Recuperação judicial de microempresas cresce 41% em junho

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Recuperação judicial microempresas cresce 41% em junho

A onda de recuperações judiciais está alcançando os negócios de menor porte. Em junho, o número de micro e pequenas empresas (MPEs) sob proteção da Justiça em processos para reestruturar suas operações foi de 2.821, um salto de 41,4% ante o mesmo mês do ano anterior. O avanço supera a média geral, que ficou em 8% no semestre.

Comércio concentra a maioria dos pedidos

A maior parte dos processos está no comércio. No semestre, o avanço nesses trâmites chegou a 18,3% entre as micros e 11,2% nas pequenas contra 8% da taxa geral. O pano de fundo — como para todas as empresas — passa pela taxa de juros em patamar elevado por muito tempo, encarecendo crédito e mordendo o caixa, com efeito negativo vindo ainda do recuo no consumo, diante do alto endividamento das famílias. Há, porém, dois agravantes, na comparação com as médias e grandes empresas.

O pequeno negócio costuma ser familiar, de gestão pouco profissionalizada e, por isso, menos capacitada para prever, evitar e contornar crises. Além disso, no comércio, falta patrimônio próprio para dar em garantia em acordos com credores. Para esses negócios miúdos, o melhor é estancar os problemas antes de ter de recorrer à recuperação judicial. É que nesses segmentos, as chances do processo resultar em falência são mais altas, alerta Claudio Damasceno, sócio da RGF Associados / BizDoc.

Falta de patrimônio dificulta acordos

A estrutura do comércio, em particular, intensiva em capital de giro e estoque, mas sem patrimônio, dificulta os processos. É diferente do que ocorre no agro, explica, em que mesmo pequenos produtores têm ativos a serem usados em negociações com credores, como maquinário ou parte da propriedade. Essa diferença estrutural torna a recuperação judicial mais desafiadora para os pequenos comerciantes.

Crédito assistido como possível alívio

Neste ano, com o Novo Desenrola, o Pronampe teve regras revisadas, com maior prazo de carência, pagamento, limite, além de mais recursos via FGO. A mudança vigorou entre maio e agosto, quando a média mensal dos empréstimos saltou para mais de R$ 9 bilhões, contra R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões, antes da medida provisória. Entre maio e julho, a inadimplência no programa recuou de 9,9% para 7,5%. A previsão é que, com a volta do regramento antigo, essa taxa volte a subir, alerta relatório do UBS BB.

Também o BNDES registrou recorde de R$ 108,2 bilhões em crédito a micro, pequenas e médias empresas no primeiro semestre.

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, alerta que não basta emprestar dinheiro aos pequenos empresários, mas ter crédito assistido: “O crédito é uma ferramenta poderosa, mas precisa vir acompanhado de educação financeira e de um olhar de longo prazo. O Desenrola Empresas veio para corrigir essa distorção, permitindo alongar prazos, reduzir o custo efetivo e substituir dívida cara por dívida barata.”

Fôlego exige reorganização do negócio

Mas, segundo Soares, é uma medida emergencial e o que vai determinar a sustentabilidade do negócio depois disso é o que o empreendedor fizer nesse período de fôlego. “Se ele usar esse tempo para reorganizar o negócio, profissionalizar a gestão, diversificar receitas, a chance de voltar a ter problemas é menor.” Para os pequenos empresários do noroeste paulista, a orientação é buscar apoio do Sebrae e de associações comerciais para aproveitar o alívio temporário e reestruturar as finanças antes que a recuperação judicial se torne inevitável.

Perguntas Frequentes

Qual foi o aumento nos pedidos de recuperação judicial de micro e pequenas empresas em junho?

Em junho, o número de micro e pequenas empresas em recuperação judicial foi de 2.821, um salto de 41,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Por que as micro e pequenas empresas têm mais dificuldade em processos de recuperação judicial?

Elas costumam ter gestão familiar pouco profissionalizada e, no comércio, falta patrimônio próprio para dar em garantia, o que dificulta acordos com credores e aumenta as chances de falência.

Quais medidas foram adotadas para apoiar micro e pequenas empresas endividadas?

O Pronampe teve regras revisadas com maior prazo de carência e limite, elevando a média mensal de empréstimos para mais de R$ 9 bilhões entre maio e agosto, e o BNDES registrou recorde de R$ 108,2 bilhões em crédito no primeiro semestre.

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