Alfredo Setubal prevê pequena recessão no Brasil em 2027

Crédito: Valor Econômico
Alfredo Setubal, CEO e diretor de relações com investidores da Itaúsa, afirmou que o Brasil pode enfrentar uma “pequena recessão” e aumento da inadimplência em 2027. Além disso, a declaração foi feita durante a apresentação de resultados da holding, em meio a expectativas de desaceleração econômica. Assim sendo, Setubal disse que o cenário para o próximo ano é de economia “bastante desacelerada”. Em resumo, a apresentação ocorreu em um contexto de incertezas para a economia.
Cenário de desaceleração em 2027
Segundo o executivo, a economia do país terá desaceleração significativa em 2027, o que pode levar a uma recessão de menor escala. Dessa forma, ele ressaltou que “podemos ter uma pequena recessão”.
Orientações da Itaúsa para as empresas investidas
A Itaúsa está orientando as empresas em que tem participação a:
- Prever um orçamento mais moderado e cauteloso;
- Elaborar cenários de estresse.
Portanto, a orientação busca preparar os negócios para um ambiente de menor atividade econômica.
Falta de reação do consumo
Setubal comentou que, mesmo com os incentivos de R$ 200 bilhões do governo federal, o consumo não está crescendo. Consequentemente, essa falta de reação do consumo é um dos fatores que sustentam a projeção de desaceleração. Ademais, o executivo também citou as eleições como fator de insegurança adicional neste ano. Portanto, a postura defensiva é vista como necessária para enfrentar o momento de incerteza.
Inflação e juros
Em meio ao cenário de enfraquecimento da economia, Setubal destacou que a inflação vem caindo. Todavia, ele afirmou que deve haver alguma redução de juros, apesar da pressão dos preços da energia. Dessa forma, essa eventual queda na taxa básica poderia aliviar as condições financeiras das empresas e das famílias. Além disso, ele mencionou que a pressão dos preços de energia é um ponto de atenção. Em resumo, a combinação de inflação mais baixa e juros menores pode ajudar a sustentar a atividade, embora a expectativa continue sendo de crescimento fraco.
Crédito e inadimplência
Setubal acrescentou que já há sinais de atrasos nos pagamentos no Itaú Unibanco e entre clientes das empresas industriais da holding. Em seguida, ele frisou que ciclos de deterioração de crédito sempre aconteceram, mas que o Itaú tem conseguido melhor desempenho do que os principais concorrentes. Assim sendo, isso indica que, apesar do aumento esperado da inadimplência, o banco pode manter vantagem competitiva. Contudo, o executivo não detalhou a magnitude desses atrasos, mas considerou o fenômeno esperado em um cenário de recessão.
Dívida e investimentos da Itaúsa
O crescimento da dívida líquida da Itaúsa foi destaque na apresentação. Ademais, Priscila Grecco, CFO da holding, informou que a dívida líquida cresceu 99%, para R$ 1,184 bilhão em junho. Dessa forma, o aumento foi puxado por capitalizações em empresas investidas e pela antecipação de dividendos no ano passado. No entanto, apesar da elevação, a Itaúsa continua realizando investimentos relevantes.
Aportes em empresas investidas
- Aegea: R$ 1,2 bilhão no aumento de capital de R$ 2,1 bilhões aprovado pela Aegea. Com isso, a participação da holding passará de 12,8% para 14%.
- Alpargatas: investimento de R$ 97 milhões, elevando a participação de 29,4% para 30,6%.
Esses movimentos reforçam a estratégia de longo prazo da companhia, mesmo com o cenário econômico desafiador. Ademais, os aportes mostram a exposição da holding a setores como saneamento e calçados.
Fusões, aquisições e agronegócio
Setubal disse que a área de fusões e aquisições da Itaúsa está ativa, mas com pouco apetite para o setor do agronegócio. Em seguida, ele lembrou que o agronegócio é carro-chefe do PIB e representa 25%, porém várias empresas do setor apresentam resultados fracos. Dessa forma, o agronegócio, apesar de sua importância, enfrenta dificuldades. Consequentemente, isso explica a seletividade em novas operações. A holding, portanto, mantém cautela ao avaliar oportunidades no segmento.
As declarações de Setubal sobre a economia para 2027 serão acompanhadas de perto pelos setores produtivos, incluindo o comércio do noroeste paulista. Dessa forma, a expectativa de recessão e o aumento da inadimplência são temas que despertam atenção de empresários da região. Sobretudo, a Itaúsa, uma das maiores holdings do país, projeta um ano de desafios para a economia brasileira.
Perguntas Frequentes
O que Alfredo Setubal disse sobre a economia brasileira para 2027?
Alfredo Setubal afirmou que o Brasil pode ter uma “pequena recessão” e aumento da inadimplência em 2027. Além disso, ele disse que a economia terá desaceleração significativa e que, mesmo com incentivos de R$ 200 bilhões do governo federal, o consumo não está crescendo.
Como a Itaúsa está orientando as empresas investidas para o cenário econômico?
A Itaúsa está orientando as empresas em que tem participação a prever orçamentos mais moderados e cautelosos, além de fazer cenários de estresse. Ademais, Setubal também destacou que já há sinais de atrasos nos pagamentos no Itaú Unibanco e entre clientes das empresas industriais da holding.
Quais foram os investimentos e a situação da dívida da Itaúsa mencionados?
A dívida líquida da Itaúsa cresceu 99%, para R$ 1,184 bilhão em junho, puxada por capitalizações e antecipação de dividendos. Além disso, a Itaúsa vai aportar R$ 1,2 bilhão no aumento de capital da Aegea, elevando sua participação de 12,8% para 14%, e investiu R$ 97 milhões na Alpargatas, subindo de 29,4% para 30,6%.



























