Maioria rejeita tarifas EUA Brasil, mas CNI projeta manutenção

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Tarifas EUA Brasil: maioria rejeita, mas CNI projeta manutenção

A maioria dos inscritos para a audiência pública sobre a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil deve se manifestar contra a adoção de novas tarifas. No entanto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que as tarifas devem ser mantidas, ainda que possam sofrer ajustes pontuais durante a conclusão do processo.

Levantamento da CNI

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a maior parte das manifestações inscritas para a audiência pública sobre a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil deve se manifestar de forma contrária à adoção de novas tarifas. Dos 80 inscritos para falar na audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), 66 devem se posicionar contra a medida. Os demais participantes, que representam setores norte-americanos do etanol, siderurgia, pecuária e madeira, apoiam a aplicação das tarifas. O levantamento, obtido pelo g1, utilizou dados públicos do USTR.

Contexto da investigação

A audiência faz parte da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos Estados Unidos apurar práticas de outros países consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores norte-americanos. No início deste mês, o governo americano concluiu a investigação afirmando que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com empresas dos Estados Unidos. A partir desse diagnóstico, o USTR propôs a elevação de tarifas sobre produtos brasileiros.

Projeção de impacto

Segundo projeção da CNI, se a proposta for implementada, 31,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a ser tributadas em 37,5%, ante os atuais 10% — aumento de 27,5 pontos percentuais. US$ 15 bilhões é o volume das exportações que pode ser afetado caso tarifa de 25% seja aplicada, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil.

Posicionamento do governo

Interlocutores no governo afirmam que essas audiências públicas convocadas pelo USTR são um espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil. Trata-se de uma sessão em que as pessoas submetem documentos e pedem para se manifestar. O formato se assemelha, no entendimento do governo, a uma audiência pública do Congresso Nacional, e não um espaço de negociação entre os Estados.

Tendência e ajustes

A tendência, segundo a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, é que as tarifas sejam mantidas, ainda que possam sofrer ajustes pontuais durante a conclusão do processo. A investigação foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras.

Perguntas Frequentes

Quantos inscritos na audiência do USTR sobre tarifas dos EUA contra o Brasil se posicionaram contra a medida?

Dos 80 inscritos para falar na audiência do USTR, 66 devem se posicionar contra a medida, segundo levantamento da CNI.

Qual o impacto projetado pela CNI nas exportações brasileiras para os EUA se as tarifas forem implementadas?

Segundo a CNI, se a proposta for implementada, 31,6% das exportações brasileiras para os EUA passarão a ser tributadas em 37,5%, ante os atuais 10% — aumento de 27,5 pontos percentuais.

Qual o volume de exportações brasileiras que pode ser afetado por uma tarifa de 25% segundo a Câmara Americana de Comércio?

US$ 15 bilhões é o volume das exportações que pode ser afetado caso tarifa de 25% seja aplicada, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil.

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