Raízen reestrutura dívida de R$ 64,7 bilhões com apoio de credores

Crédito: G1
A Raízen, controladora dos postos Shell no Brasil e uma das maiores empresas de energia do país, anunciou nesta sexta-feira (5) que obteve o apoio da maior parte de seus credores para avançar em um plano de reestruturação financeira que envolve cerca de R$ 64,7 bilhões em dívidas. A medida busca aliviar a forte pressão no caixa da companhia, que vinha enfrentando dificuldades após anos de investimentos elevados, juros altos, safras afetadas por condições climáticas adversas e queda no desempenho de parte dos negócios.
Detalhes do plano de reestruturação
O plano da Raízen prevê a entrada de novos recursos, a conversão de parte das dívidas em ações e a divisão da empresa em duas operações para reduzir a pressão financeira. Pela proposta, a Shell fará um aporte de R$ 3,5 bilhões na companhia. Além disso, 45% das dívidas incluídas na recuperação extrajudicial serão convertidas em ações da empresa, enquanto o restante terá os prazos de pagamento renegociados.
A empresa atua nos setores de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, e a reestruturação tem caráter exclusivamente financeiro, não afetando compromissos com clientes, fornecedores, revendedores ou consumidores. O objetivo é aliviar a pressão sobre o caixa da companhia e criar condições para que a empresa volte a crescer nos próximos anos sem comprometer suas operações.
Separação dos negócios prevista até 2027
Até o fim de 2027, a Raízen pretende separar seus negócios em duas empresas independentes: uma focada na produção de açúcar, etanol e bioenergia e outra dedicada à distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. Essa divisão visa dar mais foco e eficiência a cada operação, reduzindo a complexidade e a pressão financeira sobre o grupo.
A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março deste ano para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras. No fim de 2025, a dívida líquida da companhia havia alcançado R$ 55,3 bilhões. No mesmo período, a empresa registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões, impactado por perdas contábeis relacionadas à reavaliação de ativos.
Histórico e impacto da joint venture
A Raízen foi criada em 2011 como uma joint venture entre a Cosan e a Shell. A joint venture combinou as operações de produção de açúcar e etanol da Cosan com a rede de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil. Desde então, a empresa se tornou uma das maiores do setor, com presença em todo o país.
Abastecer o carro em um posto Shell, comprar etanol ou consumir açúcar produzido pela Raízen são situações comuns para milhões de brasileiros. A reestruturação financeira, portanto, tem impacto direto na economia real, especialmente para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, que dependem da estabilidade da empresa para suas operações.
Perguntas Frequentes
Qual é o valor da dívida que a Raízen está tentando reorganizar?
A Raízen está tentando reorganizar cerca de R$ 64,7 bilhões em dívidas, conforme anunciado em 5 de julho de 2024.
O que prevê o plano de reestruturação financeira da Raízen?
O plano prevê entrada de novos recursos, conversão de 45% das dívidas em ações, renegociação dos prazos de pagamento do restante, e divisão da empresa em duas operações independentes até o fim de 2027.
A recuperação extrajudicial da Raízen afeta os consumidores dos postos Shell?
Não, a recuperação extrajudicial tem caráter exclusivamente financeiro e não afeta compromissos com clientes, fornecedores, revendedores ou consumidores.




























