Volume de títulos isentos no Brasil é absurdo, diz BTG

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O sócio sênior e presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, afirmou nesta segunda-feira (14) que o volume de títulos isentos no Brasil é ‘completamente absurdo’. A declaração foi dada durante painel promovido pelo Esfera Brasil, em São Paulo. Para o executivo, a busca do equilíbrio fiscal não é uma política econômica de direita nem de esquerda, mas uma responsabilidade com a sociedade.

Esteves destacou que o descompasso entre receitas e despesas públicas é um problema que precisa ser enfrentado com clareza. ‘Se você gasta mais que do que ganha, isso vai virar um problema. A direção é clara. Com um grau de crescimento que tivemos no gasto público, está fácil de fazer. Temos uns 50 economistas no Brasil qualificados para adotar três ou quatro medidas que precisam ser feitas’, disse. A fala reforça a visão de que o ajuste fiscal é viável e não exige medidas drásticas.

Equilíbrio fiscal como responsabilidade social

O chairman do BTG argumentou que, principalmente em momentos de disputa política, sempre existe alguma ideologia em termos de políticas econômicas. No entanto, a necessidade de buscar um equilíbrio fiscal já é algo bastante consolidado. Para ele, trata-se de uma responsabilidade com a sociedade, independentemente do viés partidário.

Essa visão ganha relevância para empresários e comerciantes do interior paulista, que dependem de um ambiente macroeconômico estável para planejar investimentos e manter empregos. A instabilidade fiscal afeta diretamente os juros, o câmbio e a confiança do consumidor, impactando o fluxo de caixa de pequenas e médias empresas em cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis.

Ajuste fiscal sem ‘tesouraço’ nem ‘bisturi’

Questionado sobre a possibilidade de um eventual governo Flávio Bolsonaro adotar um ‘tesouraço’ ou um ‘bisturi’ nos cortes de gastos, Esteves foi direto: não é preciso nenhum dos dois. ‘Basta simplesmente aumentar a eficiência do gasto público’, afirmou. A declaração sugere que há espaço para melhorar a qualidade do gasto sem cortes lineares ou traumáticos.

Para o setor produtivo, essa abordagem é bem-vinda, pois evita a paralisação de serviços essenciais e a redução abrupta de investimentos públicos que muitas vezes sustentam a economia local. A eficiência no gasto pode liberar recursos para infraestrutura e programas de apoio ao comércio e à indústria, beneficiando diretamente a região noroeste paulista.

Clima político favorável e riscos institucionais

Com essa visão de que o ajuste fiscal é ‘fácil’ de resolver, inclusive politicamente — ele acredita que há clima para aprovar medidas nesse sentido no Congresso —, o chairman do BTG chamou atenção para uma possível crise institucional. Segundo ele, a guerra para salvar o ‘Brasil institucional’ não está vencida e não se pode descansar.

‘Se a gente perder essa guerra, vai para algum lugar entre México e Rússia, e nós não estamos ali. Somos melhores do que isso’, alertou. A fala ressalta a importância de preservar as instituições democráticas e o estado de direito, elementos fundamentais para a segurança jurídica dos negócios. Empresários da região de Araçatuba sabem que a previsibilidade institucional é um ativo valioso para atrair investimentos e fomentar o comércio.

Preocupação com a economia informal

Esteves também expressou preocupação com a informalidade crescente em setores regulados da economia. ‘O aspecto institucional é o que me preocupa mais. A batalha econômica está mais fácil, a institucional é a guerra que a gente não pode perder. Como a gente olha um segmento regulado da economia que, de repente, se torna 20% informal? Como você olha empresas inexpressivas criando rombos de dezenas de bilhões?’, questionou, sem entrar em detalhes.

Para o comércio local, a informalidade representa concorrência desleal, pois empresas informais não recolhem impostos nem cumprem obrigações trabalhistas, reduzindo a margem de lucro dos negócios formais. A menção a ‘rombos de dezenas de bilhões’ causados por empresas inexpressivas acende um alerta para a necessidade de maior fiscalização e regulação eficiente, temas que afetam diretamente a competitividade das PMEs no interior paulista.

Impacto para o noroeste paulista

As declarações de André Esteves ecoam entre lideranças empresariais de Araçatuba e região. A defesa do equilíbrio fiscal e da eficiência do gasto público está alinhada com as demandas de entidades como ACSP, CDL e Sebrae, que frequentemente apontam a carga tributária e a burocracia como entraves ao crescimento. A redução do volume de títulos isentos poderia, em tese, ampliar a base de arrecadação sem aumentar alíquotas, desde que acompanhada de uma gestão pública mais eficiente.

Além disso, a preocupação com a estabilidade institucional é crucial para o agronegócio e a indústria calçadista de Birigui, que dependem de contratos de longo prazo e de um ambiente regulatório previsível. A fala do chairman do BTG reforça a necessidade de um debate sério sobre as contas públicas, com impacto direto na confiança dos investidores e no custo do crédito para as empresas da região.

Perguntas Frequentes

O que André Esteves, do BTG, disse sobre o volume de títulos isentos no Brasil?

Ele afirmou que o volume de títulos isentos no Brasil é ‘completamente absurdo’.

Qual é a visão de André Esteves sobre o equilíbrio fiscal?

Ele considera que a busca do equilíbrio fiscal não é uma política de direita nem de esquerda, mas uma responsabilidade com a sociedade, e que o ajuste é ‘fácil’ de resolver, bastando aumentar a eficiência do gasto público.

O que André Esteves disse sobre uma possível crise institucional no Brasil?

Ele alertou que a guerra para salvar o ‘Brasil institucional’ não está vencida e que, se perdida, o país iria ‘para algum lugar entre México e Rússia’.

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