IPCA de maio de 2024 rompe teto da meta e pressiona Selic

Crédito: InfoMoney
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio rompeu o teto da meta de inflação, acendendo um sinal de alerta no mercado financeiro. O indicador avançou 0,58% no mês, superando as projeções dos analistas, que esperavam entre 0,52% e 0,55%. Com isso, o acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, acima do limite superior da meta, que é de 4,5%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo IBGE.
Habitação puxa alta, transportes aliviam
O grupo Habitação foi o principal vetor de pressão, com alta de 1,22%, impulsionado pelo aumento de 3,67% na energia elétrica residencial. Por outro lado, o grupo Transportes registrou queda de 0,46%, puxado pela redução de 1,46% no preço da gasolina e de 6,20% no etanol. Esse alívio nos combustíveis ajudou a conter uma alta ainda maior do índice geral.
Para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, a composição do IPCA mostra que a inflação de serviços e itens mais sensíveis ao ciclo econômico segue pressionada, enquanto os choques de oferta, como os combustíveis, perdem força. Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, destaca que a energia elétrica continua sendo um ponto de atenção, especialmente com a aproximação do período seco.
Mercado reduz aposta em manutenção da Selic
O resultado do IPCA de maio reacendeu o debate sobre os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). Até o dia 10 de junho, as apostas do mercado nas Opções Copom, negociadas na B3, indicavam leve queda na expectativa de manutenção da Selic, de 70% para 67,3%. Paralelamente, as apostas em um corte subiram de 29,5% para 31,36%.
Julio Barros, economista do Daycoval, avalia que a inflação acima do esperado reduz o espaço para flexibilização monetária, mas a desaceleração da economia pode justificar um corte cauteloso. Já Leonardo Costa, economista do ASA, e Carlos Lopes, economista do BV, concordam que o cenário ainda é incerto e que o Copom deve aguardar mais dados antes de decidir.
Impacto no interior paulista
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, especialmente de Araçatuba, Birigui e Penápolis, a inflação persistente pressiona o custo de vida e reduz o poder de compra das famílias. Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike, ressalta que a alta da energia elétrica impacta diretamente pequenos negócios, que já operam com margens apertadas. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, complementa que a manutenção dos juros elevados pode inibir o crédito e o consumo, afetando o comércio local.
Diante desse cenário, a decisão do Copom na próxima reunião será crucial para definir o rumo da economia nos próximos meses. O mercado permanece dividido, e a inflação acima da meta adiciona complexidade ao dilema entre estimular o crescimento ou conter os preços.
Perguntas Frequentes
Qual foi a variação do IPCA em maio e como ela se compara com as projeções do mercado?
O IPCA avançou 0,58% em maio, superando as projeções do mercado, que estavam entre 0,52% e 0,55%.
Quais foram os principais grupos que influenciaram o IPCA de maio?
O grupo Habitação avançou 1,22%, com destaque para a energia elétrica residencial que teve alta de 3,67%. Já os Transportes registraram queda de 0,46%, com a gasolina recuando 1,46% e o etanol recuando 6,20%.
Como as expectativas do mercado para a Selic mudaram após o IPCA de maio?
Até o dia 10 de junho, as apostas do mercado nas Opções Copom na B3 caíram levemente para a manutenção dos juros, de 70% para 67,3%, enquanto as apostas para o corte subiram de 29,5% para 31,36%.



























