XP reduz projeção do PIB de 2026 para 1,7% após ressaca

Crédito: InfoMoney
A XP Investimentos reduziu sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 de 2% para 1,7%. A revisão ocorre após a divulgação do PIB do segundo trimestre, que mostrou avanço de 0,5% na comparação trimestral, mas queda de 0,4% no consumo das famílias. O movimento chamou a atenção dos economistas, apesar da expansão da renda real e das medidas de estímulo do governo de curto prazo.
Consumo recua apesar dos estímulos fiscais
O recuo do consumo das famílias em 0,4% no segundo trimestre surpreendeu a equipe da XP. Mesmo com a renda real em alta e os estímulos fiscais em vigor, a demanda doméstica perdeu força. “A economia brasileira está perdendo força mais cedo do que esperávamos”, afirma o relatório liderado pelo economista-chefe Caio Megale.
O documento destaca que o cenário base já considerava o endividamento de empresas e famílias em um ambiente de juros elevados como fator de redução da demanda. No entanto, a expectativa era de que os estímulos fiscais mantivessem a atividade aquecida neste ano. “Nem tanto”, diz o texto. A XP conclui que a queda de atividade projetada para 2026 parece já ter chegado.
Carrego estatístico menos favorável
Os economistas Rodolfo Margato e Alexandre Maluf apontam que o resultado do segundo trimestre deixa um carrego estatístico menos favorável para a atividade econômica. Isso significa que a base de comparação para os próximos trimestres ficou mais fraca, dificultando um crescimento mais robusto.
Além disso, o mercado de trabalho dá sinais de moderação na criação de vagas e no aumento da renda. Segundo a XP, essa desaceleração deve trazer uma contribuição menor para o crescimento nos próximos trimestres. A combinação de consumo enfraquecido e mercado de trabalho menos aquecido reforça a visão de desaceleração antecipada.
Crédito restrito pressiona atividade
O risco segue concentrado no mercado de crédito, com alta da inadimplência e queda na concessão de empréstimos. Esse cenário reduz o apetite pelo consumo, impactando a produção como um todo e o acesso a serviços. Para empresas e comerciantes, a restrição ao crédito pode limitar investimentos e vendas, especialmente em setores dependentes de financiamento.
A XP também observa que o ambiente global apresenta um cenário misto para o Brasil. Há possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos, mas os preços de commodities como petróleo, soja, milho e açúcar voltaram a subir. Ainda assim, o saldo geral é de uma desaceleração mais rápida que o previsto.
Projeções para câmbio e atividade
As projeções atualizadas da XP mantêm o dólar em R$ 5 para o final de 2026 e em R$ 5,30 para 2027. A estabilidade cambial projetada não impede a revisão para baixo do crescimento. Para o empresariado do interior paulista, a desaceleração pode significar menor demanda por bens e serviços, exigindo cautela no planejamento de estoques e contratações.
A revisão da XP sinaliza que a economia brasileira pode enfrentar um período de crescimento mais fraco já no próximo ano. A casa não detalhou projeções regionais, mas o cenário nacional tende a refletir no comércio e na indústria de cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis, que dependem do consumo e do crédito para sustentar a atividade local.
Perguntas Frequentes
Qual é a nova projeção da XP para o PIB do Brasil em 2026?
A XP reduziu sua projeção para o PIB de 2026 de 2% para 1,7%, após a divulgação do PIB do segundo trimestre.
Por que a XP acredita que a desaceleração econômica chegou mais cedo do que o esperado?
A XP aponta que o consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre, mesmo com estímulos fiscais e aumento da renda real, indicando que a perda de força da economia ocorreu antes do previsto.
Quais fatores a XP cita como riscos para a atividade econômica nos próximos trimestres?
A XP destaca o mercado de crédito, com alta da inadimplência e queda na concessão de crédito, e a moderação no mercado de trabalho, que deve contribuir menos para o crescimento.




























