Investidores estrangeiros retiram R$ 7 bi em agosto

Crédito: Folha de S.Paulo
O fluxo de investidores estrangeiros voltou a recuar em agosto, com saldo negativo de R$ 7,2 bilhões na Bolsa brasileira. Com isso, o movimento interrompe a fase positiva do primeiro semestre, quando o capital externo ajudou o Ibovespa a rondar os 200 mil pontos e o dólar a atingir os menores patamares desde 2024. Além disso, juros elevados e temor fiscal estão entre os fatores que reduzem a atratividade das ações brasileiras. Dessa forma, a retirada de agosto é a segunda maior do ano, atrás apenas de maio, quando o saldo foi negativo em R$ 13,3 bilhões.
Primeiro semestre: entrada de R$ 26,5 bilhões em janeiro
Em janeiro, o volume de recursos estrangeiros na Bolsa foi de R$ 26,5 bilhões, semelhante ao registrado em 2025 inteiro. Assim, esse montante ajudou a impulsionar o mercado acionário e o câmbio no primeiro semestre. O fluxo, portanto, levou a Bolsa a rondar os 200 mil pontos e o dólar aos menores patamares desde 2024. No entanto, a força do início do ano não se sustentou nos meses seguintes.
Agosto e o acumulado de 2026
O saldo dos investidores internacionais está negativo em R$ 7,2 bilhões em agosto. Dessa forma, o mês assume a posição de segundo pior do ano, atrás apenas de maio, quando o saldo foi negativo em R$ 13,3 bilhões. Contudo, apesar da retirada, o acumulado de 2026 permanece positivo em R$ 33,8 bilhões. Esse resultado reflete o forte aporte de janeiro, ainda que os meses seguintes tenham apresentado saídas.
Riscos domésticos: eleição e questão fiscal
Redução de recomendação do JPMorgan
De fato, o risco eleitoral brasileiro passou a pesar entre analistas. Nesse contexto, o JPMorgan reduziu a recomendação para as ações brasileiras de ‘overweight’ para ‘neutra’, citando a volatilidade associada às eleições no Brasil. Além disso, o banco afirmou que, em períodos eleitorais, a Bolsa brasileira tende a apresentar desempenho inferior.
Incerteza eleitoral e cenário fiscal
Juros elevados e temor fiscal também reduzem a atratividade das ações brasileiras. Ademais, Alexandre Siqueira afirma que aumenta a incerteza sobre quem assumirá o cargo e sobre a existência de um plano sólido para enfrentar o problema fiscal. A propósito, segundo pesquisa Datafolha do final de julho, Lula tem 48% das intenções de voto no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que tem 43%. O cenário eleitoral indefinido, portanto, contribui para a cautela do capital externo.
Guerra no Irã e liquidez global
Com efeito, a guerra no Irã reverteu o movimento de entrada de recursos nos mercados emergentes. Assim, investidores globais passaram a reduzir alocações nesses mercados e buscar ativos de maior liquidez. Os primeiros ataques dos EUA e de Israel contra o Irã ocorreram no fim de fevereiro. Contudo, até o início do conflito, o índice DXY recuava 0,72%; desde então, acumula alta de 2,46%.
Concorrência com as Bolsas americanas
Em contrapartida, o mercado acionário local enfrenta a competição das Bolsas americanas. Por exemplo, no acumulado de 2026, os índices americanos superam o Ibovespa em valorização:
- S&P 500: +13,12%
- Nasdaq: +14,29%
- Ibovespa: +4%
Esses números, por sua vez, mostram a vantagem dos ativos dos Estados Unidos no período e ilustram a competição que o mercado brasileiro enfrenta.
Condições para retomada do capital externo
Por sua vez, Nicola, da AVIN, aponta três condições que poderiam favorecer a retomada dos investimentos estrangeiros. Em primeiro lugar, destaca-se a melhora na percepção sobre a trajetória fiscal. No entanto, as demais condições não foram detalhadas. Assim sendo, a trajetória do fluxo estrangeiro dependerá da combinação entre a percepção fiscal e o ambiente externo.
Síntese do movimento
Em síntese, a saída de investidores estrangeiros em agosto é resultado de um conjunto de fatores. Ou seja, no campo doméstico, o risco eleitoral e a falta de um plano fiscal sólido aumentam a incerteza. Por outro lado, no campo externo, a guerra no Irã reduziu a propensão a investir em emergentes, e a valorização das Bolsas americanas desviou a atenção de ativos locais. Além disso, a recomendação do JPMorgan reflete a percepção de que a Bolsa brasileira tende a performar pior em períodos eleitorais. Nesse contexto, o índice DXY acumula alta de 2,46% desde o início do conflito, o que reforça o ambiente de aversão ao risco. Por fim, para reverter esse quadro, especialistas apontam a melhora na percepção fiscal como condição inicial.
Perguntas Frequentes
Quanto os investidores estrangeiros retiraram da Bolsa brasileira em agosto e qual o saldo no ano?
Em agosto, os estrangeiros retiraram R$ 7,2 bilhões, o segundo pior saldo do ano, atrás apenas de maio (R$ 13,3 bilhões negativos). Já no acumulado de 2026, o saldo ainda é positivo em R$ 33,8 bilhões.
Quais os motivos para a saída de estrangeiros da Bolsa brasileira em agosto?
De modo geral, a retirada foi influenciada por juros elevados, temor fiscal, a guerra no Irã, que reverteu o movimento, e a competição com as Bolsas americanas, que têm valorização maior (S&P 500 +13,12%, Nasdaq +14,29% vs Ibovespa +4% no acumulado de 2026). Além disso, o risco eleitoral também pesou, com o JPMorgan reduzindo a recomendação para as ações brasileiras.
Como a guerra no Irã afetou o fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira?
Especificamente, a guerra no Irã reverteu o movimento de fluxo positivo observado no primeiro semestre, quando a Bolsa chegou a rondar os 200 mil pontos e o dólar caiu para mínimas desde 2024. Consequentemente, investidores globais passaram a reduzir alocações em mercados emergentes e buscar ativos de maior liquidez, e o índice DXY, que caía 0,72% antes do conflito, acumula alta de 2,46% desde o fim de fevereiro, quando ocorreram os primeiros ataques.




























