Brasil bate recorde de endividamento das famílias em 2026

Crédito: Correio do Povo
Em abril de 2026, o Brasil atingiu o maior nível de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O recorde acende um alerta para consumidores e empresários, especialmente no interior paulista, onde o crédito fácil e as compras parceladas têm pressionado o orçamento doméstico. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que apenas renegociar dívidas não é suficiente: é preciso uma mudança efetiva de comportamento financeiro.
Endividamento recorde e seus significados
Segundo a Peic, estar endividado significa contrair parcelamento ou compromisso de pagamento mais vultoso que a renda. Já a inadimplência ocorre quando não há capacidade de pagamento dos contratos. O levantamento da CNC mostra que, nos últimos dez anos, o brasileiro trocou o ônibus pelo Uber, popularizou pedir comida por aplicativo e passou a comprar online com mais facilidade. Essas mudanças, embora tragam conforto, também geram um ônus financeiro adicional, conforme alerta o economista consultado.
O perigo do ‘cabe na parcela’
Muitas decisões de compra são tomadas a partir da pergunta ‘cabe na parcela?’, sem considerar o custo total da dívida. O cidadão brasileiro está preocupado se vai caber no orçamento, e uma parcela de R$ 20, 12 prestações de R$ 20, ele acha que aguenta. O problema é que embute juros, que podem elevar significativamente o valor final. Essa lógica de consumo imediatista contribui para o endividamento crônico das famílias.
Renegociação: alívio temporário
A renegociação precisa ser acompanhada de uma mudança efetiva de comportamento. O processo de ‘limpar o nome’ pode reduzir juros, reorganizar parcelas e promover o acesso ao crédito, mas não impede, sozinho, que a família volte a se endividar. É necessário se conscientizar e reorganizar o orçamento doméstico. Entre as principais medidas recomendadas por Gustavo Moraes estão: elaborar um planejamento financeiro, cortar gastos supérfluos e priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos.
O papel do Desenrola
Moraes ressalta que o Desenrola tem efeito limitado quando não acompanhado de uma mudança sistêmica na organização financeira. O programa disponibiliza um recurso que já é do trabalhador (o FGTS) para evitar o pagamento de juros adicionais. ‘É absurdo ter um fundo garantidor, estar endividado e não poder acessá-lo’, afirma. Contudo, o Desenrola é meramente um instrumento paliativo. O programa faz justiça ao permitir que o cidadão use recursos que já fazem parte de seu patrimônio, como o FGTS, para amortizar dívidas. A crítica está no fato de que a medida atua sobre a consequência do problema, e não em sua origem.
Impacto no comércio local
Para empresários de Aracatuba e região noroeste paulista, o alto endividamento das famílias reduz o poder de compra e pode levar a um aumento da inadimplência no comércio. A CDL local recomenda que os lojistas avaliem com cautela a concessão de crédito e ofereçam opções de parcelamento consciente. A mudança de comportamento dos consumidores é essencial para a saúde financeira tanto das famílias quanto dos negócios.
Perguntas Frequentes
Qual foi o recorde de endividamento das famílias brasileiras em abril de 2026?
Em abril de 2026, o Brasil registrou o maior nível de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Por que apenas renegociar dívidas não resolve o problema do endividamento no Brasil?
A renegociação precisa ser acompanhada de uma mudança efetiva de comportamento, pois o processo de ‘limpar o nome’ não impede, sozinho, que a família volte a se endividar. É necessário se conscientizar e reorganizar o orçamento doméstico.
Qual é a crítica ao programa Desenrola em relação ao endividamento?
O Desenrola é considerado um instrumento paliativo, pois atua sobre a consequência do problema, e não em sua origem. Embora permita usar recursos como o FGTS para amortizar dívidas, a medida não promove uma mudança sistêmica na organização financeira.




























