JPMorgan eleva aposta em rali de juros no Brasil além do previsto

Crédito: InfoMoney
O JPMorgan elevou sua recomendação para posições em juros locais no Brasil, após o rali observado depois do primeiro turno das eleições superar as previsões do mercado. Em relatório divulgado na terça-feira (6), os estrategistas Gisela Brant, Tania Escobedo Jacob e Santiago Olalquiaga Calcano afirmaram que, embora os níveis ainda estejam longe do ideal, o momentum é forte e o posicionamento está relativamente limpo.
Banco eleva aposta em juros locais
O JPMorgan passou a recomendar posição em juros locais, mas ponderou que as taxas já recuaram com força e que uma queda sustentada depende de um plano fiscal crível. A mudança de postura reflete a avaliação de que o movimento recente abriu espaço para ganhos adicionais, ainda que condicionados à evolução da política fiscal.
Os estrategistas destacaram que o primeiro dia de rali no Brasil foi mais que o dobro em pontos-base em comparação com a Colômbia, e as taxas já estão nas mínimas de vários meses — patamar que o país andino levou ao menos um mês para alcançar.
Comparação com a Colômbia
O banco usa a eleição colombiana como referência. Lá, o mercado não precificou todo o risco no primeiro dia, e o rali dos títulos se estendeu bem além do segundo turno, até ser afetado pela alta dos juros nos mercados desenvolvidos e por frustrações fiscais.
No Brasil, contudo, o movimento inicial foi mais intenso, e as taxas atingiram mínimas em vários meses rapidamente. A principal diferença, segundo o banco, está no Banco Central: enquanto um ciclo de cortes do BC colombiano era visto como algo distante, o espaço para uma redução mais profunda da Selic parece mais claro por aqui, já que o afrouxamento está em curso.
Espaço para cortes na Selic
Se a Selic voltar à mínima do último ciclo, de 10,50%, o JPMorgan calcula que a taxa de dez anos cairia para 11,92%, cerca de 94 pontos-base abaixo do que o mercado precifica hoje. Esse cenário reforça a visão de que ainda há prêmio a ser capturado na curva de juros.
Os estrategistas lembram ainda que, pelas contas do BC, cada 100 pontos-base de corte na Selic reduzem o déficit fiscal em cerca de 50 pontos-base. Como referência, citam o teto de gastos de 2016, que, aliado a reformas estruturais, abriu caminho para 775 pontos-base de cortes nos juros.
Investidores institucionais e o Brasil
“Achamos que será difícil para muitos investidores institucionais de mercados emergentes ficarem de fora de uma história de mudança de regime”, afirmaram os estrategistas, lembrando que o Brasil tem peso de cerca de 8% no índice GBI-EM. Essa ponderação sugere que fluxos de capital podem continuar favorecendo os ativos locais.
Daqui em diante, uma queda adicional das taxas depende da capacidade do BC de cortar juros, e o banco duvida de um ciclo acelerado diante do cenário global. A expectativa de um afrouxamento gradual reforça, assim, a preferência pelo miolo da curva.
Preferência por títulos prefixados
Entre prefixados e títulos atrelados à inflação, o JPMorgan fica com os primeiros. A inflação implícita, entre 5% e 5,5% nos prazos de cinco e dez anos, segue elevada em relação às expectativas e à inflação corrente, o que pode indicar que a curva prefixada ainda carrega prêmio de risco extra.
Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a sinalização de juros mais baixos no horizonte pode aliviar o custo do crédito e estimular investimentos, embora a concretização dependa da consolidação fiscal e do ambiente externo.
Perguntas Frequentes
Por que o JPMorgan elevou sua aposta no Brasil após o primeiro turno das eleições?
O JPMorgan elevou sua aposta porque o rali dos juros após o primeiro turno superou as previsões, com o movimento do primeiro dia sendo mais que o dobro em pontos-base em relação à referência colombiana, e as taxas já atingindo mínimas de vários meses.
Qual é a projeção do JPMorgan para a taxa de juros de dez anos se a Selic voltar a 10,50%?
O JPMorgan calcula que a taxa de dez anos cairia para 11,92%, cerca de 94 pontos-base abaixo do que o mercado precifica hoje.
Por que o JPMorgan prefere títulos prefixados em vez de atrelados à inflação?
O JPMorgan prefere prefixados porque a inflação implícita, entre 5% e 5,5% nos prazos de cinco e dez anos, segue elevada em relação às expectativas e à inflação corrente, indicando que a curva prefixada ainda carrega prêmio de risco extra.




























