Situação financeira das famílias é preocupante

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Cenário da situação financeira das famílias é preocupante

O cenário de renda familiar no país está “realmente preocupante”, na avaliação do economista e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Ricardo Meirelles de Faria. Em entrevista ao programa WW Especial, da CNN Brasil, o especialista destacou o endividamento e a inadimplência em níveis recordes como fatores que causam “estragos” no orçamento das famílias. Além disso, ele também citou o surgimento das apostas como um agravante para uma situação que já é delicada.

Endividamento salta a 50% e gera estragos

Meirelles utiliza números para ilustrar a evolução do endividamento no Brasil. Em seguida, “Esse endividamento dá um salto com a crise de 2015 e 2016, depois deu um salto de 10 pontos percentuais na pandemia”, afirmou. “Saiu de 30%, foi a 40% e depois para 50%”, complementou. Dessa forma, esses dados mostram que o comprometimento da renda cresceu de forma acelerada. Consequentemente, a combinação com a inadimplência, também em níveis recordes, provoca um efeito contínuo sobre o poder de compra das famílias.

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% das famílias brasileiras têm alguma dívida, considerando faturas a vencer no cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas e outras categorias. Esse percentual demonstra que a maioria das famílias está com compromissos financeiros. Ademais, outro levantamento, do Serasa, mostra que mais da metade dos trabalhadores brasileiros termina o mês sem dinheiro, com os maiores pesos para essa condição sendo alimentos e contas básicas. Portanto, essa realidade reforça o alerta feito pelo professor.

Crédito imobiliário e juros altos pressionam

Meirelles explica que a expansão de crédito, especialmente o imobiliário, começou a partir do Plano Real, com a inflação mais baixa. No entanto, as famílias passaram a tomar mais crédito, mas o problema, segundo o professor, é que nessas crises ao longo do tempo, as taxas de juros sobem muito e vão acumulando. Atualmente, por exemplo, a taxa Selic está em 14% ao ano, o que coloca o país como o dono do segundo maior juro real do mundo, atrás somente da Rússia. Sobretudo, esse patamar de juros encarece o crédito e dificulta ainda mais a quitação de dívidas. Consequentemente, o consumo a prazo também se torna mais caro, afetando o comércio.

Para o economista-chefe do Grupo Lev, Jason Vieira, o endividamento público é um dos principais fatores por trás desse cenário. “Quanto maior o Estado, maior o custo. Ou seja, ele gasta mais do que arrecada e acaba tendo que recorrer ao mercado de títulos, o que eleva o risco para os investidores”, explicou ao CNN Money. Ademais, essa dinâmica, somada à alta demanda por crédito, tende a manter as taxas elevadas e a pressionar o orçamento das famílias.

Guerra no Irã complica o cenário externo

A situação geopolítica com a guerra no Irã também interfere nas decisões de política monetária. Ademais, a instabilidade no cenário externo e as altas na inflação, com aumentos nos preços dos combustíveis, deixaram ainda mais difícil um possível corte na Selic. Consequentemente, esse movimento pressiona o custo de vida das famílias. Assim sendo, o aperto financeiro tende a persistir, conforme a análise do professor.

Apostas entram na conta do orçamento familiar

O professor adiciona outro fator que considera um sinal de piora financeira para as famílias: as apostas. Ademais, na avaliação de Meirelles, os jogos de azar são um novo peso nos bolsos, especialmente em um momento de fragilidade econômica. “Isso é uma monstruosidade. Quando a família já está em uma situação toda difícil, surge no cenário uma tragédia dessa”, finaliza. Em resumo, a declaração mostra a preocupação com o impacto dessa atividade sobre o orçamento doméstico.

Reflexos para o comércio do noroeste paulista

O cenário descrito pelo economista é um sinal de alerta para empresários e comerciantes de cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis, Andradina e Mirandópolis. Sobretudo, o varejo local depende diretamente da capacidade de consumo das famílias, que estão cada vez mais comprometidas com dívidas. Dessa forma, quando a renda é destinada ao pagamento de contas e juros, sobra menos para compras no comércio. Ademais, em economias como a do noroeste paulista, o comércio de rua sente rapidamente os efeitos de uma redução no poder de compra. Portanto, essa análise merece atenção de quem atua no setor produtivo da região.

Entrevista vai ao ar aos domingos

O programa WW Especial, apresentado por William Waack, é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil. A conversa com Ricardo Meirelles de Faria integra a programação jornalística do canal. Além disso, telespectadores da região podem acompanhar a íntegra da entrevista pelas plataformas digitais da emissora.

Perguntas Frequentes

Qual é o percentual de famílias brasileiras endividadas segundo a CNC?

Isto é, segundo a CNC, 81,6% das famílias brasileiras têm alguma dívida, considerando faturas de cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas e outras categorias.

Como o endividamento das famílias brasileiras mudou com as crises recentes?

Em suma, o economista Ricardo Meirelles de Faria, da FGV, afirmou que o endividamento saltou com a crise de 2015-2016 e depois na pandemia, subindo de 30% para 40% e depois para 50%.

Por que as apostas esportivas representam um risco para as famílias brasileiras?

Sobretudo, para o professor, os jogos de azar são uma ‘monstruosidade’ e um novo peso nos bolsos das famílias, que já enfrentam uma situação difícil com inadimplência recorde.

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