Uso do cartão de crédito rotativo dispara entre ricos

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O uso do cartão de crédito rotativo e do cheque especial disparou entre os brasileiros de maior renda nos últimos três anos, enquanto encolheu entre os que ganham menos. Dados do Banco Central, levantados pela Folha no Sistema de Informações de Créditos (SCR), mostram que o grupo que ganha mais de 10 salários mínimos passou a responder por 23,3% do estoque dessas linhas, as mais caras do mercado.

O saldo devido por essa faixa teve alta real de 93% entre julho de 2023 e o mesmo mês deste ano, saltando de R$ 13,1 bilhões para R$ 30,3 bilhões.

O movimento contrasta com o observado entre os mais pobres. Entre os que ganham até 5 salários, o saldo do rotativo e do cheque especial caiu 10,6% no período, após ter crescido mais de 70% acima da inflação entre 2021 e 2023. Com isso, o peso dessa faixa no total emprestado recuou de 69,4% para 57,4%. Os números revelam uma inversão no perfil do endividamento emergencial no país.

Ricos ampliam uso do crédito caro

Quanto maior a faixa de renda do tomador, maior foi o crescimento do uso desse crédito, segundo os dados do BC. A maior alta foi entre aqueles que ganham acima de 20 salários mínimos: a participação no estoque quase dobrou, subindo de 5,3% em 2023 para 10,5% em 2026. Entre os que ganham de 5 a 10 salários, o peso aumentou de 13,8% para 17,2%.

Esse avanço entre os mais abastados chama atenção porque, historicamente, as linhas de crédito rotativo e cheque especial são associadas a consumidores de menor renda, que recorrem a elas em situações de aperto financeiro. Agora, porém, são os ricos que vêm ampliando o uso dessas modalidades, muitas vezes para sustentar um padrão de consumo elevado.

Endividamento atinge 71,9% das famílias ricas

Dados de setembro da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que 71,9% das famílias com renda acima de 10 salários estão endividadas. Para o economista Carvalho, da CNC, “para manter o seu padrão de consumo, as famílias passaram a se endividar e comprometer mais da sua renda”. A declaração reforça a tese de que a alta do rotativo entre os ricos está ligada à tentativa de preservar um estilo de vida.

O comprometimento de renda elevado, por sua vez, pode levar a um aumento da inadimplência. “Atingiu-se tal nível de inadimplência, como consequência do comprometimento de renda elevado, que o próprio mercado promoveu ajustes”, aponta Lauro Gonzalez, professor de finanças da FGV Eaesp e coordenador do FGVCemif (Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira).

Bancos estimulam crédito e agronegócio influencia

Gonzalez também destaca o papel dos bancos no estímulo ao endividamento. Como exemplo, ele cita o aumento do limite de crédito nas modalidades mais arriscadas e a alta no número de cartões oferecidos. Essas práticas podem incentivar até mesmo os mais ricos a recorrerem ao rotativo em momentos de necessidade ou para aproveitar oportunidades de consumo.

Além disso, o professor aponta que a alta no uso das modalidades emergenciais pelos que ganham acima de 20 salários pode refletir também a crise no agronegócio. Muitos produtores rurais tomam crédito como pessoa física e, em dificuldade, recorrem a modalidades caras como o rotativo e o cheque especial. Esse fator pode explicar parte do crescimento observado na faixa de renda mais alta.

Para o comércio e os empresários do interior paulista, o cenário acende um alerta: o endividamento crescente entre os mais ricos pode reduzir a capacidade de consumo dessas famílias no médio prazo, afetando setores que dependem de clientes de alta renda. A fonte não detalhou projeções para os próximos meses, mas o movimento merece acompanhamento por parte de lojistas e prestadores de serviços.

Perguntas Frequentes

Qual é a participação dos mais ricos no estoque de crédito rotativo e cheque especial?

O grupo que ganha mais de 10 salários mínimos é responsável por 23,3% do estoque das linhas mais caras, com saldo de R$ 30,3 bilhões.

Como o uso do rotativo e cheque especial evoluiu entre os mais ricos nos últimos três anos?

O saldo devido por quem ganha acima de dez salários mínimos teve alta real de 93% entre julho de 2023 e o mesmo mês de 2026, com a participação subindo de 13,1% para 23,3%.

O que aconteceu com o endividamento no rotativo e cheque especial entre os que ganham até 5 salários?

Entre os que ganham até 5 salários, o saldo do rotativo e cheque especial teve queda de 10,6% nos últimos três anos, e o peso no total recuou de 69,4% para 57,4%.

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