Aliados de Lula reagem à pressão do mercado

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Após o tombo dos ativos financeiros na semana passada em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo e do PT intensificaram uma ofensiva contra o que classificam de “chantagem, terrorismo e especulação” do mercado. A investida começou com o ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia Rui Costa, que na sexta-feira (30) criticou o setor financeiro, dizendo que esses agentes também precisam pensar no país.

“O Brasil precisa discutir o setor financeiro, aqueles que fazem formação de preço, formação de expectativas. Eles precisam também pensar no país”, disse Rui em entrevista ao portal Metrópoles. “Tem muito, na minha opinião, de especulação, de busca de ganhos extraordinários.” O ex-ministro, que participou da campanha do presidente, não especificou como se daria essa discussão, mas deu como exemplo o caso de um detentor de um contrato de pavimentação de uma rua que tivesse o poder de formar expectativas sobre o preço do asfalto.

O interesse desse empresário estaria em aumentar as expectativas de preço para que o governo pagasse mais caro pelo asfalto no futuro.

Reação de lideranças petistas

No mesmo dia, a ex-presidente do PT e ex-ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann usou a discussão sobre um artigo do economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, publicado em 25 de setembro, para criticar o mercado financeiro. Gleisi disse que o artigo era fundamental para enfrentar o que chamou de ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira. “Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica”, diz um trecho de sua publicação.

O presidente do PT, Edinho Silva, também se manifestou. Ele disse que as especulações na área econômica não colaboram com o país e só fazem o jogo “dos oportunistas do mercado, daqueles que apostam contra o governo Lula, contra o futuro do país”. Em nota enviada à reportagem neste domingo, Edinho reforçou: “O único que fala em nome do governo Lula na política econômica é o ministro Dario Durigan”.

Contexto e próximos passos

Diante da repercussão negativa sobre o rumor de que Lara Resende se reuniria com Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que estivesse no radar do governo um tabelamento de juros. A ofensiva de autoridades ligadas ao governo Lula ocorre às vésperas do próximo encontro do Copom (Comitê de Política Monetária), que decide na quarta-feira (4) o nível da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 13,75% ao ano.

Para o deputado federal eleito Guilherme Boulos (PSOL-SP), aliado do governo, a pressão do mercado não pode se sobrepor à vontade popular. “Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia”, disse. Para Boulos, a receita para economizar inclui discutir temas como desonerações fiscais, supersalários e emendas parlamentares impositivas.

As declarações dos aliados de Lula refletem a tensão entre o governo eleito e o mercado financeiro, em um momento de definição da política econômica. A fonte não detalhou se haverá medidas concretas para conter a pressão ou se as críticas permanecerão no campo discursivo.

Perguntas Frequentes

O que aliados de Lula disseram sobre a pressão do mercado financeiro após a reeleição?

Aliados de Lula, como Rui Costa e Gleisi Hoffmann, classificaram a pressão do mercado como ‘chantagem, terrorismo e especulação’, criticando o setor financeiro por não pensar no país.

Quem são os principais porta-vozes da ofensiva do governo contra o mercado?

Os principais porta-vozes são o ex-ministro Rui Costa, a ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann e o presidente do PT, Edinho Silva, que afirmou que especulações só fazem o jogo dos ‘oportunistas do mercado’.

Qual é a posição oficial do governo Lula sobre a política econômica, segundo Edinho Silva?

Segundo Edinho Silva, o único que fala em nome do governo Lula na política econômica é o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que negou qualquer plano de tabelamento de juros.

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