Mercado prevê ciclo de queda de juros mais curto e Selic mais alta, diz Copom

Crédito: CNN Brasil
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, veio acompanhada de um comunicado mais cauteloso, que incluiu a palavra “extensão”. Esse tom levou o mercado a revisar suas projeções, com a expectativa de que o ciclo de queda seja mais curto e termine com juros mais altos do que se previa anteriormente.
Revisões de cenário e novas projeções
A leitura mais cautelosa se traduziu em revisões de cenário, com parte relevante do mercado abandonando a expectativa de juros em 13% no fim dos cortes. A SulAmérica Investimentos, por exemplo, passou a projetar a Selic em 14% ao final do ciclo. Já o Itaú elevou sua projeção para a taxa básica de juros em 2026 para 13,25% ao ano. Essas revisões indicam que o mercado espera um aperto monetário mais prolongado.
Riscos geopolíticos e efeitos de segunda ordem
Parte relevante do debate gira em torno de riscos dos resultados naturais do conflito no Oriente Médio, os chamados efeitos de segunda ordem. O BC destacou a preocupação com esses efeitos, mas os indicadores mais recentes ainda não apontam para uma disseminação generalizada da inflação. A desaceleração dos serviços e a estabilidade dos núcleos sugerem que o choque permanece concentrado em itens mais voláteis, como combustíveis e alimentos.
Visão de especialistas sobre o cenário
Marcela Kawauti, economista, afirmou que esses efeitos ainda não aparecem de forma clara nos dados, mas seguem no radar do BC. Segundo ela, o cenário atual combina choques concentrados em itens voláteis com uma incerteza elevada sobre a capacidade de esses aumentos se espalharem pela economia. Kawauti afirma: “Os efeitos potenciais sobre commodities também podem ter impactos mais amplos, dependendo do grau de repasse.” Para ela, esse é um fator que exige cautela na condução da política monetária, já que uma eventual disseminação para serviços e núcleos de inflação pode tornar o processo inflacionário mais persistente e limitar ainda mais o espaço para cortes na Selic.
Impacto na condução da política monetária
Segundo a economista, o simples fato de esse risco estar no radar já altera a condução da política monetária. Ela menciona que o documento “deve detalhar o balanço de riscos considerado na decisão recente e oferecer pistas sobre o ritmo futuro de cortes da Selic”. A ata da reunião, que será divulgada nos próximos dias, será acompanhada de perto pelo mercado em busca de sinais sobre os próximos passos do BC.
Perguntas Frequentes
Qual é a nova projeção para a Selic no fim do ciclo de cortes após o Copom?
Parte do mercado abandonou a expectativa de juros em 13% no fim dos cortes. A SulAmérica Investimentos passou a projetar a Selic em 14%, e o Itaú elevou sua projeção para 2026 para 13,25%.
O que o Copom mudou no comunicado que sinalizou um ciclo de cortes mais curto?
O Copom incluiu a palavra “extensão” no comunicado da decisão de cortar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros, indicando uma leitura mais cautelosa.
Como os efeitos de segunda ordem do Oriente Médio influenciam a política monetária?
O BC destacou preocupação com esses efeitos, mas indicadores recentes não apontam disseminação generalizada da inflação. A economista Marcela Kawauti afirma que o risco já altera a condução da política monetária, exigindo cautela.


























