Risco de nova intervenção do Tesouro paira sobre juros

Crédito: Valor Econômico
O risco de uma nova intervenção do Tesouro Nacional no mercado de juros voltou a preocupar investidores e agentes financeiros. Em março, a atuação foi histórica, com recompra recorde de títulos públicos prefixados e NTN-Bs. Agora, com as taxas subindo novamente, o debate sobre a necessidade de uma nova ação ganha força, embora ainda não haja consenso.
Taxas disparam e mercado reage
Em apenas uma semana, as taxas aumentaram até 70 pontos-base (0,7 ponto percentual) nos vencimentos de 2028. As NTN-Bs chegam a 8% e nem assim empolgam o mercado, que segue cauteloso. O movimento recente reacendeu o temor de que o Tesouro precise intervir novamente para conter a volatilidade.
Um profissional pondera que o Tesouro precisa ser ativo no curto prazo, pois as posições em juros estão muito menores do que em março e o Tesouro ainda precisa se financiar. A fonte não detalhou qual seria o volume necessário de atuação.
Divergência entre especialistas
A parcela do mercado que defende outra intervenção ativa, como a de março, por ora, é minoritária. É praticamente consensual a ideia de que os próximos leilões do Tesouro devem vir bastante tímidos, a fim de não adicionar ainda mais volatilidade às taxas.
Na avaliação de Luis Felipe Vital, chefe de estratégia macro e dívida pública da Warren Investimentos, além de um posicionamento técnico menos estressado, não há um choque de expectativas tão grande como o que ocorreu em março. Em março, o salto dos preços do petróleo começou a jogar dúvidas sobre o ciclo de cortes da Selic que o mercado esperava. Agora, o cenário é diferente, mas ainda assim preocupa.
Pressão por ação do Tesouro
Um profissional defende que o mercado perdeu referência e que seria hora do Tesouro cancelar os leilões de NTN-B e de prefixados e se dizer atento às condições de mercado. Para esse profissional, sem algum tipo de intervenção, é possível que as taxas subam ainda mais “só por fluxo”, sem novos fatores negativos a precificar.
Genoa defende pausa na Selic e não descarta discussão sobre retomada das altas de juros. A fonte não detalhou, mas a declaração reforça o ambiente de incerteza que domina o mercado.
O cenário atual exige atenção dos agentes econômicos, especialmente no interior paulista, onde empresários e comerciantes de cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis acompanham de perto os desdobramentos. A volatilidade nos juros pode impactar o crédito e o custo de financiamento para pequenas e médias empresas, afetando investimentos e o consumo local.
Perguntas Frequentes
O que aconteceu em março que gerou o risco de nova intervenção do Tesouro?
Em março, o Tesouro fez uma recompra recorde de títulos públicos prefixados e NTN-Bs, após um salto nos preços do petróleo que gerou dúvidas sobre o ciclo de cortes da Selic.
Qual a taxa atual das NTN-Bs e por que o mercado não se empolga?
As NTN-Bs chegam a 8%, mas o mercado não se empolga devido ao risco de nova intervenção do Tesouro e à volatilidade, com taxas subindo até 70 pontos-base em uma semana nos vencimentos de 2028.
O que o mercado espera dos próximos leilões do Tesouro?
É praticamente consensual que os próximos leilões do Tesouro devem ser bastante tímidos para não adicionar volatilidade às taxas, embora uma parcela minoritária defenda outra intervenção ativa como a de março.




























