Engie direciona potência para hidrelétricas e linhões

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Engie direciona potência para hidrelétricas e linhões

A Engie, uma das maiores geradoras de energia do Brasil, está mudando sua estratégia. Cansada dos chamados “apagões” da energia renovável — que na prática são cortes forçados de produção — a empresa decidiu direcionar seus investimentos para hidrelétricas e linhas de transmissão. O movimento foi anunciado pelo CEO Eduardo Sattamini, que afirma que a empresa está reposicionando seu portfólio.

Cortes desperdiçam 17% da energia renovável

De acordo com dados da companhia, os cortes de produção — conhecidos como curtailment — desperdiçam 17% de toda a energia renovável gerada pela Engie. Usinas eólicas e solares sofrem reduções na geração para não sobrecarregar o sistema elétrico. O fenômeno é reflexo de uma crise no setor, causada pela sobreoferta de energia renovável.

O CEO Eduardo Sattamini mantém posição crítica sobre os problemas do setor elétrico. Para ele, o curtailment é efeito dos subsídios prolongados às renováveis, aliado ao crescimento desordenado da geração distribuída. “O curtailment é elevadíssimo porque não foram feitas ações para reduzir os subsídios ou favorecimentos a determinados segmentos da geração que cresceram mais do que a demanda”, afirmou.

Hidrelétricas ganham reforço nos investimentos

Diante desse cenário, a Engie decidiu reforçar os investimentos nas hidrelétricas. Atualmente, as usinas hidrelétricas respondem por cerca de 70% da capacidade de energia gerada pela empresa. Um dos projetos de destaque é a expansão da Usina Hidrelétrica de Jaguara, que receberá R$ 1,2 bilhão em investimentos.

Além disso, a empresa planeja incorporar a Usina Hidrelétrica de Jirau. Atualmente, a Engie Participações mantém 40% das ações da usina. Os outros sócios são Axia (40%) e Mitsui (20%). A incorporação deve aumentar ainda mais a participação das hidrelétricas no portfólio da companhia.

Linhões e transmissão: R$ 1,5 bilhão em novos projetos

Outra frente de atuação são as linhas de transmissão. A Engie decidiu reforçar os investimentos nessa área, que já soma 3.205 km de extensão. A empresa arrematou os lotes 2 e 3 no último Leilão de Transmissão da Aneel. Os lotes são para implantação de linhas de transmissão e compensadores síncronos nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Ceará. O investimento previsto é de R$ 1,5 bilhão.

Outro projeto relevante é o linhão do projeto Asa Branca, que conectará três estados. A empresa não detalhou quais são eles, mas a iniciativa reforça a aposta em transmissão como forma de escoar a energia gerada.

Sem novos investimentos em renováveis

Enquanto isso, a usina eólica da Engie não receberá novos investimentos em renováveis. A empresa parece ter desacelerado a expansão em fontes como eólica e solar, focando em ativos que ofereçam maior estabilidade e menor risco de cortes.

A mudança de rota da Engie reflete um movimento mais amplo no setor elétrico brasileiro, onde a sobreoferta de renováveis e os subsídios têm gerado distorções. Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, a decisão pode impactar a oferta de energia e os preços no médio prazo, especialmente se outros players seguirem a mesma estratégia.

Perguntas Frequentes

Por que a Engie está reduzindo investimentos em energia renovável e focando em hidrelétricas e linhas de transmissão?

A Engie está reposicionando seu portfólio devido aos cortes que desperdiçam 17% da energia renovável da empresa, causados pela sobreoferta de energia renovável e curtailment elevado. O CEO Eduardo Sattamini critica os subsídios prolongados e o crescimento desordenado da geração distribuída.

Quais são os principais investimentos da Engie em hidrelétricas e transmissão atualmente?

A Engie planeja incorporar a Usina Hidrelétrica de Jirau (onde já detém 40% das ações), expandir a Usina Hidrelétrica de Jaguara com R$ 1,2 bilhão, e arrematou lotes de transmissão nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Ceará, com investimento previsto de R$ 1,5 bilhão.

Qual a participação das hidrelétricas na capacidade de geração da Engie?

As hidrelétricas respondem por cerca de 70% da capacidade de energia gerada pela Engie, e a empresa está reforçando investimentos nessa fonte, além das linhas de transmissão que somam 3.205 km.

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