Trump anuncia medida contra monopólio da carne

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (28) que prepara medidas para permitir que agricultores e pecuaristas processem a própria produção, em uma nova ofensiva contra a concentração do setor de carnes no país. A declaração foi feita em meio a críticas crescentes da Casa Branca às grandes processadoras, que, segundo o governo, dominam o mercado e prejudicam produtores e consumidores.

Contexto do anúncio

O anúncio ocorre dois dias depois de Trump afirmar em um podcast que existe um monopólio no processamento de carne bovina nos Estados Unidos e pouco mais de duas semanas após seu conselheiro comercial, Peter Navarro, acusar quatro grandes empresas do setor de formar um cartel. A ofensiva ganhou força neste mês, com declarações contundentes de Navarro sobre a presença de empresas brasileiras no mercado americano.

“Há, essencialmente, quatro delas, um número nada competitivo, e elas tornam horrível a vida dos nossos maravilhosos agricultores e pecuaristas”, escreveu Trump nesta sexta-feira, sem citar nominalmente as companhias. A fonte não detalhou quais seriam essas quatro empresas, mas o setor é conhecido pela concentração em poucos grupos.

Críticas ao cartel e presença brasileira

Em entrevista a jornalistas no último dia 11, Navarro afirmou que as quatro maiores empresas constituem um “cartel” e destacou especificamente a presença brasileira no setor. “E fica pior porque duas das quatro empresas são de propriedade brasileira e estão envolvidas até o pescoço com os chineses”, afirmou na ocasião. JBS e National Beef, da MBRF, estão entre quatro empresas que dominam setor nos EUA; companhias ainda não se pronunciaram.

Navarro também acusou as empresas de exercer pressão dos dois lados da cadeia, pagando menos aos pecuaristas pelo gado e cobrando preços mais altos dos supermercados. “O que a parte brasileira do cartel faz, como qualquer cartel faria, é maximizar seus preços globalmente, e os americanos estão pagando a conta por isso”, disse.

Inflação da carne e medidas recentes

Em números oficiais, a inflação da carne foi de 9,4% nos 12 meses encerrados em julho, segundo o índice de preços ao consumidor divulgado pelo Departamento do Trabalho. Esse aumento tem pressionado o governo a buscar alternativas para reduzir os custos aos consumidores.

Na quarta-feira (26), Trump também assinou uma medida para ampliar temporariamente em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que pode entrar no país sob uma cota com tarifa reduzida, numa tentativa de diminuir os preços pagos pelos consumidores. A estratégia provocou críticas de representantes dos pecuaristas americanos, que temem que o aumento das importações pressione os preços recebidos pelos produtores locais.

Regulamentação e inspeção federal

A legislação impede que pecuaristas comercializem carne de animais abatidos e processados por eles próprios sem inspeção federal, embora existam exceções. A fiscalização é realizada pelo Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura. Trump respondeu que analisaria se havia regulamentação excessiva no setor, sinalizando possível flexibilização dessas regras.

As medidas propostas podem ter impacto significativo para produtores locais, inclusive no interior paulista, onde o agronegócio é relevante para a economia regional. A possibilidade de processamento próprio poderia abrir novos mercados para pequenos e médios pecuaristas, mas ainda não há detalhes sobre como a mudança seria implementada.

Perguntas Frequentes

O que Trump anunciou contra o monopólio da carne nos EUA?

Trump afirmou que prepara medidas para permitir que agricultores e pecuaristas processem a própria produção, em uma ofensiva contra a concentração do setor de carnes.

Quais empresas dominam o processamento de carne bovina nos EUA, segundo o governo Trump?

Quatro grandes empresas dominam o setor, incluindo a JBS e a National Beef (da MBRF), ambas de propriedade brasileira, conforme acusações do conselheiro comercial Peter Navarro.

Qual foi a inflação da carne nos EUA nos 12 meses até julho?

A inflação da carne foi de 9,4% nos 12 meses encerrados em julho, segundo o índice de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho.

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