Balanço sem opinião e números que não fecham na auditoria Toky

Crédito: NeoFeed
Na Toky, nem auditoria nem administrador judicial conseguem “enxergar” os números.
A Grant Thornton, auditoria independente do Grupo Toky, se absteve de emitir opinião sobre o balanço do segundo trimestre da companhia dona da Mobly e da Tok&Stok. Além disso, é a segunda vez consecutiva que a auditoria deixa de opinar sobre as demonstrações financeiras, mas agora o parecer apresenta quatro motivos para a abstenção (a fonte não detalhou quais são), ante apenas um no trimestre anterior. Sobretudo, tanto a auditoria quanto a administradora judicial da recuperação da Toky relatam, separadamente, a dificuldade de obter documentação da empresa.
Auditoria se abstém pela segunda vez
Assim sendo, no parecer referente ao segundo trimestre, a Grant Thornton não emitiu opinião sobre os números do Grupo Toky. Contudo, a abstenção é a segunda seguida, mas o quadro se agravou: enquanto no trimestre anterior havia apenas uma razão, agora são quatro os motivos elencados pelos auditores. Ou seja, a companhia, que está em recuperação judicial, é controladora das redes Mobly e Tok&Stok.
Além da falta de opinião sobre o balanço, o parecer da auditoria e o relatório da administradora judicial apontam, de forma independente, a dificuldade de obter documentação da empresa. Dessa forma, essa reclamação sobre a falta de informações ecoa do outro lado do processo.
Administradora judicial documenta atrasos e inconsistências
Números que não fecham
A AJ Ruiz Consultoria Empresarial, escritório especializado em insolvência, é a administradora judicial da Toky desde junho. Responsável por fiscalizar as atividades da empresa e reportar mensalmente ao juízo, a AJ Ruiz documenta meses de atrasos e números que não fecham nas seis empresas do grupo. Ademais, as divergências vão de estoques que não batem a variações de caixa que nem a própria administradora conseguiu explicar.
Pendências documentais
Mesmo assim, uma lista de documentos seguiu pendente até a data do relatório, da relação de contratos vigentes a certidões fiscais e demonstrativos financeiros mês a mês de várias das recuperandas. Todavia, o problema vai além do atraso. Em seguida, ao vasculhar o que a empresa efetivamente enviou, a AJ identificou uma sucessão de números que não fecham entre si. Por exemplo, em pelo menos duas das seis empresas, o estoque físico contado não bate com o valor registrado nos livros contábeis.
Ao todo, a expressão “será abordado no próximo relatório” se repete dezenas de vezes ao longo do documento. Ou seja, ela é usada pela AJ toda vez que uma pendência fica sem resposta, atravessando quase todas as seis empresas do grupo. Consequentemente, isso evidencia a recorrência das lacunas nas informações.
Minoritários prometem levar caso à CVM
O advogado Felipe Demori, que representa minoritários, afirma que “há alguma coisa sendo escondida”. Ademais, Demori representa acionistas minoritários que brigam por uma oferta pública de aquisição (OPA) em um caso envolvendo fundos da gestora SPX. Dessa forma, ele promete levar o caso à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “A experiência mostra que a falta de transparência é porque tem alguma coisa errada sendo escondida. Quem não deve, não teme”, completa o advogado.
A Toky não respondeu ao pedido de posicionamento do NeoFeed.
Provisão de R$ 45,5 milhões é questionada pelos auditores
A empresa já provisionou R$ 45,5 milhões para cobrir essas diferenças. No entanto, segundo os auditores, o processo de reconciliação ainda estava em andamento na data de fechamento da revisão, o que impediu a Grant Thornton de confirmar se aquele valor é suficiente, insuficiente, ou mesmo correto. Além disso, para os auditores, o valor está classificado no lugar errado.
A classificação incorreta faz o passivo circulante da empresa aparecer menor do que deveria, enquanto o não circulante aparece maior. Com isso, a visão sobre a real situação financeira da Toky permanece comprometida, tanto para a auditoria quanto para a administradora judicial. Assim sendo, o caso expõe as dificuldades de se obter números confiáveis durante um processo de recuperação judicial.
Em resumo, enquanto as pendências documentais não forem resolvidas, a auditoria e a administradora judicial seguem sem conseguir “enxergar” os números da companhia. Portanto, os próximos relatórios, como indicado pela própria administradora, devem trazer as respostas que, até agora, permanecem em aberto.
Perguntas Frequentes
Por que a Grant Thornton se absteve de opinar sobre o balanço do 2º trimestre do Grupo Toky?
A Grant Thornton se absteve pela segunda vez consecutiva, mas agora com quatro motivos, ante apenas um no trimestre anterior. Além disso, a empresa provisionou R$ 45,5 milhões para cobrir diferenças, mas os auditores não puderam confirmar se o valor é suficiente, insuficiente ou correto, pois o processo de reconciliação ainda estava em andamento.
Que problemas a administradora judicial AJ Ruiz encontrou nos números da Toky?
A AJ Ruiz documentou meses de atrasos e números que não fecham, como estoques divergentes e variações de caixa que nem ela conseguiu explicar. Em seguida, a lista de documentos pendentes incluía contratos, certidões fiscais e demonstrativos financeiros, e a expressão “será abordado no próximo relatório” se repete dezenas de vezes, atravessando quase todas as seis empresas do grupo.
O que o advogado Felipe Demori disse sobre a falta de transparência da Toky?
Ele afirmou que “há alguma coisa sendo escondida” e que “quem não deve, não teme”, prometendo levar o caso à CVM. Contudo, a Toky não respondeu ao pedido de posicionamento do NeoFeed.




























