Venda Farm atrai fundos e propostas até fim do mês

Crédito: Pipeline
A rede de moda Farm, considerada a “joia da coroa” do grupo varejista Azzas, recebe propostas não vinculantes até o fim do mês de setembro. O processo, conduzido pelo Morgan Stanley, atrai principalmente fundos de private equity, como Advent, GIC, CVC e L Catterton. A venda faz parte do acordo de separação dos negócios de Arezzo&Co, controlada por Alexandre Birman, e Soma, controlada por Roberto Jatahy.
Na segregação, a Farm vai virar uma estrutura independente, com capital de ambos os controladores, que buscam monetizar o ativo. A transação, no entanto, não é considerada “trivial”, segundo pessoas próximas às conversas, principalmente por divergências de preço e estrutura.
Prazo definido para propostas não vinculantes
O Morgan Stanley, contratado pela Azzas, estabeleceu o fim de setembro como data-limite para que os interessados apresentem suas ofertas preliminares. Esse tipo de proposta não gera obrigação de compra, mas sinaliza o apetite do mercado e permite avançar para uma fase de due diligence.
Fundos de private equity têm liderado o interesse, atraídos pelo posicionamento premium da Farm e sua presença internacional. A marca está presente em 18 países e registrou faturamento de R$ 3,4 bilhões em 2025, respondendo por 23% da receita bruta da Azzas no ano passado.
O Brasil responde por cerca de 60% das vendas, segundo o J.P. Morgan, o que indica espaço para expansão global. A fonte não detalhou o número exato de propostas esperadas, mas o leque de fundos interessados sugere concorrência.
Avaliações divergem entre bancos
As estimativas de valor para a Farm variam significativamente entre as instituições financeiras. O J.P. Morgan avalia a empresa entre R$ 4,4 bilhões e R$ 5,5 bilhões, considerando a projeção de vendas brutas em 2026 de R$ 3,7 bilhões e margem Ebitda de 18%.
Já o Citi, em relatório, estima um valor mais próximo de R$ 3,5 bilhões. Essa diferença de quase R$ 2 bilhões reflete incertezas sobre o crescimento futuro e a capacidade de manter margens elevadas em um cenário competitivo.
Para os potenciais compradores, a divergência de avaliações é um dos principais obstáculos. Além do preço, a estrutura da transação também é apontada como desafio, pois envolve a separação de sistemas, contratos e equipes dentro do grupo Azzas.
Desafios de preço e estrutura
Pessoas próximas às negociações afirmam que a operação não é “trivial”. A Farm opera integrada à Azzas em áreas como logística, tecnologia e compras, o que exige um plano detalhado de desmembramento.
Outro ponto sensível é a governança pós-venda. Como a marca se tornará uma estrutura independente com capital de Birman e Jatahy, os compradores precisam definir qual será o papel dos atuais controladores no futuro da empresa.
Essas questões estruturais podem impactar o preço final e o cronograma da venda. A fonte não detalhou se haverá preferência por um comprador estratégico ou financeiro, mas o interesse predominante de private equity indica uma transação focada em expansão e posterior revenda.
Impacto para o varejo e a economia regional
A venda da Farm pode ter reflexos no setor de moda e no comércio de cidades do interior paulista, como Araçatuba e região noroeste. A marca possui lojas em shoppings e ruas comerciais de médio e grande porte, gerando empregos diretos e indiretos.
Para empresários locais, a transação sinaliza o apetite de fundos por ativos de varejo com marca forte e potencial de crescimento. Isso pode estimular investimentos em franquias e no varejo de moda regional, além de atrair atenção para outros negócios do setor.
A Azzas, procurada, disse que “não comenta especulações de mercado”. A postura é comum em processos de M&A em andamento, mas não reduz a expectativa do mercado sobre o desfecho da operação.
Próximos passos do processo
Após o recebimento das propostas não vinculantes, o Morgan Stanley e a Azzas devem selecionar os interessados para a fase de due diligence, com acesso a dados detalhados da operação. Em seguida, serão apresentadas propostas vinculantes, com definição de preço e estrutura final.
O cronograma exato não foi divulgado, mas a expectativa é que a transação seja concluída ainda em 2025 ou no início de 2026, dependendo da complexidade das negociações. A fonte não detalhou se haverá exclusividade para algum proponente.
Para o mercado, a venda da Farm é um termômetro do interesse de private equity em marcas brasileiras de moda com apelo global. O desfecho pode influenciar outras operações no setor e o valuation de empresas do varejo de alto padrão.
Perguntas Frequentes
Qual é o prazo para entrega de propostas pela Farm Rio?
O Morgan Stanley, contratado pela Azzas, deu até o fim do mês de setembro para que interessados entreguem propostas não vinculantes pela Farm Rio.
Quais fundos de private equity estão interessados na compra da Farm?
Advent, GIC, CVC e L Catterton estão entre os investidores avaliando a operação, segundo apurou o Pipeline.
Qual é o valor estimado da Farm Rio?
O J.P. Morgan avalia a empresa entre R$ 4,4 bilhões e R$ 5,5 bilhões, enquanto o Citi estima algo mais próximo de R$ 3,5 bilhões.




























