Excesso de geração de energia traz risco ao Brasil

Crédito: bbc.com
O sistema elétrico brasileiro enfrenta risco por excesso de geração de energia. Quase 25 anos depois do apagão por excesso de demanda de 2001, o país vive um drama de sinal inverso. Portanto, no dia 7 de junho, o Operador Nacional do Sistema (ONS) acionou um plano emergencial para frear o ingresso de eletricidade na rede, evitando uma possível sobrecarga.
As informações são do artigo de Luiz Antônio Araujo, escrito de Porto Alegre para a BBC News Brasil. O texto foi publicado há três horas e tem tempo de leitura estimado em nove minutos. Ademais, a reportagem aborda um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro na atualidade.
O drama invertido desde 2001
Em 2001, consumidores de 16 Estados e do Distrito Federal foram obrigados a desligar eletrodomésticos. Além disso, prefeituras também precisaram reduzir a iluminação pública. Na época, o problema era a falta de oferta de energia, que levou ao racionamento. Por outro lado, agora, quase 25 anos depois, o desafio é o oposto: há excesso de geração, o que exige atenção das autoridades e do setor produtivo.
O novo cenário inverte a lógica de planejamento energético. Ou seja, em vez de incentivar a economia de consumo, a preocupação passa a ser como lidar com o excedente. Essa mudança estrutural tem implicações para todos os consumidores, sobretudo para aqueles que dependem de energia para suas atividades econômicas.
O papel do ONS e o plano emergencial
O ONS é o órgão que coordena a geração e distribuição de energia no país. No dia 7 de junho, por exemplo, o órgão acionou um plano emergencial para limitar a entrada de eletricidade na rede. A medida foi tomada para evitar sobrecarga. Essa prática é conhecida como “curtailment”, que consiste na redução ou desligamento da geração, geralmente de parques eólicos e solares.
O desequilíbrio ocorre porque a quantidade de energia gerada e transmitida tem de coincidir com a consumida. Quando há excesso, é preciso interromper parte da produção para manter a estabilidade do sistema. O plano emergencial, portanto, atua como um mecanismo de controle para evitar problemas maiores. Assim sendo, a decisão do ONS reflete a complexidade de gerir uma matriz cada vez mais diversificada.
Geração distribuída em expansão
Segundo dados da Aneel, dos cerca de 90 milhões de consumidores, 4,5 milhões (5% do total) são micro e minigeradores de energia por meio de painéis solares. Por exemplo, eles formam a chamada geração distribuída. Dessa forma, o crescimento desse modelo é um dos fatores que contribuem para o aumento da oferta de energia no país.
Dos 4,5 milhões de micro e minigeradores, 3,6 milhões são consumidores-geradores residenciais. Por outro lado, outros 400 mil são comerciais e recebem créditos pelos quilowatts aportados ao conjunto. Os 500 mil restantes incluem categorias como poder público, serviço público, rural e outras. Em resumo, essa diversidade mostra como a geração de energia está pulverizada na sociedade.
- 3,6 milhões: consumidores-geradores residenciais
- 400 mil: comerciais, que recebem créditos pelos quilowatts aportados ao conjunto
- 500 mil: outras categorias, como poder público, serviço público, rural e outras
O modelo permite que consumidores gerem a própria eletricidade e devolvam o excedente para a rede. No entanto, o crescimento acelerado dessa modalidade exige adaptações no sistema de transmissão. Consequentemente, a infraestrutura precisa dar conta de receber e distribuir essa energia de forma eficiente.
Especialista destaca proporção
A potência instalada dos consumidores-geradores é de 50 gigawatts. Ou seja, esse valor equivale a cerca de 20% da potência total instalada do país. A observação foi feita por Joisa, que chamou a atenção para a magnitude desse contingente. A participação expressiva na matriz energética evidencia a relevância da geração distribuída, sobretudo no equilíbrio entre oferta e demanda.
Impactos para o comércio regional
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, incluindo Araçatuba, Birigui, Penápolis, Andradina e Mirandópolis, o funcionamento do sistema elétrico é essencial. O excesso de geração, se não gerenciado, pode provocar oscilações na rede. Consequentemente, isso afetaria a rotina dos negócios, a operação de equipamentos e a produtividade local.
A fonte não detalhou possíveis efeitos sobre tarifas ou sobre o fornecimento para o interior do estado. A recomendação é que as empresas acompanhem os desdobramentos do plano emergencial. A estabilidade do sistema elétrico é fundamental para o planejamento das atividades comerciais na região.
Perguntas Frequentes
Por que o sistema elétrico brasileiro enfrenta risco por excesso de geração de energia?
O sistema elétrico brasileiro enfrenta risco porque a quantidade de energia gerada e transmitida tem de coincidir com a consumida; quando há excesso, pode ocorrer sobrecarga. Por isso, o ONS acionou, no dia 7 de junho, um plano emergencial para frear o ingresso de eletricidade na rede e evitar esse problema.
O que é o curtailment e como ele é usado no contexto do excesso de geração?
Curtailment é a redução ou desligamento da geração de energia, geralmente de parques eólicos e solares. Ele é usado para evitar uma possível sobrecarga no sistema quando há excesso de geração, como no plano emergencial acionado pelo ONS.
Quantos consumidores-geradores existem no Brasil e qual é a potência instalada deles?
Segundo dados da Aneel, dos cerca de 90 milhões de consumidores, 4,5 milhões (5% do total) são micro e minigeradores de energia por meio de painéis solares. A potência instalada desses consumidores-geradores é de 50 gigawatts, o que equivale a cerca de 20% da potência total instalada do país.




























