Ibovespa enfrenta pior sequência de quedas desde 2023

Crédito: G1
Depois de meses renovando recordes históricos, a bolsa de valores brasileira mudou de direção. No entanto, nesta terça-feira (18), o Ibovespa, principal índice da B3, chegou à 11ª sessão consecutiva de queda, registrando a maior sequência de perdas desde 2023. O principal gatilho para essa trajetória foi a retirada de recursos por investidores estrangeiros. Portanto, até 13 de agosto, eles retiraram R$ 15,63 bilhões da bolsa brasileira, a maior saída mensal desde 2022.
O recorde anterior de saída de capital estrangeiro havia sido registrado apenas três meses antes, em maio, quando o fluxo negativo somou R$ 13,28 bilhões. Dessa forma, o ano de 2026 já concentra as duas maiores retiradas mensais de capital estrangeiro da série histórica.
Dessa forma, se a tendência continuar, o Ibovespa poderá igualar — ou até superar — a marca de 13 pregões consecutivos de queda, registrada em agosto de 2023. Essa é a maior sequência de perdas desde 2023.
Essa sequência de perdas acontece depois que o índice superou pela primeira vez os 190 mil pontos, renovando sucessivos recordes. Por outro lado, o movimento contrasta com o observado no início do ano, quando os investidores estrangeiros aplicaram R$ 42,56 bilhões na bolsa brasileira, um dos maiores volumes registrados na última década. Esse fluxo ajudou o Ibovespa a renovar recordes e a superar, pela primeira vez, os 190 mil pontos. Essa recuperação, no entanto, não se sustentou.
O que mudou no cenário
Naquele momento, o Brasil reunia uma série de fatores considerados atrativos. A confiança, contudo, começou a mudar. Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus, esse cenário começou a mudar quando os investidores perceberam que os cortes na Selic, a taxa básica de juros da economia, seriam menos intensos do que o esperado.
No início do ano, parte do mercado acreditava que o Banco Central do Brasil (BC) teria espaço para reduzir os juros de forma mais intensa ao longo de 2026, já que a Selic estava no maior patamar em quase duas décadas.
Assim sendo, a combinação de fatores levou muitos investidores a reduzir suas apostas no Brasil:
- Saída recorde de investidores estrangeiros;
- Dúvidas sobre o ritmo de queda dos juros;
- Incertezas fiscais e eleitorais;
- Agravamento do cenário geopolítico.
Todos esses elementos contribuem, sobretudo, para a aversão a risco. Em resumo, essa combinação de fatores ajudou a transformar o otimismo do início do ano em aversão a risco, e o mercado passou a adotar uma postura mais defensiva.
Setores mais afetados
Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, os setores mais prejudicados neste momento são, por exemplo:
- Varejo;
- Empresas que vendem produtos e serviços não essenciais (roupas, eletrodomésticos, móveis, veículos);
- Companhias que dependem do crédito.
Dessa forma, esses setores estão entre os mais sensíveis ao ciclo econômico. Consequentemente, a retração desses segmentos pode impactar a economia como um todo.
Desempenho e perspectivas
Em 2026, o desempenho acumulado ainda é positivo: o Ibovespa sobe 4,16%. No entanto, o mês de agosto praticamente eliminou os ganhos acumulados no ano. Além disso, a perda no mês é de 5,71%, o que coloca a bolsa brasileira como a segunda pior entre os 21 principais mercados acionários acompanhados pela consultoria Elos Ayta.
O movimento de queda começou a perder força na quarta-feira seguinte, quando o índice conseguiu encerrar a fase ruim e fechou em alta de 0,90%. Se tivesse caído nessa sessão e na próxima, igualaria o recorde histórico de recuos. Todavia, o mercado segue monitorando o comportamento dos estrangeiros e os próximos passos da política monetária. A reação positiva na quarta-feira trouxe alívio, mas o cenário segue incerto.
Em resumo, o Ibovespa em queda exemplifica o efeito desses fatores sobre os ativos brasileiros. Portanto, acompanhar a evolução do cenário é fundamental para investidores e empresas.
Perguntas Frequentes
Por que o Ibovespa vive a pior sequência de quedas desde 2023?
O principal gatilho foi a retirada de recursos por investidores estrangeiros, que somou R$ 15,63 bilhões até 13 de agosto, a maior saída mensal desde 2022. Além disso, dúvidas sobre o ritmo de queda dos juros, incertezas fiscais e eleitorais e o agravamento do cenário geopolítico levaram investidores a reduzir apostas no Brasil.
Quais setores são mais afetados pela queda do Ibovespa?
Segundo Sidney Lima, os setores mais prejudicados são, sobretudo, o varejo e as empresas que vendem produtos e serviços não essenciais, como roupas, eletrodomésticos, móveis e veículos, além das companhias que dependem do crédito.
Qual o desempenho do Ibovespa em 2026?
O Ibovespa ainda acumula alta de 4,16% no ano, mas a perda de agosto é de 5,71%, o que coloca a bolsa brasileira como a segunda pior entre 21 mercados acompanhados pela Elos Ayta. Contudo, na quarta-feira, o índice subiu 0,90% e interrompeu a sequência de quedas.




























