E-mail de Natal a Lemann criou QI Tech, gigante de US$ 2 bi

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QI Tech: e-mail de Natal a Lemann criou gigante de US$ 2 bi

No Natal, Pedro Mac Dowell enviou um e-mail a Jorge Paulo Lemann com uma proposta ambiciosa: criar uma empresa que unisse a tecnologia da AWS, da Amazon, com a infraestrutura financeira da Stripe. A mensagem deu origem à QI Tech, fintech que hoje atende marcas como Vivo e Wellhub e é avaliada em US$ 2 bilhões. A história revela como uma ideia bem direcionada pode transformar o mercado de serviços financeiros para empresas.

O e-mail que desencadeou a QI Tech

Mac Dowell administrava a Quatá Investimentos, gestora que financiava empresas com dinheiro de investidores. Ele escolhia quem receberia os recursos, mas precisava contratar um banco para formalizar os empréstimos e executar as operações. Essa dependência o levou a buscar uma solução própria, inspirada em dois gigantes: a AWS, que vende tecnologia para outros negócios, e a Stripe, uma fintech de pagamentos. A proposta reunia essas duas referências em uma única plataforma.

Lemann respondeu indicando alguém que conhecia aquele mercado: André Street, um dos fundadores da Stone, fintech brasileira de pagamentos. As conversas ajudaram a desenvolver a proposta. Mac Dowell começou a deixar o comando da Quatá e reuniu com os sócios R$ 3 milhões para montar a nova empresa. A transição marcou o início de uma jornada que exigiria recomeçar do zero.

Recomeços e lições do primeiro negócio

Recomeçar não era novidade para Mac Dowell. Aos 24 anos, depois de trabalhar com análise de crédito, ele havia entrado em uma gestora com um amigo. Vendeu o carro e aplicou suas economias, mas o dinheiro era pouco e os sócios discordavam sobre como gastá-lo. Uma lembrança resume o desencontro: ele queria destinar recursos à equipe, enquanto um sócio gastava com um revestimento que imitava madeira nas paredes do escritório. A empresa precisava de mais investidores para pagar as contas, e cada despesa diminuía o tempo disponível para encontrá-los.

O negócio durou cerca de seis meses. Os sócios venderam o que tinham montado, recuperaram uma parte do dinheiro e encerraram a experiência. Mac Dowell foi trabalhar em uma corretora, onde continuou fazendo operações de crédito, mas com pouca autonomia para decidir os rumos da empresa. Essa fase reforçou a importância de alinhamento societário e gestão de caixa.

Quatá: persistência em meio à crise

Em 2008, tentou novamente. Vendeu um carro, resgatou investimentos e reuniu dinheiro suficiente para manter a estrutura da Quatá por dez meses. A crise financeira afastou parte dos investidores que haviam prometido recursos. Mesmo assim, a gestora saiu do papel e cresceu. Anos depois, a Quatá dava dinheiro, mas já não oferecia o desafio que ele procurava. A saída foi gradual: Mac Dowell manteve recursos investidos e permaneceu por um período no comitê, enquanto outros profissionais assumiam suas funções.

Essa experiência consolidou sua visão sobre o mercado de crédito e a necessidade de infraestrutura tecnológica própria. A decisão de criar a QI Tech veio da percepção de que os bancos tradicionais não atendiam com agilidade as demandas de empresas como a sua gestora.

Construindo do zero e cultura de agilidade

A escolha significava escrever o sistema desde o início. Para acompanhar as tarefas, a equipe fazia reuniões em pé: cada pessoa tinha cerca de um minuto para contar o que faria naquele dia e dizer de quem precisava de ajuda. “E ficar de pé incomoda, então faz com que seja rápido”, conta Mac Dowell. O hábito sobreviveu ao crescimento. O fundador também continua trabalhando junto dos colegas, sem um escritório reservado. “Eu não tenho uma sala, sento com todo mundo”, diz.

Essa cultura de proximidade e eficiência ajudou a QI Tech a desenvolver soluções que eliminam burocracias. A empresa cresceu atendendo grandes clientes, mas o caminho não foi livre de obstáculos regulatórios e operacionais.

O desafio tributário que quase travou tudo

O problema apareceu na hora de recolher os tributos. A empresa estava sendo tratada como uma prestadora de serviços comum, o que levaria à emissão de uma nota fiscal para cada transferência. O trabalho se multiplicaria a cada pagamento ou movimentação feita pelos clientes. “Para cada TED que a gente mandava, na teoria eu tinha que emitir uma nota, porque oficialmente eu estava prestando um serviço. Falei: cara, ferrou”, lembra.

A solução exigiu adaptação do modelo de negócio e diálogo com as autoridades fiscais. A QI Tech conseguiu estruturar suas operações para atuar como uma instituição financeira, evitando a emissão individual de notas e garantindo escalabilidade. Esse ajuste foi crucial para alcançar a avaliação bilionária e atender clientes de grande porte.

Para empresas do interior paulista, a trajetória da QI Tech mostra como a inovação pode simplificar processos financeiros e reduzir custos operacionais. A fintech segue expandindo sua atuação e inspirando empreendedores que buscam soluções integradas de tecnologia e serviços financeiros.

Perguntas Frequentes

Como Pedro Mac Dowell conseguiu o apoio de Jorge Paulo Lemann para fundar a QI Tech?

Pedro Mac Dowell enviou um e-mail para Jorge Paulo Lemann no Natal apresentando sua ideia de criar uma mistura de AWS com Stripe. Lemann respondeu indicando André Street, um dos fundadores da Stone, cujas conversas ajudaram a desenvolver a proposta.

Qual foi o investimento inicial para criar a QI Tech e de onde veio o dinheiro?

Mac Dowell e seus sócios reuniram R$ 3 milhões para montar a nova empresa, após ele começar a deixar o comando da Quatá Investimentos.

Que desafio tributário a QI Tech enfrentou no início e como isso afetou as operações?

A empresa estava sendo tratada como prestadora de serviços comum, o que exigiria a emissão de uma nota fiscal para cada transferência (TED) realizada, multiplicando o trabalho a cada pagamento ou movimentação dos clientes.

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