Verde vê repressão financeira nos EUA e aposta em ouro

Crédito: InfoMoney
A Verde Asset Management, gestora comandada por Luis Stuhlberger, apontou em sua carta mensal o que classifica como o “primeiro sinal” de repressão financeira nos Estados Unidos. O alerta surge após o Tesouro americano aventar uma intervenção no mercado de títulos para conter a disparada dos juros — medida que não funcionou, deixou o dólar vulnerável e provocou uma corrida por outras moedas e por ouro.
Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, o cenário acende um alerta sobre os rumos da economia global e seus reflexos no crédito, no câmbio e nos preços de commodities. A leitura da Verde é de que os Estados Unidos podem estar entrando em um ciclo de controle artificial dos juros, o que tende a favorecer a alocação em ativos reais como ouro e prata — posições mantidas pela casa ao longo do mês.
Intervenção frustrada no mercado de títulos
O anúncio de intervenção no mercado de títulos americano veio depois que o rendimento do papel de 30 anos superou 5,30% e atingiu o maior patamar desde 2007. No entanto, o alívio inicial durou pouco: já no dia seguinte, as taxas voltaram a subir e fecharam novamente perto das máximas desde a crise financeira global.
Para a Verde, o desfecho era previsível. Como boa parte das intervenções governamentais em mercados líquidos, essa “tende a não ter sucesso, dado o tamanho do déficit fiscal americano, sua necessidade de financiamento, e o impacto do crescimento das emissões de títulos por empresas privadas para financiar capex de IA”, diz a carta.
A tentativa frustrada evidencia a dificuldade de conter a pressão sobre os juros longos em um ambiente de oferta abundante de títulos. Para o comércio e a indústria brasileira, juros americanos elevados significam dólar mais forte e pressão sobre os custos de insumos importados, além de concorrência por capital global.
Ouro e prata como proteção
“Ouro e prata são ativos importantes na construção de portfólio para esse mundo”, afirma a Verde, que manteve alocação nos dois metais ao longo do mês. O desempenho de agosto ajuda a explicar a preferência: o contrato de ouro para dezembro subiu 10,68% no mês na Comex, no melhor resultado mensal desde janeiro, enquanto o contrato de prata para o mesmo vencimento avançou 15,78%.
Para pequenas e médias empresas que atuam com importação ou exportação, a alta dos metais preciosos é um termômetro da aversão ao risco e da busca por reserva de valor. A valorização do ouro também costuma refletir desconfiança em relação às moedas fiduciárias, o que pode influenciar decisões de hedge e precificação.
A Verde não detalhou o percentual exato alocado em ouro e prata, mas reforçou a manutenção das posições como estratégia de proteção contra a repressão financeira — fenômeno em que governos mantêm juros artificialmente baixos em relação à inflação, erodindo o valor real da dívida.
Estratégia local: mais renda variável
Diante desse cenário, a Verde aumentou a exposição em renda variável no Brasil e manteve posições compradas em opções para capturar o que classifica como prêmio de risco ainda elevado em vários setores. Na renda fixa local, segue sem posições direcionais, entendendo que o juro real, mesmo em patamar historicamente alto, não tem prêmio suficiente.
Essa leitura pode interessar a investidores e empresários da região de Araçatuba que buscam diversificação. A preferência por bolsa brasileira sinaliza que a gestora enxerga valuations atrativos em setores domésticos, apesar do cenário externo desafiador.
A fonte não detalhou quais setores específicos apresentam prêmio de risco elevado, mas a menção a opções compradas indica uma postura tática para capturar movimentos de alta sem exposição direcional total.
Resultado do fundo em agosto
O fundo Verde subiu 1,98% em agosto, contra 1,09% do CDI, e acumula alta de 10,33% no ano, ante 9,33% do indicador. Os ganhos vieram de ouro e prata, bolsa global e dos livros de trading, enquanto as perdas, descritas como marginais, ficaram por conta do juro real americano e do crédito, este último o principal detrator do resultado no acumulado de 2026.
O desempenho positivo reforça a tese de que a diversificação em ativos reais e a exposição a bolsas podem compensar perdas em renda fixa e crédito em um ambiente de repressão financeira. Para o empresário local, a lição é clara: monitorar os sinais de intervenção nos mercados e considerar a proteção de patrimônio em ativos tangíveis.
A carta da Verde não faz projeções para os próximos meses, mas o tom é de cautela com a política monetária americana e de convicção na alocação em metais preciosos e renda variável brasileira.
Perguntas Frequentes
O que a Verde Asset Management quis dizer com ‘primeiro sinal de repressão financeira nos EUA’?
A gestora se refere ao anúncio de intervenção do Tesouro americano no mercado de títulos para conter a disparada dos juros, que não funcionou e deixou o dólar vulnerável, provocando corrida por outras moedas e ouro.
Por que a Verde manteve alocação em ouro e prata em agosto?
Porque a gestora vê indícios de controle artificial dos juros nos EUA, o que tende a favorecer ativos como ouro e prata; em agosto, o contrato de ouro para dezembro subiu 10,68% na Comex e o de prata avançou 15,78%.
Qual foi o desempenho do fundo Verde em agosto e no acumulado do ano?
O fundo Verde subiu 1,98% em agosto, contra 1,09% do CDI, e acumula alta de 10,33% no ano, ante 9,33% do indicador. Os ganhos vieram de ouro e prata, bolsa global e trading; as perdas foram marginais, com destaque para crédito.




























