IA ameaça primeiro emprego e pode causar apagão de profissionais

Crédito: Estadão
IA ameaça primeiro emprego e pode criar apagão de profissionais experientes, aponta estudo
Um estudo do Banco Inter revela que a inteligência artificial (IA) representa uma ameaça ao primeiro emprego e pode gerar um apagão de profissionais experientes no futuro. O levantamento indica que a tecnologia pode desestimular a entrada de jovens no ensino superior e aumentar a desigualdade entre profissionais experientes e juniores.
Impacto no mercado de trabalho
Segundo a pesquisa, a IA não deve provocar desemprego em massa no Brasil. Para Michelle Schneider, a automação não substituirá empregos, mas transformará os cargos atuais. No cenário mais provável, os profissionais altamente qualificados serão ainda mais valorizados. O problema é o aumento da distância entre eles e os jovens que estão saindo da faculdade.
Jovens recém-formados na berlinda
A pesquisa sugere que os recém-formados estão na berlinda da IA. Valério, especialista ouvido no estudo, afirma: “Não vemos uma grande queda na demanda por trabalhadores qualificados. O que muda é a rentabilidade desses trabalhadores. Pagam mais para quem tem experiência e relativamente menos para quem está entrando no mercado.”
Risco de apagão de profissionais
Se menos jovens ingressam no mercado, há risco de “apagão” de profissionais experientes para funções estratégicas no futuro. Valério alerta: “O sênior foi júnior um dia. Ele precisa ter a trajetória para chegar em um cargo acima.” Ele defende que “a IA automatiza algumas tarefas, mas o conhecimento sobre como tomar decisões e entender o negócio continua sendo construído na convivência com quem já percorreu esse caminho.”
Desestímulo ao ensino superior
A menor demanda por recém-formados pode levar o jovem a repensar o retorno financeiro de investir em uma graduação. A redução das oportunidades torna “menos vantajoso” investir em um diploma, conclui um dos cenários avaliados. A redução dos salários iniciais implica menor retorno econômico, o que pode tornar a faculdade dispensável para os jovens.
Decisão econômica pela faculdade
O estudo parte do pressuposto de que a decisão de cursar uma faculdade é econômica. O jovem compara o custo da graduação com a renda esperada ao longo da carreira. Valério diz: “Quando comprimimos os salários dos recém-formados, o retorno esperado da educação superior fica achatado e isso pode desestimular muita gente a buscar uma graduação.”
Cenários alternativos
Esse resultado não surge em todos os cenários analisados. Em circunstâncias de criação de novas empresas e aumento da produtividade, há possibilidade de demanda por profissionais qualificados em início de carreira e retorno da educação superior.
Perguntas Frequentes
Como a IA pode desestimular jovens a cursar ensino superior?
Segundo o estudo do Banco Inter, a redução dos salários no início de carreira e a menor demanda por recém-formados tornam o retorno financeiro da graduação menos vantajoso, podendo desestimular os jovens a buscar uma faculdade.
A IA vai causar desemprego em massa no Brasil?
Não, o estudo do Banco Inter sugere que a tecnologia não deve provocar uma onda de desemprego em massa no País. A automação tende a mudar os cargos, não substituí-los completamente.
Por que a IA pode criar um ‘apagão’ de profissionais experientes?
Se menos jovens ingressam no mercado devido à IA, haverá falta de profissionais experientes no futuro, pois o sênior precisa ter sido júnior um dia para ocupar funções estratégicas.




























