Data centers no Brasil: país vira válvula de escape dos EUA

0
9
Data centers Brasil: país vira válvula de escape dos EUA

Com comunidades em todos os Estados Unidos rejeitando data centers, cresce a pressão política para limitar sua construção. Mas, a milhares de quilômetros de distância, o maior país da América do Sul já é um dos principais mercados de IA e está facilitando a chegada de grandes projetos. O Brasil tem sido cortejado pelas gigantes do setor para a construção de grandes projetos de data centers, e pode se tornar uma válvula de escape para a demanda reprimida nos EUA.

Por que data centers são importantes?

Os data centers são a espinha dorsal da economia digital, abrigando servidores que processam desde transações bancárias até modelos de inteligência artificial. No entanto, essas estruturas consomem enormes quantidades de energia e água, gerando controvérsias em regiões onde a infraestrutura elétrica já está sobrecarregada. Nos EUA, a resistência local tem levado a restrições e atrasos em projetos, o que abre espaço para outros mercados.

O Brasil, com sua matriz energética majoritariamente renovável e território vasto, desponta como destino natural para esses investimentos. A fonte não detalhou os números exatos de consumo, mas especialistas apontam que a disponibilidade de energia limpa é um diferencial competitivo.

Brasil já é potência em IA

Os brasileiros enviam 215 milhões de mensagens ao ChatGPT por dia, segundo a OpenAI, o que torna o país o terceiro maior mercado do criador do chatbot em número de usuários semanais, atrás dos Estados Unidos e da Índia. Esse volume massivo de interações demonstra a familiaridade da população com ferramentas de IA e a demanda crescente por infraestrutura local.

O Google disse que planeja dobrar sua infraestrutura de nuvem no país até 2030 em resposta à crescente demanda, e chegou a assinar um acordo de patrocínio com a Confederação Brasileira de Futebol em março para integrar o Gemini às seleções nacionais masculinas, femininas e de base. A iniciativa reforça o interesse estratégico da big tech no mercado brasileiro.

Incentivos fiscais impulsionam o setor

Uma lei sancionada pelo presidente Lula reduziu impostos de equipamentos para data centers, tornando o ambiente de negócios mais atrativo para investidores estrangeiros. A medida busca equiparar o Brasil a outros países da região que já oferecem condições tributárias mais favoráveis.

Com uma população de quase 215 milhões de pessoas distribuídas por uma área maior do que a dos 48 Estados contíguos dos Estados Unidos, o Brasil faz sentido como um país a ser cortejado pelas empresas de hiperescala. A combinação de mercado consumidor robusto e incentivos governamentais cria um cenário promissor.

Demanda local versus transferência de operações

A demanda local, e não a transferência de operações de empresas americanas para o exterior, impulsionou grande parte do crescimento dos data centers na América Latina. Mas Carlos Barrera, CEO da Atlas Renewable Energy, acredita que isso pode mudar. “De fato, vemos a região como uma válvula de escape atraente para algumas das restrições de capacidade que vocês estão vendo agora nos Estados Unidos”, disse.

Essa visão é compartilhada por outros analistas. “A reação negativa nos Estados Unidos não está tanto expulsando as empresas de hiperescala do país, mas direcionando-as para onde a energia estiver disponível primeiro”, disse à Fortune James Mercer, diretor da Metro Colo Advisory, empresa de consultoria em data centers. Ou seja, o Brasil pode captar projetos que seriam inviáveis em solo americano devido à escassez de energia ou à oposição comunitária.

Desafios: energia e impostos

Mas a eletricidade barata do Brasil também pode ficar mais cara. Barrera disse que o Brasil precisará de mais linhas de transmissão para conectar grandes data centers à rede elétrica, e que autoridades do governo estão divididas sobre a possibilidade de as contas de luz aumentarem ou não. A expansão da infraestrutura de transmissão é um gargalo crítico para viabilizar novos empreendimentos.

Outro obstáculo ao crescimento da IA no Brasil é o sistema tributário. Os altos impostos federais de importação tornavam mais caro construir grandes data centers no País em comparação com outros países da região. Embora a recente desoneração de equipamentos represente um avanço, a carga tributária sobre outros insumos e serviços ainda preocupa investidores.

Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, o desenvolvimento de data centers pode gerar oportunidades indiretas, como demanda por serviços de construção, manutenção, segurança e alimentação. A instalação de grandes estruturas em cidades médias do interior poderia aquecer a economia local, criando empregos formais e movimentando o comércio regional.

Perguntas Frequentes

Por que o Brasil pode se tornar uma alternativa aos EUA para a construção de data centers?

O Brasil é visto como uma válvula de escape para as restrições de capacidade nos EUA, onde comunidades estão rejeitando data centers, e o país já é o terceiro maior mercado do ChatGPT, com 215 milhões de mensagens diárias.

Quais empresas de tecnologia estão investindo em data centers no Brasil?

O Google planeja dobrar sua infraestrutura de nuvem no país até 2030 e assinou acordo com a CBF para integrar o Gemini às seleções; outras gigantes do setor também têm cortejado o Brasil para grandes projetos.

Quais são os principais desafios para a expansão de data centers no Brasil?

O Brasil precisa de mais linhas de transmissão para conectar data centers à rede elétrica, e os altos impostos federais de importação encarecem a construção em comparação com outros países da região.

Fonte

Leave a reply