, enquanto para as empresas a taxa média foi de 24%.

A professora de economia política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Mello de Malta, pondera que, como a taxa básica do Brasil é a segunda mais alta do mundo, ela faz os bancos elevarem as taxas para a população. A professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Juliane Furno, avalia que o endividamento das famílias brasileiras pode ser explicado pelas “altíssimas” taxas do spread bancário.

Famílias de baixa renda são as mais afetadas

Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), as famílias que ganham até três salários mínimos registram o maior nível de endividamento (83,6%) e o maior índice de contas em atraso (38,2%). A professora da UnB citou ainda, como agravante, a precarização dos empregos no Brasil, motivada, segundo ela, pela reforma trabalhista do governo de Michel Temer.

“Grande parte das pessoas está se endividando para completar o orçamento, para pagar despesas com saúde e do cotidiano. Esse Novo Desenrola pode liberar um pouco o orçamento das pessoas e, eventualmente, até dar um estímulo à economia”, completou Maria Lourdes. A expectativa é que o programa ajude a reduzir a pressão sobre as famílias e reaqueça o consumo, especialmente no interior paulista, onde o comércio local sente os efeitos da crise.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre a taxa Selic e os juros cobrados dos consumidores?

Quanto maior a taxa Selic, maiores são os juros praticados pelos bancos sobre as famílias, segundo a professora Maria Lourdes Mollo (UnB).

Qual é o spread bancário no Brasil e como ele se compara ao mundial?

O spread bancário no Brasil foi de 34,6 p.p. em março de 2025, enquanto a média mundial é de cerca de 6 p.p., segundo o Banco Mundial.

Qual a taxa de juros média cobrada dos consumidores no Brasil?

Dados do Banco Central de março mostram que os bancos cobram das pessoas físicas uma taxa de juros média de 61% ao ano.

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