Casas Bahia: do auge à recuperação judicial

Crédito: Gazeta do Povo
A Casas Bahia, um dos nomes mais tradicionais do varejo brasileiro, entrou com pedido de recuperação judicial no dia 16 de agosto, com dívidas de R$ 17,3 bilhões. Dessa forma, a medida veio após a empresa registrar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
Além disso, a varejista anunciou o fechamento de quase 300 lojas. As ações, que já valeram mais de R$ 500, agora são negociadas por centavos. Portanto, o desfecho é um contraste com o passado de sucesso da companhia.
Do império à crise
Durante décadas, a Casas Bahia foi uma das empresas mais eficientes do varejo nacional em uma tarefa aparentemente simples: vender geladeiras, fogões, televisores e móveis para quem não tinha dinheiro para pagar à vista. Klein chegou ao Brasil em 1952, depois de sobreviver a um campo de concentração nazista. Em seguida, em 1957, fundou a Casas Bahia, em São Caetano do Sul.
A fórmula criada pelo empresário polonês Samuel Klein combinava conhecimento do consumidor de baixa renda, crédito, parcelamento e uma operação cuidadosamente construída para reduzir o risco de inadimplência. Por exemplo, em 1994, enquanto concorrentes começavam a instalar seus primeiros sistemas, a Casas Bahia já estava atualizando os seus, segundo a biografia do fundador.
O impacto da tecnologia e do novo consumidor
O pioneirismo, no entanto, não foi suficiente para blindar a empresa diante das transformações das últimas décadas. O cenário contrasta com o momento atual, em que as novas tecnologias desafiam a varejista. Além disso, o consumidor mudou e os fatores externos – sobretudo a alta taxa de juros brasileira – dificultam muito as operações do varejo.
Os principais desafios incluem:
- Novas tecnologias que alteram a dinâmica do varejo;
- Mudanças no comportamento do consumidor;
- Concorrentes mais ágeis;
- Alta taxa de juros no Brasil.
O consumidor passou a ter acesso a uma quantidade de informações que não existia quando Samuel Klein construiu a empresa. Ou seja, antes, para comparar preços, era necessário visitar lojas; agora, bastam alguns segundos no celular. Consequentemente, o modelo que fez da Casas Bahia uma das maiores varejistas do país começou a perder força diante desses desafios.
Juros altos e o custo da dívida
Em primeiro lugar, o dinheiro para sustentar a operação ficou caro demais. De acordo com o consultor Alberto Serrentino, da Varese Retail, o modelo da Casas Bahia depende de alavancagem financeira. Dessa forma, com a alta rápida dos juros no Brasil — saindo de 2% para 15% em poucos meses —, a rolagem das dívidas tornou-se insustentável.
“Ninguém poderia prever que o Brasil teria uma empinada tão rápida dos juros, saindo de 2% para 15% em poucos meses, e que isso seria um ciclo tão longo de juros reais altos. Nunca tivemos um ciclo tão longo”, ressalta Serrentino.
“O fator preponderante que levou a Casas Bahia para o pedido de recuperação judicial é uma incompatibilidade de alavancagem, o custo financeiro associado à rolagem das dívidas e o que é a capacidade de geração de caixa do negócio”, resume o consultor.
A responsabilidade das últimas gestões
A combinação de juros altos e alavancagem explica, em parte, o colapso, mas não tudo. Todavia, na avaliação do especialista, as últimas administrações não responderam adequadamente ao ritmo das transformações.
“Só os fatores externos não explicam o que aconteceu com ela. Também tem uma parcela de culpa das administrações de três ou quatro anos para cá que não fizeram as adaptações necessárias, que não deixaram a empresa mais leve, com custo de atender o cliente menor”, afirma.
O pedido de recuperação judicial
No dia 16 de agosto, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial, com dívidas de R$ 17,3 bilhões, depois de registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Ademais, dias antes, a varejista anunciou o fechamento de quase 300 lojas.
Os números do pedido:
- Dívidas: R$ 17,3 bilhões;
- Prejuízo no 2º trimestre de 2026: R$ 10,1 bilhões;
- Lojas fechadas: quase 300.
Contudo, a fonte não detalhou os próximos passos da reestruturação.
Perguntas Frequentes
Quais foram as principais causas da crise que levou a Casas Bahia à recuperação judicial?
Segundo especialistas, o principal fator foi o financeiro: a alta taxa de juros brasileira, que subiu de 2% para 15% rapidamente, encareceu o custo da dívida e criou incompatibilidade entre a alavancagem e a geração de caixa. Além disso, o modelo de negócio perdeu força diante de concorrentes mais ágeis e novas tecnologias, com administrações recentes que não se adaptaram adequadamente.
Qual era o tamanho da dívida da Casas Bahia no pedido de recuperação judicial?
A companhia entrou com pedido em 16 de agosto, com dívidas de R$ 17,3 bilhões, após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. Ademais, dias antes, havia anunciado o fechamento de quase 300 lojas.
Como as ações da Casas Bahia reagiram à crise?
Consequentemente, as ações despencaram de mais de R$ 500 para centavos, refletindo a perda de valor da empresa durante a crise.




























