Inter eleva Selic 2026 e prevê pausa nos cortes

0
4
Inter eleva Selic 2026 e prevê pausa nos cortes

O Banco Inter revisou suas projeções para a taxa Selic e agora estima que os juros encerrem 2026 em 13,50%, com uma pausa nos cortes antes do esperado. A mudança consta em relatório assinado pela economista-chefe Rafaela Vitória, divulgado nesta semana. O cenário principal ainda contempla uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom), mas esse seria o último corte antes de uma pausa que deve durar até o fim de 2027.

A decisão reflete um ambiente inflacionário mais desafiador e a necessidade de manter a política monetária restritiva por mais tempo. Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a sinalização de juros altos por período prolongado impacta diretamente o custo do crédito e o planejamento de investimentos.

Inter antecipa pausa e revisa inflação

O banco agora admite que até mesmo o corte de novembro está sujeito a revisão. No relatório, o Inter reconhece que o Banco Central pode antecipar a pausa e manter a taxa nos atuais 13,75%. A cautela acompanha uma revisão expressiva da projeção de inflação para 2027: de 3,9% para 5%. O banco avalia que o IPCA acumulado em 12 meses pode se aproximar de 6% até fevereiro.

Entre as fontes de pressão estão a alta do dólar para R$ 5,40, a retirada parcial dos subsídios à gasolina e os possíveis efeitos do fim da escala 6×1 e da implementação do IVA em 2027. Segundo o relatório, esses fatores podem provocar reajustes inesperados, principalmente nos serviços. Para o comércio local, a inflação de serviços tende a corroer o poder de compra das famílias e elevar custos operacionais.

Atividade fraca sustenta último corte

A desaceleração da economia, por outro lado, ainda sustenta a expectativa de um último corte. O Inter vê perda de força generalizada nos indicadores de atividade e crédito, além de sinais de arrefecimento do mercado de trabalho, apesar do desemprego na mínima histórica. Esse cenário misto coloca o Copom diante de um dilema: conter a inflação sem aprofundar a desaceleração.

Na avaliação do banco, uma Selic de 13,50% seria suficientemente restritiva para amortecer os choques inflacionários esperados para o começo de 2027. Isso permitiria uma redução adicional, mas sem espaço para continuar o movimento depois. Para pequenas e médias empresas, o custo do capital de giro permanece elevado, exigindo cautela na gestão financeira.

Retomada dos cortes depende do fiscal

O Inter estima que as reduções dos juros sejam retomadas somente no fim de 2027, condicionadas à implementação de medidas fiscais. Para o banco, será necessário combinar ações que melhorem o resultado das contas públicas no próximo ano com mudanças estruturais que controlem a expansão dos gastos nos anos seguintes. A ausência de ajuste fiscal pode adiar ainda mais a flexibilização monetária.

O relatório também admite um cenário mais adverso com uma possível volta das altas da Selic. Embora considere essa possibilidade improvável neste momento, Vitória não a descarta caso o governo adie medidas de ajuste ou amplie despesas de forma imprevisível, agravando o déficit e pressionando o real. Para o setor produtivo, a mensagem é clara: o ambiente de juros altos veio para ficar, e a previsibilidade depende das decisões fiscais.

Perguntas Frequentes

Qual é a nova projeção do Inter para a taxa Selic no fim de 2026?

O Inter agora estima que a Selic encerre 2026 em 13,50%, após uma pausa nos cortes que deve durar até o fim de 2027.

Por que o Inter revisou sua projeção de inflação para 2027?

O banco elevou a projeção de inflação para 2027 de 3,9% para 5%, citando pressões como a alta do dólar para R$ 5,40, a retirada parcial dos subsídios à gasolina e os possíveis efeitos do fim da escala 6×1 e da implementação do IVA.

O Inter considera possível uma volta das altas da Selic?

Sim, o relatório admite um cenário mais adverso com possível volta das altas da Selic, embora considere essa possibilidade improvável no momento, caso o governo adie medidas de ajuste ou amplie despesas de forma imprevisível.

Fonte

Leave a reply