Trump mira monopólio de frigoríficos nos EUA

Crédito: CNN Brasil
O governo dos Estados Unidos deve anunciar ainda hoje detalhes para viabilizar o plano indicado pelo presidente Donald Trump de permitir legalmente que pecuaristas americanos possam processar alimento dentro de suas propriedades. A medida visa quebrar o domínio dos gigantes da carne no país, conforme declarou o próprio presidente em uma rede social, ao prometer expandir medidas legais para ampliar o direito ao setor produtivo e acabar com o que chamou de “monopólio perverso” das gigantes de carnes globais.
Segundo informações da agência Reuters e do jornal britânico The Guardian, a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, afirmou que haverá “grandes anúncios” para garantir que o país tenha capacidade de produzir seus próprios alimentos, uma questão de segurança nacional. A secretária indicou que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) quer reduzir entraves regulatórios associados ao processamento de carne. Uma alternativa é ampliar a possibilidade de pecuaristas comercializarem seus produtos entre diferentes estados.
Flexibilização regulatória para processamento na fazenda
O governo americano pretende flexibilizar regras para ampliar o processamento dentro das propriedades e reduzir a dependência dos grandes frigoríficos. A proposta central é permitir que os pecuaristas possam abater, processar e vender carne diretamente, sem a necessidade de passar pelas grandes indústrias. Isso representaria uma mudança significativa na estrutura do setor, hoje dominado por poucas empresas com capacidade de processamento muito ampla.
“Não é necessariamente simples alterar essa lógica. Hoje, essas empresas têm uma capacidade de processamento muito ampla e um domínio muito grande sobre o mercado norte-americano. Portanto, não é simples mudar essa estrutura oferecendo ao produtor a perspectiva de criar frigoríficos próprios”, diz um analista consultado. A transição exige investimentos em infraestrutura, adequação sanitária e logística, o que demanda tempo e capital.
Contexto do setor pecuário americano
Em jogo estão pecuaristas americanos, pressionados por um rebanho insuficiente e baixos preços; frigoríficos, com permissão legal dentro dos parâmetros de segurança alimentar para processar e industrializar a carne; e o consumidor, que sofre com a alta da inflação da carne. “Houve muito incentivo à produção de grãos nos Estados Unidos ao longo desta década, e isso acabou afetando a pecuária. Também tivemos secas nas planícies do norte, que reduziram a disponibilidade de feno para a alimentação dos animais, elevando os custos da dieta animal”, explica o analista.
Esses fatores reduziram o rebanho e encareceram a produção, pressionando os pecuaristas. A concentração do processamento nas mãos de poucas empresas agrava o problema, pois limita as opções de venda e reduz o poder de barganha dos produtores. A flexibilização regulatória busca, portanto, abrir novas alternativas de mercado.
Reações políticas e impacto eleitoral
A medida, no entanto, provocou reação entre pecuaristas e parlamentares de importantes Estados produtores, incluindo o senador republicano Tim Sheehy, de Montana, aliado do presidente. Ainda que o plano seja visto como positivo por muitos produtores, há preocupações sobre a viabilidade prática e os custos de adequação. Em paralelo a essas questões, o governo de Donald Trump tenta estancar a impopularidade associada ao preço da carne bovina antes das eleições de meio período, que ocorrem em novembro, permitindo a importação da proteína animal temporariamente sem taxa extra-cota.
Essa medida de curto prazo visa aliviar a pressão sobre os preços ao consumidor, enquanto as mudanças estruturais no processamento levariam mais tempo para surtir efeito. A combinação de ações imediatas e de longo prazo indica uma estratégia para responder à insatisfação popular sem desestabilizar o setor.
Efeitos esperados no mercado de carne
Na avaliação do analista, mesmo que a iniciativa avance, os efeitos sobre a cadeia de carne bovina dos Estados Unidos não devem aparecer no curto prazo. “É uma medida que não vai produzir mudanças rapidamente. Serão necessários pelo menos dois ou três anos para que isso possa, de fato, trazer algum impacto para o mercado norte-americano”, conclui Iglesias. Portanto, a expectativa é de que os preços ao consumidor permaneçam pressionados no horizonte imediato.
Para os pecuaristas, a possibilidade de processar e vender diretamente pode representar uma nova fonte de receita e maior autonomia, mas exige investimentos e adaptação às normas sanitárias. A redução da dependência dos grandes frigoríficos poderia, no longo prazo, reequilibrar as relações de poder na cadeia produtiva, beneficiando também os consumidores com maior oferta e concorrência.
Perguntas Frequentes
O que Trump planeja fazer para quebrar o domínio dos gigantes da carne nos EUA?
Trump quer flexibilizar regras para permitir que pecuaristas processem carne dentro de suas propriedades e ampliar a comercialização entre estados, reduzindo a dependência dos grandes frigoríficos.
Por que o governo americano quer reduzir a concentração no setor de processamento de carne?
O governo considera o domínio das gigantes um “monopólio perverso” e busca garantir a segurança nacional na produção de alimentos, além de aliviar a pressão sobre pecuaristas e consumidores afetados pela alta da carne.
Quais são os desafios para a iniciativa de Trump ter efeito no mercado de carne dos EUA?
Analistas apontam que as grandes empresas têm ampla capacidade de processamento e domínio do mercado, e que os efeitos da medida podem levar de dois a três anos para aparecer, pois não é simples alterar a estrutura existente.




























