Tesouro Direto: taxas caem ao menor nível desde maio

Crédito: InfoMoney
As taxas do Tesouro Direto caíram com força nesta quinta-feira (3), em nova rodada de retirada de prêmios que atinge toda a extensão da curva. Os prefixados lideraram o movimento, com o Tesouro Prefixado 2032 recuando de 14,37% antes da abertura para 14,23% às 13h, uma queda de 14 pontos-base. O recuo reflete a percepção de que a economia brasileira vem desacelerando, o que pode abrir caminho para novos cortes na taxa Selic.
O movimento se dá no dia seguinte à forte reação do mercado à pesquisa Quaest, que mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no segundo turno. Na quarta-feira, o Ibovespa disparou 3,05%, aos 185.205 pontos, maior nível em quase quatro meses, e o dólar caiu a R$ 5,10. A combinação de fatores domésticos e externos tem levado investidores a reavaliar os prêmios exigidos nos títulos públicos.
Prefixados atingem menores níveis desde maio
Entre os títulos prefixados, o Tesouro Prefixado 2029 caiu de 13,98% para 13,86%, o menor patamar desde maio, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,42% para 14,30%, ambos com recuo de 12 pontos-base. Nos títulos de inflação, o movimento foi mais moderado. O IPCA+ 2050 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2037 caíram 6 pontos-base, para 7,26% e 7,61%, respectivamente, enquanto o IPCA+ 2032 recuou de 7,98% para 7,93%.
Essa dinâmica indica uma preferência por papéis prefixados, que tendem a se beneficiar mais diretamente de um ciclo de cortes de juros. A queda nas taxas reflete a expectativa de que a inflação continue sob controle e de que a autoridade monetária tenha espaço para flexibilizar a política.
Desaceleração econômica sustenta movimento
Gustavo Danilo Guimarães, especialista de renda fixa, avalia que o fechamento tem fundamento doméstico. Segundo ele, a desaceleração da atividade econômica, o arrefecimento da inflação, um Caged mais fraco e a perda de força da indústria reforçam a percepção de que a política monetária vem cumprindo seu papel, o que abre espaço para a continuidade dos cortes da Selic.
A leitura de que a economia está perdendo ritmo tem levado casas de análise a ajustar suas carteiras. A XP, por exemplo, aumentou a exposição a títulos prefixados nas carteiras recomendadas de setembro e encurtou o prazo médio da classe de quatro para três anos. A instituição avalia que a desaceleração da atividade e as leituras recentes de inflação podem abrir espaço para cortes de Selic além do que o mercado já embute nos preços.
Cenário político também influencia prêmios
O cenário político é o segundo vetor. “As pesquisas mais recentes mostram um equilíbrio maior na disputa eleitoral. Isso tende a incorporar ainda mais a precificação dos ativos para os vencimentos de 2027, 2028 como um todo”, afirma Guimarães. Para ele, a eleição vem retirando prêmio sobretudo da parte curta da curva, ainda que o resultado em si não represente necessariamente impacto significativo.
Esse equilíbrio reduz a percepção de risco político, o que se traduz em menores taxas exigidas pelos investidores. A aproximação entre os candidatos nas pesquisas tem sido interpretada como um sinal de menor incerteza para os próximos anos, favorecendo a precificação de ativos de renda fixa.
Exterior colabora, mas petróleo pressiona
No exterior, o quadro também colabora. Os rendimentos dos Treasuries de dez anos recuam e o dólar opera de lado, ainda que o Brent suba mais de 1% e mantenha a pressão inflacionária ligada às tensões entre Estados Unidos e Irã. Os mercados atribuem cerca de 60% de probabilidade a uma alta de juros pelo Fed neste mês, ante menos de 40% uma semana atrás.
A queda nos rendimentos dos títulos americanos reduz a atratividade relativa dos ativos dos EUA, o que pode favorecer fluxos para mercados emergentes como o Brasil. No entanto, a alta do petróleo pode reacender preocupações inflacionárias globais, limitando o espaço para quedas mais acentuadas nas taxas locais.
Perguntas Frequentes
Por que os juros do Tesouro Direto caíram nesta quinta-feira (3)?
Os juros caíram devido a sinais de desaceleração da economia, como atividade mais fraca, inflação em arrefecimento e dados do Caged mais fracos, que reforçam a percepção de espaço para cortes da Selic.
Qual foi a queda do Tesouro Prefixado 2032?
O Tesouro Prefixado 2032 recuou de 14,37% para 14,23%, uma queda de 14 pontos-base.
Como a pesquisa Quaest influenciou o mercado de juros?
A pesquisa Quaest mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no segundo turno, o que levou a uma forte reação do mercado, com o Ibovespa disparando 3,05% e o dólar caindo a R$ 5,10, contribuindo para a retirada de prêmios na curva de juros.




























