XP eleva recomendação para títulos prefixados

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XP eleva recomendação para títulos prefixados

A XP Investimentos anunciou uma mudança em suas carteiras recomendadas para setembro, elevando a exposição a títulos prefixados e reduzindo a alocação em crédito privado pós-fixado. O ajuste, descrito pela casa como marginal dentro da renda fixa doméstica, reflete a projeção de uma Selic mais baixa e leituras de inflação mais benignas. A decisão foi divulgada em relatório assinado pelo time de alocação chefiado pelo CIO Artur Wichmann.

Por que a XP mudou a alocação?

A mudança reflete a avaliação de que a desaceleração gradual da economia e a perspectiva de mais cortes de juros tornam a relação entre risco e retorno dos prefixados mais atrativa. Ao mesmo tempo, a corretora passa a ser mais criteriosa na escolha de papéis de crédito. A casa também reduziu o prazo médio dos prefixados de quatro para três anos, apontando desaceleração da atividade e inflação mais comportada.

Segundo o relatório, a atividade econômica mais fraca e os índices de inflação recentes podem abrir espaço para uma redução da Selic maior do que a que o mercado já embute nos preços. Nesse cenário, a queda das taxas negociadas para o futuro tende a favorecer a classe: quem compra hoje pode revender o papel no secundário com um prêmio extra.

Como ficam as carteiras recomendadas?

Na carteira conservadora, os prefixados respondem por 6% do total. Na moderada, por 11%, e na sofisticada, por 9,5%. Os títulos pós-fixados continuam sendo a maior fatia do perfil conservador, com 71,5%, dos quais 20 pontos percentuais correspondem à reserva mínima em caixa. Nos perfis moderado e sofisticado, a classe responde por 34,5% e 14%, respectivamente.

Nos papéis atrelados ao IPCA, a XP manteve uma posição abaixo do neutro no curto prazo, decisão que atribui à maior probabilidade de inflação mais comportada com atividade em desaceleração. A alocação vai de 12,5% na carteira conservadora a 27,5% na sofisticada, com prazo médio recomendado próximo de seis anos.

O que explica a preferência por prazos curtos?

A cautela recai sobre os vencimentos mais distantes, mais sensíveis a mudanças na percepção de risco. A proximidade das eleições e a baixa visibilidade sobre as contas públicas justificam, segundo a casa, a preferência por papéis com prazos mais curtos, que capturam mais diretamente o efeito da política monetária. A escolha por prazos mais longos nessa classe busca combinar a remuneração atual dos juros reais com o potencial de valorização dos papéis caso as taxas cedam, especialmente em um cenário de melhora nas perspectivas para as contas públicas.

“Não estamos aumentando a exposição porque deixamos de reconhecer os riscos inflacionários, fiscais e eleitorais, mas porque entendemos que o prêmio presente na curva curta oferece uma relação mais favorável entre risco e retorno”, reforça o time de alocação da casa chefiado pelo CIO Artur Wichmann, em relatório.

Crédito privado sob maior seletividade

Do outro lado do ajuste está o crédito privado, em que a XP diz adotar maior seletividade, dando sequência a uma postura já cautelosa. A casa cita o aumento no número de recuperações judiciais, piora nas avaliações de risco das empresas e condições de financiamento mais restritivas como sinais de um ambiente mais difícil. Ainda assim, a corretora afasta a leitura de um problema generalizado.

Os balanços não indicam, segundo a XP, um quadro de estresse no sistema nem uma deterioração ampla da liquidez das companhias. A ressalva é sobre remuneração: os prêmios oferecidos hoje podem não compensar de forma adequada os riscos assumidos.

Metas de retorno e diversificação

As carteiras preveem retorno de IPCA mais 6% no perfil conservador, IPCA mais 7% no moderado e IPCA mais 8% no sofisticado, com metas de oscilação de 1,25%, 4% e 8%, respectivamente. A corretora recomenda ainda que ao menos 15% do patrimônio esteja em uma carteira global em dólar, complementar à alocação brasileira.

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, a mudança na recomendação da XP sinaliza um ambiente de juros potencialmente mais baixos à frente, o que pode influenciar decisões de investimento e custo de crédito. A fonte não detalhou impactos específicos para o setor produtivo local.

Perguntas Frequentes

Por que a XP elevou a recomendação para títulos prefixados em setembro?

A XP elevou a exposição a títulos prefixados porque avalia que a desaceleração gradual da economia e a perspectiva de mais cortes de juros tornam a relação entre risco e retorno desses papéis mais atrativa, além de leituras de inflação mais benignas.

Qual é a alocação recomendada pela XP para títulos prefixados nas carteiras conservadora, moderada e sofisticada?

Na carteira conservadora, os prefixados respondem por 6% do total; na moderada, por 11%; e na sofisticada, por 9,5%. Os títulos pós-fixados continuam sendo a maior fatia do perfil conservador, com 71,5%.

Como a XP justifica a redução da exposição a crédito privado pós-fixado?

A XP reduziu a exposição a crédito privado pós-fixado devido ao aumento no número de recuperações judiciais, piora nas avaliações de risco das empresas e condições de financiamento mais restritivas, adotando maior seletividade na escolha de papéis.

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