Dólar abaixo de R$ 5,40 após eleição; Bolsa estável

Crédito: O GLOBO
O mercado financeiro brasileiro iniciou esta terça-feira em compasso de ajuste, refletindo os desdobramentos das eleições presidenciais de domingo. O dólar comercial abriu em leve queda, negociado abaixo de R$ 5,40, enquanto a Bolsa de Valores operava próxima da estabilidade. Investidores digerem o resultado eleitoral e as sinalizações do novo governo sobre a política econômica.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo enviará medidas para perseguir o centro da meta fiscal. A declaração surge em um momento em que o mercado busca clareza sobre o compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Durigan também classificou como ‘natural’ a reação inicial dos ativos à vitória de Lula.
Ministro anuncia foco na meta fiscal
Segundo Durigan, o governo trabalhará para ancorar as expectativas e evitar desvios na trajetória da dívida. A fala foi interpretada como um aceno à responsabilidade fiscal, embora os detalhes das medidas ainda não tenham sido divulgados. A fonte não detalhou o cronograma ou o conteúdo específico das propostas.
No cenário internacional, a agência de classificação de risco Fitch afirmou que a reeleição de Lula “aumenta as incertezas fiscais”. A agência destacou que “a incapacidade de implementar medidas que melhorem a credibilidade fiscal e a sustentabilidade da dívida no médio prazo poderia gerar pressões negativas sobre o rating”. A avaliação reforça a necessidade de sinalizações concretas por parte do Executivo.
Bancos rebaixam recomendação para Brasil
O Bradesco BBI rebaixou a recomendação para ações brasileiras de overweight (compra) para neutra, após o rali eleitoral reduzir o desconto do MSCI Brasil. Este desconto, que em junho era de 20% em relação à média histórica, agora é de 7%. O banco ampliou o foco em ações de exportadoras e recomendou reduzir a exposição em empresas ao crescimento doméstico.
Movimento similar foi feito pelo Morgan Stanley, que também rebaixou o Brasil de overweight (compra) para neutra. A mudança reflete a percepção de que o potencial de valorização das ações locais diminuiu após a forte alta recente. Para investidores, a recomendação neutra sugere cautela na alocação em renda variável brasileira.
Setores reagem de forma desigual
Os bancos, que abriram em alta, passaram a cair. O Bradesco perdeu 1,38% e o Itaú caiu 1,2%. As petrolíferas aprofundaram as perdas diante do recuo do óleo. Os papéis preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras caíram 2% e a Prio cedeu 1%. A Vale também cedeu 2%.
O desempenho negativo de setores relevantes da bolsa contrasta com a estabilidade do índice geral, indicando rotação de carteiras. Investidores buscam proteção em setores menos dependentes do ciclo doméstico, como exportadoras. Ainda em ajuste, a curva passa a estimar alta da Taxa Selic para 14% em janeiro.
Expectativas para a política monetária
A projeção de Selic a 14% em janeiro sinaliza que o mercado antecipa um Banco Central mais duro para conter pressões inflacionárias. A leitura é semelhante a de Frederico Nobre, gestor de ações da gestora da Warren Investimentos, que vê o cenário com cautela. A fonte não detalhou as projeções do gestor para inflação ou crescimento.
Para o comércio e a indústria do interior paulista, o custo do crédito tende a subir, pressionando o capital de giro. Empresários de Araçatuba e região noroeste devem monitorar os próximos passos do governo e do Banco Central. A estabilidade cambial, se mantida, pode aliviar custos de insumos importados.
Reação do mercado é ‘natural’, diz ministro
O ministro da Fazenda do Brasil disse que a reação do mercado à vitória de Lula foi ‘natural’. A declaração busca minimizar o impacto das oscilações iniciais e transmitir confiança na condução da economia. Durigan reforçou o compromisso com a meta fiscal, mas não apresentou números.
— Não há impacto nenhum, pois, pelo que se ventila, ele não será o novo ministro. Os investidores ouvem mais os boatos de quem será o novo ministro — afirmou uma fonte ligada ao mercado, referindo-se a especulações sobre a equipe econômica. A indefinição sobre nomes-chave mantém a volatilidade elevada no curto prazo.
Para os negócios locais, a estabilidade do dólar abaixo de R$ 5,40 pode trazer alívio nos custos de importação, especialmente para o varejo e a indústria de transformação. Contudo, a alta esperada dos juros tende a encarecer o crédito e reduzir o consumo. O equilíbrio entre câmbio e juros será decisivo para o desempenho da economia regional nos próximos meses.
Perguntas Frequentes
Por que o dólar recuou abaixo de R$ 5,40 após a ‘ressaca eleitoral’?
O dólar comercial iniciou as negociações em leve queda, abaixo de R$ 5,40, após a ‘ressaca eleitoral’, conforme relatado nas claims.
Qual foi a reação do mercado à vitória de Lula, segundo o Ministro da Fazenda?
O Ministro da Fazenda do Brasil disse que a reação do mercado à vitória de Lula foi ‘natural’.
O que a Fitch afirmou sobre a reeleição de Lula em relação às incertezas fiscais?
A Fitch afirmou que a reeleição de Lula ‘aumenta as incertezas fiscais’ e que a incapacidade de implementar medidas que melhorem a credibilidade fiscal e a sustentabilidade da dívida no médio prazo poderia gerar pressões negativas sobre o rating.




























