Preço da terra está barato demais, avaliam gestores

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Preço da terra está barato demais, dizem gestores

“Quem tem terra não erra,” diz um velho ditado do interior do Brasil. No entanto, na pior fase do agro em anos, produtores rurais endividados estão entregando suas propriedades aos credores. Como resultado, fazendas chegam ao mercado com descontos de 30% a 40%. Para gestores como Olivier Colas e Eça Correia, da recém-criada Buri, portanto, esse é o momento de comprar terras a preços descontados e esperar a normalização do mercado.

A tese da Buri: preço da terra está barato demais

Essa é a tese central da Buri: o preço da terra está barato demais para ignorar. A gestora foi criada por Olivier Colas, ex-vice-presidente da Kepler Weber, e Eça Correia, ex-PwC. O objetivo, dessa forma, é adquirir propriedades agrícolas em um momento de baixa liquidez e revendê-las quando o ciclo do agro virar. Além disso, o momento atual, marcado pela crise do agronegócio, é visto como uma janela de oportunidade.

Crise do agro derruba margens e multiplica recuperações

Com os juros altos, os custos de produção elevados e os preços de commodities pressionados, a margem bruta da soja em área própria caiu 48% nesta safra, para R$ 1.219 por hectare, segundo Olivier. Nas áreas produtoras de grãos, por exemplo, o valor da terra é fortemente influenciado pelo preço da saca de soja. Essa relação, portanto, ajuda a entender por que as terras estão sendo oferecidas com descontos cada vez maiores.

  • O agro brasileiro registrou quase 2 mil pedidos de recuperação judicial no ano passado, uma alta de 56% em relação ao ano anterior.
  • Além disso, no primeiro trimestre deste ano, as 474 recuperações do agro já foram 22% mais do que no mesmo período de 2025.

A pressão financeira sobre os produtores, combinada à queda das margens, tem levado muitos a entregar imóveis rurais aos credores. Assim sendo, esse cenário de endividamento é o que alimenta a oferta de terras no mercado.

Oportunidade para quem tem capital

A crise do agronegócio, que vem comprimindo as margens e aumentando a pressão financeira sobre os produtores, está criando oportunidades para quem olha a terra como investimento. Essa é a tese de Olivier Colas e Eça Correia, que enxergam no momento atual uma chance de comprar ativos com descontos relevantes. Para eles, contudo, trata-se de uma crise cíclica, não estrutural.

Se, de um lado, produtores pressionados precisam vender ativos, hoje há poucos compradores dispostos a entrar no mercado. Dessa forma, esse descompasso entre oferta e demanda é exatamente o que abre a janela para investidores com capital disponível. “A nossa visão é que é o momento para comprar terras a um preço bastante descontado e esperar o retorno da normalização do mercado,” disse Olivier ao Brazil Journal.

Descontos de até 40% nos valores de 2022

Os gestores afirmam estar encontrando propriedades com descontos de 30% a 40% sobre os valores de 2022. São, principalmente, terras produtivas que chegaram ao mercado por meio de execuções de garantias. Além disso, há outra frente: as propriedades com áreas degradadas que podem ser recuperadas e transformadas em lavouras.

Nesse caso, o investimento leva de três a cinco anos, mas tende a gerar um retorno maior. Dessa forma, a combinação de terras prontas e áreas para recuperação amplia o leque de opções para a gestora. A estratégia é diversificar, sobretudo, entre ativos que já geram renda e outros que exigem desenvolvimento.

Seleção criteriosa e escala relevante

Mais de 80 fazendas já foram oferecidas aos gestores da Buri. Além disso, no momento, são cerca de 95 mil hectares em análise ou em fase de negociação. A seleção das propriedades é feita pela NMPO, uma consultoria especializada na avaliação de terras agrícolas, criada por dois ex-executivos da Macquarie, Stephen Pout e Juliano Vorraber. Essa parceria, portanto, garante uma análise técnica aprofundada de cada ativo.

O volume de terras em análise indica que a oferta é ampla, mas a escolha exige cuidado. A Buri, dessa forma, busca adquirir imóveis com potencial de valorização, seja pela localização ou pela possibilidade de recuperação. Isto é, o processo seletivo, conduzido pela NMPO, é essencial para reduzir riscos e maximizar retornos.

Reflexos para o noroeste paulista

O movimento de gestores em busca de terras baratas é um sinal para o agronegócio, setor de forte presença no noroeste paulista. Portanto, para empresários de Araçatuba e cidades vizinhas, a recuperação do setor é aguardada com expectativa. A aposta da Buri é que a crise atual seja cíclica e que o preço da terra volte a se valorizar. Se isso ocorrer, os efeitos podem chegar a toda a cadeia produtiva local.

A atenção ao mercado de terras, portanto, vai além do investimento financeiro. Assim sendo, para o interior de São Paulo, a terra é um ativo estratégico, capaz de movimentar o comércio e a indústria regionais. A compra de propriedades por gestores, portanto, é um indicador de que há capital apostando na retomada do setor.

Perguntas Frequentes

Por que os gestores da Buri estão comprando terras agrícolas agora?

Porque veem uma crise cíclica, não estrutural, com produtores endividados entregando propriedades a credores. Além disso, a margem bruta da soja caiu 48% nesta safra para R$ 1.219 por hectare, e há descontos de 30% a 40% sobre os valores de 2022.

Quais descontos estão sendo encontrados em propriedades agrícolas?

Os gestores afirmam encontrar propriedades com descontos de 30% a 40% sobre os valores de 2022, principalmente terras produtivas que chegaram ao mercado por execuções de garantias. Além disso, há também áreas degradadas que podem ser recuperadas em três a cinco anos.

Quem são os gestores por trás da compra de terras e quantas fazendas já foram analisadas?

Olivier Colas, ex-vice-presidente da Kepler Weber, e Eça Correia, ex-PwC, criaram a gestora Buri. Em resumo, mais de 80 fazendas já foram oferecidas, com cerca de 95 mil hectares em análise ou negociação.

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