Dólar forte e ações: como o mercado reage e quais ganham

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Dólar forte ações: como mercado reage e quais ganham

O dólar forte está de volta? A combinação de juros mais altos nos Estados Unidos, fluxo para tecnologia americana e incertezas domésticas favorece a moeda americana, segundo análises do Bank of America (BofA) e da Genial Investimentos. As exportadoras brasileiras aparecem entre as principais beneficiadas nesse cenário.

Riscos e resiliência do Brasil

Diferentemente de outros emergentes, a maior parte da dívida pública brasileira é denominada em moeda local, reduzindo a exposição direta a movimentos bruscos do câmbio. O BofA estima que uma depreciação de 10% do real poderia acrescentar aproximadamente 1 ponto percentual à inflação acumulada em 12 meses. Na visão da Genial, o principal risco para a moeda brasileira no segundo semestre está relacionado ao aumento da incerteza eleitoral.

A Genial considera possível uma migração do dólar para a faixa entre R$ 5,40 e R$ 5,80 caso haja deterioração do ambiente político e saída de recursos do país. O retorno da força do dólar global voltou a acender o alerta para mercados emergentes, mas analistas avaliam que o Brasil pode atravessar esse cenário em posição relativamente melhor do que boa parte de seus pares.

Política monetária americana

Em relatório recente, o Bank of America alertou que os riscos de valorização adicional da moeda americana cresceram com a perspectiva de uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve. O BofA projeta uma alta acumulada de 0,75 ponto percentual nos juros americanos em 2026, acima do que o mercado vinha precificando. A Genial Investimentos chega a uma conclusão semelhante, mas acrescenta outros fatores que ajudam a sustentar a tese de um dólar mais forte.

Entre os fatores estão a manutenção de juros elevados nos EUA, a concentração dos fluxos globais em ações ligadas à inteligência artificial e tecnologia e os riscos domésticos brasileiros, como o cenário fiscal e a aproximação das eleições. Segundo os estrategistas da casa, os Estados Unidos seguem atraindo recursos globais não apenas por causa dos juros mais altos, mas também pelo protagonismo das gigantes de tecnologia no atual ciclo de investimentos em inteligência artificial. Isso faz com que investidores internacionais demandem dólares antes mesmo de investir em ações americanas.

Diferencial de juros favorece Brasil

O BofA avalia que o Brasil reúne características que podem torná-lo relativamente mais resiliente nesse ambiente. Um dos fatores é o elevado diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, atualmente próximo dos maiores níveis das últimas duas décadas. Esse spread favorece operações de carry trade e ajuda a sustentar a demanda por ativos brasileiros.

Exportadoras como destaque

Para quem investe em Bolsa, as duas análises apontam um grupo de empresas que tende a sair ganhando em um cenário de dólar mais valorizado: as exportadoras. O BofA destaca companhias como Vale (VALE3), JBS (JBSS32), Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e SLC Agrícola (SLCE3), que possuem receitas dolarizadas e se beneficiam quando a moeda americana sobe frente ao real.

As duas casas também ressaltam que a trajetória do dólar não depende apenas do cenário americano. Fatores domésticos, como o fiscal e o eleitoral, continuarão a influenciar o câmbio nos próximos meses.

Perguntas Frequentes

Quais ações brasileiras podem se beneficiar com o dólar forte?

Exportadoras como Vale (VALE3), JBS (JBSS32), Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e SLC Agrícola (SLCE3) tendem a se beneficiar, pois possuem receitas dolarizadas e ganham com a valorização da moeda americana.

Qual o impacto de uma depreciação de 10% do real na inflação brasileira?

O BofA estima que uma depreciação de 10% do real pode acrescentar aproximadamente 1 ponto percentual à inflação acumulada em 12 meses.

Por que o Brasil pode ser mais resiliente que outros emergentes com o dólar forte?

Diferentemente de outros emergentes, a maior parte da dívida pública brasileira é em moeda local, reduzindo a exposição direta ao câmbio. Além disso, o elevado diferencial de juros entre Brasil e EUA favorece o carry trade e sustenta a demanda por ativos brasileiros.

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